Modificações da paisagem e expansão do cultivo de grãos em área de savana no estado do Amapá
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v15.5.p2463-2474Palavras-chave:
Agrícola, Savana, Transformações.Resumo
A cadeia produtiva das monoculturas dos grãos cresce cada vez mais em direção a região norte do país. Na Amazônia, esta pressão é exercida sobre as áreas de Floresta e de machas de Savana. O presente trabalho tem como objetivo analisar as modificações na paisagem em áreas de savana em um trecho da bacia hidrográfica do rio Pedreira, estado do Amapá. Utilizou-se dados de Imagens de satélite, com datas entre os anos de 1997 e 2020, classificando o uso e ocupação do solo. Utilizando a técnica de Classificação Supervisionada do plug-in Dzetsaka do SIG QGIS versão 3.10. Os resultados revelaram a perda de áreas de savana para atividades de cultivo de grãos. Para o ano de 1997, a classe savana ocupava 60,08% da área de estudo passando para 45,28% em 2020, enquanto que as áreas de cultivo de grãos representavam 0,89% da área de estudo em 1997, passaram a ocupar áreas de savana e apresentaram aumento significativo, ocupando 19,73% da área de estudo no ano de 2020, demonstrando mudança das atividades econômicas, sociais e ambientais da região, antes tendo predominantemente como principal atividade a agricultura familiar e criação bubalina ostensiva, passando a também apresentar áreas significativas de cultivo de grãos. Os resultados desse artigo podem subsidiar os planos de expansão do setor no estado com vistas a conciliar o desenvolvimento econômico e a preservação de áreas essenciais para o meio ambiente como é o caso das matas ciliares.
Palavras-chave: Agrícola, Savana, Transformações.
A grain expansion and modifications of savannah areas in a section of the Pedreira river hydrographic basin, Amapá state
A B S T R A C T
The production chain of grain monocultures grows increasingly towards the northern region of the country. In the Amazon, this pressure is exerted on the areas of Forest and Savannah bushes. The present work aims to analyze the changes in the landscape in savannah areas in a stretch of the Pedreira river basin, state of Amapá. Data from Satellite Images were used, with dates between 1997 and 2020, classifying land use and occupation. Using the Supervised Classification technique of the Dzetsaka plug-in of the GIS QGIS version 3.10. The results revealed the loss of savannah areas for grain cultivation activities. For the year 1997, the savanna class occupied 60.08% of the study area, increasing to 45.28% in 2020, while the grain cultivation areas represented 0.89% of the study area in 1997, they started to occupy savannah areas and showed a significant increase, occupying 19.73% of the study area in 2020, demonstrating a change in the region's economic, social and environmental activities, previously having predominantly family farming and ostensible buffalo breeding as the main activity, passing to also present significant areas of grain cultivation. The results of this article can support the expansion plans of the sector in the state with a view to reconciling economic development and the preservation of essential areas for the environment, such as riparian forests.
Keywords: Agricultural, Savannah, Transformations.
Downloads
Referências
Alencar, A., Z Shimbo, J., Lenti, F., Balzani Marques, C., Zimbres, B., Rosa, M., ... & Barroso, M. (2020). Mapping three decades of changes in the brazilian savanna native vegetation using landsat data processed in the google earth engine platform. Remote Sensing, 12(6), 924.
Bond, 2016. Ancient grasslands at risk. Science, 351 (2016), pp. 120-122 http://dx.doi.org/10.1126/science.aad5132
Carvalho, W. D., & Mustin, K. (2017). The highly threatened and little known Amazonian savannahs. Nature Ecology & Evolution, 1(4), 1-3.
Castro, G. S. A., & Alves, L. W. R. (2014). Cerrado amapaense: estado da arte da produção de grãos. Embrapa Amapá-Documentos (INFOTECA-E).
Chavez Jr, P. S. (1988). An improved dark-object subtraction technique for atmospheric scattering correction of multispectral data. Remote sensing of environment, 24(3), 459-479.
Costa, L.D.N. (2014). Caracterização do cerrado amapaense quanto aos diferentes modos de uso: um estudo de caso da agrícola cerrado, visando o desenvolvimento agrícola sustentável. Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional) – Departamento de Pós-Graduação, Universidade Federal do Amapá, Macapá.
Costa, M., & Agostinho, F. (2018). Avaliação da sustentabilidade do avanço do agronegócio no Cerrado Brasileiro. In 4315 7th International Workshop. Advances in cleaner production–academic work. Barranquilla, Colombia, June 21st and 22nd.
Costa-Neto, S. V. (2014). Fitofisionomia e florística de savanas do Amapá (Doctoral dissertation, PhD thesis, Belém: Universidade Federal Rural da Amazônia).
CPTEC. Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos. Condições Atuais dos Enos: Fase Neutra. 2021. Disponível em: http://enos.cptec.inpe.br/tab_elnino.shtml. Acesso em: 02.jun. 2021.
CPTEC. Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos. Ocorrência de El Niño. 2010. Disponível em: http://enos.cptec.inpe.br/tab_elnino.shtml. Acesso em: jun. 2021.
Drummond, J. A., de Castro Dias, T. C. A., & Brito, D. M. C. (2008). Atlas [das] Unidades de Conservação do Estado do Amapá. IBAMA/ICMBio.
EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Alternativa ao uso do fogo na agricultura e as etapas para o planejamento de uma queimada controlada. 2015. Disponível em: http: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/2471085/alternativas-ao-uso-do-fogo-na-agricultura-e-as-etapas-para-planejamento-de-uma-queimada-controlada. Acesso em: jun. 2021.
Fernandes, GW, Coelho, MS, Machado, RB, Ferreira, ME, Aguiar, LDS, Dirzo, R., ... & Lopes, CR (2016). Afforestation of savannas: an impending ecological disaster. Ecology and conservation. vol. 14. Issue 2. pages 146-151.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Sistema IBGE de Recuperação Automática. Banco de Dados Agregados. Dados de previsão de safra: produção - unidade da Federação: Amapá – maio 2021. [Rio de Janeiro, 2021]. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/lspa/tabelas. Acesso em: jun. 2021.
IBGE. 2012. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Informações ambientais. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/geociencias/downloads-geociencias.html. Acesso em: jan. 2022.
IEPA. Instituto de Pesquisas Cientificas e Tecnologias do Estado do Amapá. Zoneamento Econômico Ecológico. Macrodiagnóstico do Estado do Amapá: primeira aproximação do ZEE. Macapá: GEA/IEPA, 2008. 140 p.
IEPA. Instituto de Pesquisas Cientificas e Tecnologias do Estado do Amapá. Zoneamento Socioambiental do Cerrado do Estado do Amapá. Macapá: GEA/IEPA, 2016. 78 p.
INPE. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Satélites da série LANDSAT. Disponível em: http: www.dgi.inpe.br/Suporte/files/Cameras-Landsat_PT.php. Acesso em: jun. 2021.
Joly, C. A., Scarano, F. R., Bustamante, M., Gadda, T. M. C., Metzger, J. P. W., Seixas, C. S., ... & Santos, I. L. D. (2019). Brazilian assessment on biodiversity and ecosystem services: summary for policy makers. Biota Neotropica, 19.
Lameira, A. M. T.; Silva Júnior, O. M. (2020). Apropriação e usos do cerrado amapaense e a expansão da monocultura da soja, nos municípios de Itaubal e de Macapá. In: Christian Nunes da Silva; Gilberto de Miranda Rocha; João Marcio Palheta da Silva. (Org.). O espaço Geográfico Amazônico em Debate: Dinâmicas Territoriais e ambientais. 1 ed. Belém: GAPTA/UFPA, v.1, p. 273-290.
Landis, J. R., & Koch, G. G. (1977). A medição da concordância do observador para dados por categoria. Biometrics, 33, 159-74.
Lehmann, C. E., Anderson, T. M., Sankaran, M., Higgins, S. I., Archibald, S., Hoffmann, W. A., ... & Bond, W. J. (2014). Savanna vegetation-fire-climate relationships differ among continents. Science, 343(6170), 548-552.
Matos, D. C. L.; Ferreira, L. V.; Costa Neto S. V.; Silva Júnior, O. M.; Coelho, E. P. S. O.; Viero Neto, A.; Pereira, J. L. G. (2020). A representatividade do atual sistema de áreas protegidas do Amapá à conservação da biodiversidade: A lacuna de proteção das savanas. In: Áreas protegidas: Diferentes abordagens na Amazônia Legal. 1 ed. Belém: GAPTA/UFPA, v.1, p. 45-74.
Miranda IS, ABSY ML. (2000) Fisionomias das Savanas de Roraima, Brasil. Acta Amazonica 30:423-440
Mustin, K., Carvalho, W. D., Hilário, R. R., Costa-Neto, S. V., Silva, C., Vasconcelos, I. M., ... & Toledo, J. J. (2017). Biodiversity, threats and conservation challenges in the Cerrado of Amapá, an Amazonian savanna. Nature Conservation, 22, 107.
Pavanelli, J. A. P., Xaud, M. R., Xaud, H. A. M., dos SANTOS, J. R., & Galvão, L. S. (2014). Dinâmica do uso e cobertura da terra na região de transição entre floresta e savana no estado de Roraima. In Embrapa Roraima-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: Seminário de Atualização em Sensoriamento Remoto e Sistemas de Informações Geográficas Aplicados à Engenharia Florestal, 11., 2014, Curitiba. Anais... Curitiba, 2014.
Pires, MO (2020). 'Cerrado', antigas e novas fronteiras agrícolas. Revista Brasileira de Ciência Política, 14.
Ribeiro, J. F., & Walter, B. M. T. (1998). Fitofisionomias do bioma Cerrado. Embrapa Cerrados-Capítulo em livro científico (ALICE).
Rocha, M. I. S., & Nascimento, D. T. F. (2021). Distribuição espaço-temporal das queimadas no bioma Cerrado (1999/2018) e sua ocorrência conforme os diferentes tipos de cobertura e uso do solo. Revista Brasileira de Geografia Física, 14(03), 1220-1235.
Silva, C. M. D. (2018). Between Fenix And Ceres: the great acceleration and the agricultural frontier in the Brazilian Cerrado. Varia Historia, 34, 409-444.
Silva Júnior, O. M., Paiva, P. F. P., do Nascimento, A. D. N. T., Braga, T. G., & Baia, M. M. (2021). Análise dos Focos de Calor no Estado do Amapá Entre os Anos de 2017 a 2020. Revista Ibero-Americana de Ciências Ambientais, 12(9).
Tavares, J. P. N. (2014). Características da climatologia de Macapá-AP. Caminhos de geografia, 15(50).
Veldman et al., 2015a. JW Veldman, E. Buisson, G. Durigan, et al. Em direção a um conceito antigo para pastagens, savanas e florestas. Eco Environ., 13 (2015), pp. 154-162.
Veldman et al., 2015b. JW Veldman, GE Overbeck, D. Negreiros, et ai. Onde o plantio de árvores e a expansão florestal são ruins para a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos. BioScience, XX (2015), pp. 1-8.
Yokomizo, G. K. I., & do Nascimento Costa, L. (2016). O uso do cerrado amapaense e os recursos vegetais. DRd-Desenvolvimento Regional em debate, 6(3), 164-177.
ZEE. Zoneamento Econômico Ecológico. (2008). Macrodiagnóstico do Estado do Amapá: primeira aproximação do ZEE. Macapá: GEA/IEPA, 140 p.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2022 Jhonatan Moraes, Zenaide Miranda, Danusa Machado, Orleno Silva Junior, Maxwell Baia

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






