Pachakuti e a história da modernidade nos mares do Sul

Filipe Gervásio Pinto da SILVA

Resumo


O texto trata da construção da modernidade colonialidade, a partir de um diálogo entre o Materialismo Histórico-Dialético (LUKÁCS, 2010; MARX, 2007; 2013) com as Epistemologias do Sul (SANTOS, 2010A; QUIJANO, 2005; MIGNOLO, 2011). Três são os pontos centrais da reflexão: o rompimento do silêncio absoluto que envolve a importância da América Latina na construção da modernidade capitalista; a vinculação metabólica entre modernidade e colonialidade, uma vez que a o estágio das forças produtivas e da consolidação do eurocentrismo como núcleo duro da vida intelectual mundial possuem uma vinculação estreita com o regime de acumulação primitiva, colonização e racialização dos territórios latino-americanos e, por fim; a introdução de uma premissa ontológica materialista ao debate epistemológico do Sul Global, é o de que a colonização foi o momento matricial da imposição planetária da Forma-Mercadoria (MARX, 2013).

Pachakuti and the history of the modernity beyond the Southern seas

ABSTRACT


The text deals with the construction of modernity-coloniality, starting from a dialogue between Historical-Dialectical Materialism (LUKÁCS, 2010; MARX, 2007; 2013) and Southern Epistemologies (SANTOS, 2010A; QUIJANO, 2005; MIGNOLO, 2011). Three are the central points of reflection: the breaking of the absolute silence that surrounds the importance of Latin America in the construction of capitalist modernity; the metabolic linkage between modernity and coloniality- since the stage of the productive forces and the consolidation of Eurocentrism as the core of the intellectual world life have a close connection with the regime of primitive accumulation, colonization and racialization of the Latin American territories and, finally, the introduction from a materialist ontological premise to the epistemological debate of the Global South, is that colonization was the matrix point of the planetary imposition of the Form-Merchandise (MARX, 2013).

 


Texto completo:

PDF

Referências


DUSSEL, Enrique. 1492 El encubrimiento del otro: hacia el origen del “mito de la modernidad”. La Paz: Plural, 1994.

DUSSEL, Enrique. Filosofia da libertação: crítica à ideologia da exclusão. São Paulo: Paulus, 1995.

DUSSEL, Enrique. Europa, modernidad y eurocentrismo, in DUSSEL. Hacia una filosofía política crítica, 2001.

GROSFOGUEL, R. Dilemas dos estudos étnicos norte-americanos: multiculturalismo identitário, colonização disciplinar e epistemologias descoloniais. Revista Cienc. Cult. v.59 n.2 São Paulo abr./jun. 2007.Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. http://cienciaecultura.bvs.br/pdf/cic/v59n2/a15v59n2.pdf

GUHUR, D. M. P.; TONÁ, N. Agroecologia. In: CALDART, R. S. et al (Org.). Dicionário da Educação do Campo. Rio de Janeiro, São Paulo: Expressão Popular, 2012. p. 57-65.

HARVEY, David. 17 contradições e o fim do capitalismo. 1. ed. São Paulo: Boitempo, 2016.

LESSA, Sergio; TONNET, Ivo. Introdução à filosofia de Marx. 2. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2011.

LUKÁCS, Gyorgy. Prolegômenos para uma ontologia do ser social: questões de princípios para uma ontologia hoje tornada presente. São Paulo: Boitempo, 2010.

MAFFESOLI, M. Elogio da razão sensível. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

MARX, Karl. O Capital: Crítica da economia política. Livro I: O processo de produção do capital. Trad. Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013.

MARX, Karl; Engels, Friedrich A ideologia alemã:crítica da mais recente filosofia alemã em seus representantes Feuerbach, B. Bauere Stirner, e do socialismo alemão em seus diferentes profetas (1845-1846). São Paulo: Boitempo, 2007.

MÉSZÁROS, Istivan. Para além do capital: rumo a uma teoria da transição1. ed. revista. São Paulo: Boitempo, 2011.

MIGNOLO, W. D. Cambiando las éticas y las políticas del conocimiento: la lógica de la colonialidade y la postcolonialidad imperial. Herencias coloniales y teorias postcoloniales. Revista chilena de literatura, Coimbra, 2005.

MIGNOLO, W. D. Desobediência epistêmica: a opção descolonial e o significado de identidade em política. Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Literatura, língua e identidade, Rio de Janeiro n 34, p. 287-324, 2008.

MIGNOLO, W. D. Historias locales/diseños globales: colonialidad, conocimientos subalternos y pensamientos fronterizo. Madrid: Akal, 2011.

MIGNOLO, W. D. La Idea de América Latina: la herida colonial y la opción decolonial. Barcelona: Gedisa, 2007.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder. In: LANDER, E. (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005.

SANTOS, B. S. A gramática do tempo para uma nova cultura política. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2010a.

SANTOS, B. S. Descolonizar el saber, reinventar el poder. Montevidéu: Trilce, 2010b.

SANTOS, B. S. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, M. P. (Orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010c. p. 31-83.

WALSH, C. Interculturalidad, Plurinacionalidad y Decolonialidad: Las Insurgencias Político-Epistémicas de Refundar el Estado. Tabula Rasa. Bogotá, Colombia, n. 9, p. 131-152, jul-dic 2008.




DOI: https://doi.org/10.33052/inter.v5i8.241589

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.