Morfologia e Hidrodinâmica de Confluência Fluvial em Leito Rochoso: Estudo de Campo no Planalto Basáltico, Paraná
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.3.p2141-2156Palavras-chave:
Geomorfologia Fluvial, rios de leito rochoso, ângulo de junção fluvial.Resumo
O presente artigo apresenta os resultados de investigação da morfologia e hidrodinâmica de uma confluência fluvial em ângulo reto e com leito rochoso, inserida sobre basaltos do Grupo Serra Geral, no estado do Paraná. As variáveis morfológicas e hidráulicas, de largura, declividade do leito, profundidade média e vazão em margens plenas no canal principal e tributário foram mensuradas em campo. Os resultados indicaram que o trecho final do tributário é encaixado em lineamento estrutural, e sua entrada no rio principal, direcionada o fluxo para a margem oposta, que modifica a dinâmica dos fluxos na confluência, criando uma distribuição específica de zonas de erosão e sedimentação. A montante da junção ocorre alargamento do canal principal na medida em que se aproxima da confluência, além de escavamento do leito. Um controle (neo)tectônico (basculamento de bloco) favorece a incisão vertical e a diminuição da largura a jusante da confluência.
Downloads
Referências
Bagnold, R. A. (1960). Sediment discharge and stream power: a preliminary announcement. U.S. Geological Survey Circular, 421. https://doi.org/10.3133/cir421
Bagnold, R. A. (1977). Bed load transport by natural rivers. Water Resources Research, 13, 303-312. https://doi.org/10.1029/WR013i002p00303
Bagnold, R. A. (1980). An empirical correlation of bedload transport rates in flumes and natural rivers. Proceedings of the Royal Society of London, A, 372, 453-473. https://doi.org/10.1098/rspa.1980.0122
Best, J. L. (1986). The morphology of river channel confluences. Progress in Physical Geography, 10, 157–174. https://doi.org/10.1177/03091333860100020
Binda, A. L. (2009). A influência de detritos lenhosos na morfologia e na sedimentologia de leito no rio Guabiroba, Guarapuava-PR. [Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste]. https://tede.unioeste.br/handle/tede/1164
Bortolatto, F., & Vestena, L. R. (2020). Hydrosedimentological dynamics in the Guabiroba river catchment, Guarapuava, Paraná. Geociências, 39(4), 1059–1067. https://doi.org/10.5016/geociencias.v39i04.15099
Bull, W. B. (1979). Threshold of critical power in streams. Geological Society of America Bulletin, 90(5), 453-464. Acesso em 18 de março de 2024. Disponível: https://doi.org/10.1130/0016-7606(1979)90<453:TOCPIS>2.0.CO;2
Cunha, S. B., & Guerra, A. J. T. (1996). Geomorfologia: Exercícios, técnicas e aplicações. Rio de Janeiro, RJ: Bertrand Brasil. https://doi.org/10.1590/S0102-311X1995000200022
Cunha, M. C. (2016). Processos hidrológicos subsuperficiais influenciados por cortes de estradas não pavimentadas (Tese de Doutorado). Universidade Federal do Paraná, Setor de Ciências da Terra, Programa de Pós-Graduação em Geografia. Curitiba, PR. Acesso em 10 de março de 2024. Disponível: https://hdl.handle.net/1884/43229
Christofoletti, A. (1981). Geomorfologia Fluvial. São Paulo: Edgard Blücher. Acesso em 03 de março de 2024. Disponível: https://www.academia.edu/42262596/Geomorfologia_Antonio_Christofoletti
Dos Santos, V. C., & Stevaux, J. C. (2017). Processos Fluviais e Morfologia em Confluências de Canais: Uma Revisão. Revista Brasileira de Geomorfologia, 18(1), 3-17. https://doi.org/10.20502/rbg.v18i1.1042
Dos Santos, V., Stevaux, J. C., & Szupiany, R. N. (2022). Confluence analysis at basin scale in a tropical bedrock river – The Ivaí River, Southern Brazil. Journal of South American Earth Sciences, 116. https://doi.org/10.1016/j.jsames.2022.103877
Dingman, L., Sharma, S., & Sharma, K. P. (1997). Statistical development and validation of discharge equations for natural channels. Journal of Hydrology, 199(1-2), 13-35. https://doi.org/10.1016/S0022-694(96)03313-6
Ettema, R. (2008). Management of Confluences. In River Confluences, Tributaries and the Fluvial Network (pp. 93-118). John Wiley & Sons, Ltd. https://doi.org/10.1002/9780470760383.ch6
Ferguson, R. I. (1986). Hydraulics and hydraulic geometry. Progress in Physical Geography, 10, 1-31. https://doi.org/10.1177/030913338601000101
Fernandez, O. V. Q. (2004). Relações da geometria hidráulica em nível de margens plenas nos córregos de Marechal Cândido Rondon, região oeste do Paraná. Geosul, 19(37), 115-134. Acesso em 02 de março de 2024. Disponível: https://periodicos.ufsc.br/index.php/geosul/article/view/13562
Frank, H. T., Gomes, M. E. B., & Formoso, M. L. L. (2009). Review of the areal extent and the volume of the Serra Geral Formation, Paraná Basin, South America. Pesquisas Em Geociências, 36(1), 49–57. https://doi.org/10.22456/1807-9806.17874
Gualtieri, C., Ianniruberto, M., & Filizola, N. (2019). On the mixing of rivers with a difference in density: The case of the Negro/Solimões confluence, Brazil. Journal of Hydrology, 578. https://doi.org/10.1016/J.JHYDROL.2019.124029
Hancock, G. S., Anderson, R. S., & Whipple, K. X. (1998). Beyond power: Bedrock river incision process and form. In K. J. Tinkler & E. E. Wohl (Eds.), Rivers Over Rock: Fluvial Processes in Bedrock Channels, 1998 (pp. 35-60). (Geophysical Monograph Series; Vol. 107). Washington, DC: American Geophysical Union. https://doi.org/10.1029/GM107p0035
Inoue, T., Izumi, N., Shimizu, Y., & Parker, G. (2014). Interaction among alluvial cover, bed roughness, and incision rate in purely bedrock and alluvial‐bedrock channel. Journal of Geophysical Research: Earth Surface, 119(10), 2123–21461. DOI: https://doi.org/10.1002/2014JF003133
Kominecki, A., & Vestena, L. R. (2021). Morfologia de confluência fluvial de ângulo agudo em área de controle geológico, Guarapuava, Paraná. Brazilian Journal of Development, 7(1), 8000-8018. https://doi.org/10.34117/bjdv7n1-543
Lima, A. G. (2009). Controle geológico e hidráulico na morfologia do perfil longitudinal em rio sobre rochas vulcânicas básicas da Formação Serra Geral no Estado do Paraná (Tese de doutorado em geografia). Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. Acesso em 05 de fevereiro de 2024. Disponível: http://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/92611
Lima, A. G. (2010). Rios de leito rochoso: aspectos geomorfológicos fundamentais. Ambiência, 6(2), 339-354. Acesso em 23 de fevereiro de 2024. Disponível: https://revistas.unicentro.br/index.php/ambiencia/article/view/1039
Lima, A. G. (2023). Rios de leito rochoso: dos processos à paisagem, e de volta. In L. R. F. da Costa (Org.), Geociências: entraves, lacunas profissionais e pesquisa 3 (1ª ed., pp. 18-37). Ponta Grossa: Atena. https://doi.org/10.22533/at.ed.036230808
Lima., A., G., Pelegrina, M. A., & Pontarolo, M. (2021). Fracture variability in basalts and its effect on river erosion: a case study in the Paraná volcanic province. Earth Sciences Research Journal, 25(1), 13-20. https://doi.org/10.15446/esrj.v25n1.74167
Luz, L. D., Szupeł, R. N., Parolin, M., Silva, A., & Stevaux, J. C. (2020). Obtuse-angle vs. confluent sharp meander bends: insights from the Paraguay-Cuiabá confluence in the tropical Pantanal wetlands, Brazil. Geomorphology, 348, 1-14. https://doi.org/10.1016/j.geomorph.2019.106907
Marinho, R. R., Furtado, A. R., Dos Santos, V. C., Nascimento, A. Z. A., & Filizola Junior, N. P. (2022). Riverbed morphology and hydrodynamics in the confluence of complex mega rivers - A study in the Branco and Negro rivers, Amazon basin. Journal of South American Earth Sciences, 118. https://doi.org/10.1016/j.jsames.2022.103969
Mosley, M. P. (1976). An experimental study of channel confluences. Journal of Geology, 84, 535–562. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/30066212. Acesso em 12 de janeiro de 2024.
Montgomery, D. R., & Gran, K. B. (2001). Downstream variations in the width of bedrock channels. Water Resources Research, 37, 1841-1846. https://doi.org/10.1029/2000WR900393
Nardy, A. J. R., Piccirillo, E. M., Comin-Chiaramonti, P., Melfi, A. J., & Bellieni, G. (1993). Caracterização litoquímica e aspectos petrológicos de rochas vulcânicas da Formação Serra Geral: região centro-sul do Estado do Paraná. Geociências (São Paulo), 12(2), 275-313. Acesso em 12 de março de 2024. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/64432
Nardy, A. J. R. (1995). Geologia e Petrologia do Vulcanismo Mesozoico da Região Central da Bacia do Paraná (Tese de doutorado em Geociências). Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista. Acesso em 02 de janeiro de 2024. Disponível em: https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/6166/antonio-jose-ranalli-nardy
Orfeo, O., Stevaux, J., Best, J., Parsons, D., & Szupiany, R. (2023). The Paraná River in the Argentine plain: A review of its evolution and contemporary characteristics. Journal of South American Earth Sciences, 121. https://doi.org/10.1016/j.jsames.2022.104115
Reis, G. S., Mizusaki, A. M., Roisenberg, A., & Rubert, R. R. (2014). Formação Serra Geral (Cretáceo da Bacia do Paraná): um análogo para os reservatórios ígneo-básicos da margem continental brasileira. Pesquisas em Geociências, 41(2), 155-168. https://doi.org/10.22456/1807-9806.78093
Renne, P., Ernesto, M., Pacca, I. G., Coe, R. S., Glen, J. M., Prévot, M. & Perrin, M. (1992). A idade do vulcanismo de inundação do Paraná, o rifteamento do Gondwana e o limite Jurássico-Cretáceo. Science, 256(5057), 975-979. https://doi.org/10.1126/258.5084.97
Richards, K. S. (1980). Anote on change in geometry at tributary junctions. Water Resources Research, 16, 241-244. https://doi.org/10.1029/WR016i001p00241
Rhoads, B. L. (1987). Stream power terminology. Professional Geographer, 39(2), 189-195. https://doi.org/10.1111/j.0033-0124.1987.00189.x
Siqueira, L. F., & Filizola, N. P. (2021). Estudo hidrológico do efeito de barramento hidráulico no rio Tarumã-Açu, Manaus-AM. Revista Brasileira de Geomorfologia, 22(2), 315-335. https://doi.org/10.20502/rbg.v22i2.1752
Stock, J. D., & Montgomery, D. R. (1999). Geologic constraints on bedrock river incision using the stream power law. Journal of Geophysical Research: Solid Earth, 104(B3), 4983–4993. https://doi.org/10.1029/98JB02139
Strahler, A. N. (1957). Quantitative analysis of watershed geomorphology. Transactions, American Geophysical Union, 38(6), 913-920. https://doi.org/10.1029/TR038i006p00913
Thomaz, E. L. & Vestena, L. R. (2003). Aspectos Climáticos de Guarapuava-PR. Guarapuava: UNICENTRO. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/352062064_Livro-Aspectos-climaticos-de-Guarapuava_PR. Acesso em 02 de janeiro de 2024.
Tinkler, K. J., & Wohl, E. E. (1998). A primer on bedrock channels. In: Tinkler, K. J., & Wohl, E. E. (Eds.), Rivers over rock: Fluvial processes in bedrock channels (pp. 1-18). Washington, DC: American Geophysical Union. (Geophysical Monograph 107). https://doi.org/10.1029/GM107p0001
Vestena, L. R., Bertotti, L. G., & Gardim, J. C. (2004). Uso da terra da bacia hidrográfica do rio das Pedras. In: Battistelli, M., Camargo Filho, M., & Heerdt, B. (Orgs.), Proteção e Manejo da Bacia do rio das Pedras (1ª ed., Vol. 1, pp. 100-108). Guarapuava: Editora B & D Ltda. Acesso em 16 de janeiro de 2024. Disponível em: https://www3.unicentro.br/labhidro/en/publications/
Vestena, R. L., & Thomaz, E. L. (2006). Avaliação de conflitos entre áreas de preservação permanente associadas aos cursos fluviais e uso da terra na bacia do rio das Pedras, Guarapuava-PR. Revista Ambiência, 2, 73-85. Acesso em 28 de abril de 2024. Disponível em: https://revistas.unicentro.br/index.php/ambiencia/article/view/362
Vestena, L. R., Oliveira, E. D., Cunha, M. C. & Thomaz, E. L. (2012). Vazão ecológica e disponibilidade hídrica na bacia das Pedras, Guarapuava-PR. Ambi-Água, 7(3), 212-227. https://doi.org/10.4136/ambi-agua.840
Vestena, L. R., & Kominecki, A. (2021). Hidrogeomorfologia em confluência fluvial obtusa, Guarapuava, Paraná. Revista Brasileira de Geografia Física, 14(4), 2131–2148. https://doi.org/10.26848/rbgf.v14.4.p2131-2148
Zhang, T., Feng, M., & Chen, K. (2020). Hydrodynamic characteristics and channel morphodynamics at a large asymmetrical confluence with a high sediment-load main channel. Geomorphology, 356. https://doi.org/10.1016/j.geomorph.2020.107066
Wang, Z. Y., Lee, J. H. W., & Melching, C. S. (2015). Basic Concepts and Management Issues of Rivers. In River Dynamics and Integrated River Management (pp. 5–52). Springer, Berlin, Heidelberg. https://doi.org/10.1007/978-3-642-25652-3
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Alessandro Kominecki, Leandro Redin Vestena, Adalto Gonçalves de Lima

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






