Identificação de Estilos Fluviais na Bacia do Rio Macabu (RJ) a Serem Aplicados na Gestão dos Recursos Hídricos

Camila Ignez Santana, Mônica dos Santos Marçal

Resumo


A pesquisa foi desenvolvida na Bacia do Rio Macabu que integra a Região Hidrográfica IX do Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana e, assim como várias regiões hidrográficas fluminenses, apresenta longo histórico de intervenções antrópicas dentro e fora dos canais fluviais. O objetivo do trabalho é apresentar mapeamento dos Estilos Fluviais identificados na Bacia do rio Macabu, considerando-se a dinâmica atual dos processos geomorfológicos e hidrogeomorfológico a serem aplicados na gestão dos recursos hídricos. O mapeamento e classificação dos segmentos dos rios e suas tipologias foram realizados com base na aplicação de parâmetros morfométricos, para a avaliação dos controles regionais e locais sobre a forma e o comportamento do rio, no confinamento do vale, na forma em planta de toda a extensão do canal e nas unidades geomorfológicas do fundo de vale. Os resultados mostram que a compartimentação do relevo possibilita a ocorrência de diferentes feições fluviais, exerce controle regional no sistema fluvial e tem influência sobre característica do vale. Dessa forma, a configuração espacial dos compartimentos determina os padrões de comportamento em cada setor. Foram identificados oito Estilos Fluviais cuja diferenciação entre os segmentos permite compreender como os processos e formas se caracterizam, integram e se distribuem dentro do sistema fluvial. De um modo geral, a bacia do rio Macabu se expressa como um ambiente múltiplo e complexo, com muitas problemáticas relacionadas aos seus usos e modificações. Os resultados representam parte dos subsídios necessários para uma gestão eficiente e eficaz e para a tomada de decisão.

 

Identification of River Styles in the Macabu Basin (RJ) to be Applied in Water Resource Management

 

A B S T R A C T

The research was developed in the Macabu Basin that integrates the Lower Paraíba do Sul and Itabapoana Hydrographic Region and, as well as several basin of fluminense hydrographic regions, presents a long history of anthropogenic interventions inside and outside channels. The objective of this present work is bringing forward mapping of the River Styles in the Macabu Basin to be applied in the management of water resources, considering the current dynamics of geomorphological and hydrogeomorphological processes. The mapping and the classification of river segments and their typologies were performed based on the application of morphometric parameters for the evaluation of regional and local controls on the river shape and behavior, valley confinement, river planform, channel length and valley bottom geomorphological units. The results show that the relief compartments allows the occurrence of different fluvial features, exerts regional control in the fluvial system and influences the valley characteristics. Thus, the spatial configuration of the compartments determines the patterns of behavior in each sector. Eight River Styles have been identified whose differentiation allows understanding how processes and forms are characterized, integrated and distributed within the river system. In general, Macabu Basin is a multiple and complex environment with many issues related to its uses and modifications. The results represent part of the inputs needed for efficient and effective management and decision-making.

Keywords: Fluvial Geomorphoplogy; River Classification; Morphometric Index; Valley Setting.

 


Palavras-chave


Geomorfologia Fluvial; Classificação de Rios; Rio Macabu; Configuração do Vale.

Texto completo:

PDF

Referências


ANA. Agência Nacional das Águas, 2019. Séries Históricas de Estações. Disponível: http://www.snirh.gov.br/hidroweb/serieshistoricas Acesso: 4 out. 2019.

Ashmore, P., 2015. Towards a sociogeomorphology of rivers. Geomorphology 251, 149-156. DOI: 10.1016/j.geomorph.2015.02.020

Bastos, J., Napoleão, P., 2011. O estado do ambiente: indicadores ambientais do Rio de Janeiro, 1 ed. INEA – Instituto Estadual do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Beltrame, A. V., 1994. Diagnóstico do meio físico de bacias hidrográficas: modelo de aplicação, 1 ed. Editora da UFSC, Florianópolis.

Brierley, G. J., Fryirs, K. A., 2005. Geomorphology and River Management: Applications of the River Styles Framework, 1 ed. Blackwell Publishing, Oxford. DOI: 10.1002/9780470751367

Brierley, G. J., Fryirs, K. A., Marçal, M. S., Lima, R. N. S., 2019. The use of the river styles framework as a tool to ‘work with nature’ in managing rivers in Brazil: examples from the macaé catchment. Revista Brasileira de Geomorfologia 20 (4), 751-771. DOI: 10.20502/rbg.v 20i4.1559

Dantas, M. E., 2016. Biblioteca de padrões de relevo: carta de suscetibilidade a movimentos gravitacionais de massa e inundação. Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. Disponível: http://rigeo.cprm.gov.br/xmlui/handle/doc/16589. Acesso: 13 jul. 2018.

Davis, W.M., 1899. The Geographical Cycle. The Geographical Journal 14, 481-504.

EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2012. Variação geográfica do tamanho dos módulos fiscais no Brasil. Sete Lagoas.

Freitas, L. N., Santos, K. P., 2014. Diagnóstico ambiental da bacia hidrográfica do Rio Macabu. Boletim do Observatório Ambiental Alberto Ribeiro Lamego 8 (2), 101-126. DOI: 10.19180/2177-4560.v8n214-07

Fryirs, K. A., Brierley, G. J., 2017. The River Styles short couse workbook: Brazil, September 2017, 1 ed. Macquarie University, Sidney.

Fryirs, K. A., Brierley, G. J., Marçal, M., Peixoto, M. N., Lima, R., 2019. Learning, Doing and Professional Development – The River Styles Framework as a Tool to Support the Development of Coherent and Strategic Approaches for Land and Water Management in Brazil. Revista Brasileira de Geomorfologia 20 (4), 773-794. DOI: 10.20502/rbg.v20i4.1560.

IBGE. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2010. Censo Demográfico: Resultados do universo - Agregados por setores censitários. Rio de Janeiro.

Galay, V.J., Kellerhals, R., Bray, D.I., 1973. Diversity of river types in Canada - In: Fluvial Process and Sedimentation. Proceedings of Hidrology Symposium, 217-250.

Gilbert, J. T., Macfarlane, W. W., Wheaton, J. M., 2016. The Valley Bottom Extraction Tool (V-BET): A GIS tool for delineating valley bottoms across entire drainage networks. Computers & Geosciences 97, 1-14. DOI: 10.1016/j.cageo.2016.07.014

Heilbron, M.; Eirado, L. G.; Almeida, J., 2016. Mapa geológico e de recursos minerais do estado do Rio de Janeiro. Disponível: http://rigeo.cprm.gov.br/xmlui/handle/doc/18458?show=full. Acesso: 12 jul. 2018.

INEA. Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, 2018. Projeto Olho Verde. Rio de Janeiro.

Kellerhals, R., Church, M., Bray, D. I., 1976. Classification and Analysis of river processes. Journal of Hidraulics Division, American Society of Civil Engeneers 102, 813-829.

Kondolf, G. M., Piegay, H., 2016. Tools in Fluvial geomorphology: problem Statement and Recent practice – In: Tools in Fluvial geomorphology. 2 ed. John Wiley & Sons, Nova Jersey. DOI: 10.1002/9781118648551.ch1

Lana, C. E., Alves, J. M. P., Castro, P. T., 2001. Análise morfométrica da bacia do Rio do Tanque, MG - BRASIL. REM: Revista Escola de Minas 54 (2), 121-126. DOI: 10.1590/S0370-44672001000200008

Lave, R., Wilson, M. W., Barron, E. S., 2019. Intervenção: Geografia Física Crítica. Espaço Aberto Aberto, PPGG – UFRJ [Online] 9, 77-94 DOI: 10.36403/espacoaberto.2019.25397

Leite, A. F., 2019. Estruturas hidráulicas, gestão dos recursos hídricos e desastres relacionados à água na região do baixo rio Paraíba do Sul (estado do Rio de Janeiro): Uma análise fundamentada no desastre deflagrado pela inundação de 2007. Ambientes – Revista de Geografia e Ecologia Política 1, 146-190.

Leopold, L. B., Wolman, M. G., Miller, J. P., 1964. Fluvial Process in Geomorphology, 1 ed. Freeman and Co, São Francisco.

Marçal, M. S., Brierley, G., Lima, R., 2017. Using geomorphic understanding of catchment-scale process relationships to support the management of river futures: Macaé basin, Brazil. Applied Geography 84, 23-41. DOI: 10.1016/j.apgeog.2017.04.00

Marçal, M. S., Lima, R. N. S., 2016. Abordagens conceituais contemporâneas na Geomorfologia Fluvial. Espaço Aberto, PPGG – UFRJ 6, 17-33. DOI: 10.36403/espacoaberto.2016.5236

Mollard, J. D., 1973. Air photo interpretation of fluvial features - In: Fluvial and Sedimentation. Research Council of Canada, 314-380.

Mould, S. A., Fryirs, K. A. & Howitt, R., 2018. Practicing sociogeomorphology: relationships and dialogue in river research and management. Society & Natural Resources 31, 106-120. DOI: 10.1080/08941920.2017.1382627

O'Brien, G. R., Wheaton, J. M., Fryirs, K., Macfarlane, W. W., Brierley, G., Whitehead, K., Gilbert, J., and Volk, C., 2019. Mapping valley bottom confinement at the network scale. Earth Surface Processes and Landforms 44 (9), 1828– 1845. DOI: 10.1002/esp.4615

Piegay, H., 2016. System approaches in fluvial geomorphology – In: Tools in Fluvial geomorphology, 2 ed. John Wiley & Sons, Nova Jersey. DOI: 10.1002/9781118648551.ch1

Reis, V. S., Alves, M. V., Miro, J. M. R., 2017. Caracterização morfométrica e dinâmica hídrica na bacia do rio Guaxindiba, São Francisco de Itabapoana/RJ. XVII Simpósio de Geografia Física Aplicada [Online] 1. Disponível: https://doi.org/10.20396/sbgfa.v1i2017.1838. Acesso: 13 jun. 2018.

Rinaldi, M., Gurnell A. M., González D. T., Bussettini, M., Hendriks, D., 2016. Classification and characterization of river morphology and hydrology to support management and restoration. Aquatic Sciences 78, 1-16. DOI: 10.1007/s00027-015-0438-z

Santos, R. C., 2019. Geomorfologia Fluvial do Rio São João (RJ): Processos, Ajustes e Mudanças. Dissertação (Mestrado). Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Santos, A. M.; Targa, M. S.; Batista, G. T.; Dias, N. W., 2012. Análise morfométrica das sub-bacias hidrográficas Perdizes e Fojo no município de Campos do Jordão, SP, Brasil. Revista Ambiente & Água [Online] 7. Disponível: http://dx.doi.org/10.4136/ambi-agua.945. Acesso: 8 jul. 2018.

Schumm, S. A., 2005. River Variability and Complexity, 1 ed. Cambridge University Press, Cambridge. DOI: 10.1017/CBO9781139165440

Silva, L. C., 2006. Reconfiguração do Norte Fluminense a partir dos anos 70: a chegada do petróleo e suas consequências na dinâmica de crescimento regional. Revista Plurais 1 (2), 160-178. ISSN: 2238-3751

Soares, L. S., Lopes, W. G. R., Castro, A. C. L., Araújo, G. M. C., 2016. Análise morfométrica e priorização de bacias hidrográficas como instrumento de planejamento ambiental integrado. Revista do Departamento de Geografia – USP 31, 82-100. DOI: 10.11606/rdg.v31i0.107715

Soffiati, A., 2009. Redução do impacto das cheias pelo manejo das águas na planície flúvio- marinha do norte fluminense. Agenda Social – PPGPS/UENF [Online] 3. Disponível: http://www.uenf.br/Uenf/Downloads/Agenda_Social_6859_1259057811.pdf. Acesso: 1 jun. 2018

Stevaux, J. C., Latrubesse, E. M., 2017. Geomorfologia Fluvial, 1 ed; Oficina dos Textos, São Paulo.

Wheaton, J. M., Fryirs, K. A., Brierley, G., Bangen, S. G., Bouwes, N., O’Brien, G., 2015. Geomorphic mapping and taxonomy of fluvial landforms. Geomorphology 248, 273-295. DOI: 10.1016/j.geomorph.2015.07.010




DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v13.4.p1886-1903

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License