Migrações na Comunidade Campesina de Phinaya, Cordilheira Vilcanota, Peru
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.2.p1212-1246Palavras-chave:
Geleiras tropicais, Impacto das mudanças climáticas, Migração interna, Vulnerabilidade, SociocriosferaResumo
O artigo investigou a ocorrência de migrações ambientais na comunidade de Phinaya, Cordilheira Vilcanota, Peru, nas últimas décadas. A metodologia foi estruturada em três etapas: primeiro, foi realizado o mapeamento dos recursos hídricos. Posteriormente, foram realizadas entrevistas semiestruturadas e observação de campo para reconhecer diferentes percepções sobre migrações, mudanças ambientais e estratégias de adaptação. Finalmente, por meio da determinação e aplicação de critérios para definir a migração ambiental, foi verificada a hipótese de que as mudanças no ambiente atuam como fatores para a migração de pessoas de Phinaya nas últimas décadas. O mapeamento foi relevante para dar suporte às discussões sobre como os entrevistados percebem o ambiente e suas mudanças recentes. Os entrevistados apontaram que os deslocamentos populacionais são um problema atual na comunidade, intensificado há aproximadamente 10 anos, sendo as principais cidades de destino dos migrantes Sicuani, Cusco, Arequipa e Puno. Os principais impulsionadores das migrações recentes citados foram: condições climáticas extremas, diminuição do rendimento da produção de alpaca, educação que não prepara para a vida rural e falta de acesso a meios de comunicação e eletricidade. Questões políticas, econômicas e/ou sociais também foram apontadas como responsáveis por causar os deslocamentos. As migrações são apontadas como um problema para a comunidade, e relacionadas à descontinuidade do modo de vida, envelhecimento populacional e perda da capacidade produtiva das famílias. O despovoamento causa preocupação por vários motivos, principalmente porque pode significar o início das atividades de mineração e, consequentemente, o aumento de conflitos, violência, empobrecimento e degradação ambiental.
Downloads
Referências
AGRORURAL. (2020). Construcción de cobertizos en zonas altoandinas viene protegiendo a 235.300 cabezas de ganado. Recuperado de https://www.agrorural.gob.pe/minagri-construccion-de-cobertizos-en-zonas-altoandinas-viene-protegiendo-a-235-300-cabezas-de-ganado/. Acesso em 27 de setembro de 2022.
Aguilar, A. S. (2015). Migraciones Internas en el Perú. Lima: Organización Internacional para las Migraciones. Recuperado de http://www.oimperu.org/sitehome/sites/default/files/Documentos/Migraciones_Internas.pdf. Acesso em 27 de setembro de 2022.
Altamirano, T. (2014). Refugiados ambientales: cambio climático y migración forzada. Fondo Editorial de la Pontificia Universidad Católica del Perú.
Angrosino, M. (2009). Etnografia e observação participante (J. Fonseca, Trad.). Porto Alegre: Artmed.
Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70.
Bates, D. C. (2002). Environmental refugees? Classifying human migrations caused by environmental change. Population and Environment, 23(5), 465-477. Recuperado de https://www.jstor.org/stable/27503806. Acesso em 8 de junho de 2021.
BIOANDES. (2009). Agenda comunal Comunidad Campesina de Phinaya. Programa BioAndes.
Cai, W., Borlace, S., Lengaigne, M., van Rensch, P., Collins, M., & Vecchi, G. (2014). Increasing frequency of extreme El Niño events due to greenhouse warming. Nature Climate Change, 4, 111-116. Recuperado de https://doi.org/10.1038/nclimate2100. Acesso em 27 de setembro de 2022.
Chirinos, C. E. B. (2019). Cuantificación de la alteración hidrológica en la cuenca del río Vilcanota para el periodo 1965-2016 (Dissertação de mestrado). Universidad Nacional Agraria la Molina. Recuperado de https://repositorio.lamolina.edu.pe/handle/UNALM/3999. Acesso em 22 de junho de 2021.
Estrada, A., & Moscoso, J. (2014). Plan de gestión de las praderas naturales de la Comunidad de Phinaya en un escenario de cambio climático. Cusco: CBC.
Figueiredo, A. R. (2021). Sociocriosfera andina: etnoconhecimento ancestral e ruptura pós-colonial nos Andes Centrais (Tese de doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Recuperado de https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/226139. Acesso em 4 de outubro de 2022.
Flores, A., Kancha, K., Minan, F., Romero, G., & Damonte, G. (2011). Impactos de la variabilidad y cambio climático en los sistemas productivos rurales y en las condiciones de vida y desarrollo campesino – una visión desde la población rural de Cusco. PACC Perú [Serie: Estudios regionales en Apurímac y Cusco]. Recuperado de https://issuu.com/paC.C._peru/docs/erc-003/126. Acesso em 3 de junho de 2021.
Gray, C., & Bilsborrow, R. (2013). Environmental Influences on Human Migration in Rural Ecuador. Demography, 50, 1217-1241. Recuperado de https://doi.org/10.1007/s13524-012-0192-y. Acesso em 3 de junho de 2021.
Haesbaert, R. (2004). Dos múltiplos territórios à multiterritorialidade. Recuperado de https://www.ufrgs.br/petgea/Artigo/rh.pdf. Acesso em 23 de novembro de 2020.
Hanshaw, M. N., & Bookhagen, B. (2014). Glacial areas, lake areas, and snow lines from 1975 to 2012: status of the Cordillera Vilcanota, including the Quelccaya Ice Cap, northern central Andes, Peru. The Cryosphere, 8, 359-376. Recuperado de https://www.the-cryosphere.net/8/359/2014/. Acesso em 2 de junho de 2021.
Hosmer-Quint, S. (2020). La Relación entre Cambio Climático y Migración en los Andes de Perú: Los Q’ero, Taquile y la Cordillera Blanca. Independent Study Project (ISP) Collection. Recuperado de https://digitalcollections.sit.edu/isp_collection/3335. Acesso em 23 de junho de 2021.
INAIGEM – Instituto Nacional de Investigación en Glaciares y Ecosistemas de Montaña. (2018). Inventario Nacional de Glaciares: las Cordilleras Glaciares del Perú. Huaraz: Instituto Nacional de Investigación En Glaciares y Ecosistemas de Montaña. Recuperado de http://sigrid.cenepred.gob.pe/sigridv3/storage/biblioteca//5176_inventario-nacional-de-glaciares-las-cordilleras-glaciares-del-peru.pdf. Acesso em 14 de maio de 2020.
INEI – Instituto Nacional de Estadística e Informática. (2018). Directorio de comunidades nativas e campesinas. Tomo 2. Recuperado de https://www.inei.gob.pe/media/MenuRecursivo/publicaciones_digitales/Est/Lib1597/TOMO_02.pdf. Acesso em 14 de dezembro de 2020.
IOM – International Organization for Migration. (2008). Migration, Development and Environment. Recuperado de http://publications.iom.int/system/files/pdf/mrs_35.pdf. Acesso em 6 de setembro de 2019.
IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change. (2019). Aquecimento Global de 1,5°C (M. A. R. Oliveira, Trad.). Brasília: MCTIC. Recuperado de https://www.ipcc.ch/site/assets/uploads/2019/07/SPM-Portuguese-version.pdf. Acesso em 27 de setembro de 2022.
Kaezing, R. (2015). Can glacial retreat lead to migration? A critical discussion of the impact of glacier shrinkage upon population mobility in the Bolivian Andes. Population and Environment, 36(4), 480-496. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s11111-014-0226-z. Acesso em: 23 jun. 2021.
Kaser, G., & Osmaston, O. (2002). Tropical Glaciers. Cambridge: Cambridge University Press.
Lavado, W., Fernandez, C., Vega, F., Caycho, T., Endara, S., Huerta, A., & Obando, O. (2016). PISCO: Peruvian interpolated data of the SENAMHI´s climatological and hydrological observations. Precipitación v1.0. Lima: SENAMHI.
Marjani, S., Alizadeh-Choobari, O., & Irannejad, P. (2019). Frequency of extreme El Niño and La Niña events under global warming. Climate Dynamics, 53, 5799–5813. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00382-019-04902-1. Acesso em: 23 ago. 2022.
Nobre, G. G., Muis, S., Veldkamp, T. I. E., & Ward, P. J. (2019). Achieving the reduction of disaster risk by better predicting impacts of El Niño and La Niña. Progress in Disaster Science, 2. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.pdisas.2019.100022. Acesso em: 23 ago. 2022.
ONU – Organização das Nações Unidas. (2015). Acordo de Paris. Disponível em: https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2016/04/Acordo-de-Paris.pdf. Acesso em: 06 set. 2019.
Perry, L. B., Seimon, A., & Kelly, G. M. (2014). Precipitation delivery in the tropical high Andes of southern Peru: New findings and paleoclimatic implications. Journal of Climatology, 34, 197-215. Disponível em: https://doi.org/10.1002/joc.3679. Acesso em: 27 set. 2022.
Porto-Gonçalves, C. W. (2006). A reinvenção dos territórios: a experiência latino-americana e caribenha. Em CLACSO, Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (Ed.), Los desafíos de las emancipaciones en un contexto militarizado (pp. 1-18). Buenos Aires: CLACSO. Disponível em: http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/gt/20101019090853/6Goncalves.pdf. Acesso em: 23 nov. 2020.
Ramos, E. P. (2011). Refugiados ambientais: em busca de reconhecimento pelo direito internacional (Tese de doutorado). Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, São Paulo. Disponível em: https://www.acnur.org/fileadmin/Documentos/portugues/eventos/Refugiados_Ambientais.pdf. Acesso em: 08 jun. 2021.
Salzmann, N., Rohrer, M., Huggel, C., & Silverio, W. (2013). Glacier changes and climate trends derived from multiple sources in the data-scarce Cordillera Vilcanota region, Southern Peruvian Andes. The Cryosphere, 7, 103–118. Disponível em: https://doi.org/10.5194/tc-7-103-2013. Acesso em: 03 jun. 2021.
Schoolmeester, T., Johansen, K. S., Alfthan, B., Baker, E., Hesping, M., & Verbist, K. (2018). Atlas de Glaciares y Aguas Andinos: El impacto del retroceso de los glaciares sobre los recursos hídricos. Arendal: UNESCO e GRID-Arendal. Disponível em https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000266209. Acesso em 14 maio 2020.
Servicio Nacional de Meteorología e Hidrología del Perú (SENAMHI). (1988). Mapa de clasificación climática del Perú: Método de Thornthwaite. Lima: Servicio Nacional de Meteorología e Hidrología del Perú. Disponível em https://idesep.senamhi.gob.pe/geonetwork/srv/por/catalog.search;jsessionid=AB673E6D32DE4CE603184AE47CB60673#/metadata/d4518248-af56-4419-9b5d-b42de7dba471. Acesso em 11 jan. 2021.
Servicio Nacional de Meteorología e Hidrología del Perú (SENAMHI). (2021). Análisis del periodo de lluvias 2019-2020 a nivel nacional. Lima: Servicio Nacional de Meteorología e Hidrología del Perú. Disponível em https://hdl.handle.net/20.500.12542/475. Acesso em 23 ago. 2022.
Sendón, P. F. (2003). Cambio y continuidad en las formas de organización social de las poblaciones rurales del sur peruano. Debate Agrario, 36, 1–13.
Sistema de Información sobre Comunidades Campesinas del Perú (SICCAM). (2016). Directorio 2016 – Comunidades Campesinas del Perú. Disponível em http://www.ibcperu.org/wp-content/uploads/2017/06/DIRECTORIO-DE-COMUNIDADES-CAMPESINAS-DEL-PERU-2016.pdf. Acesso em 08 jun. 2021.
Takahashi, K., Montecinos, A., Goubanova, K. Y., & Dewitte, B. (2011). ENOS regimes: Reinterpreting the canonical and Modoki El Niño. Geophysical Research Letters, 38. Disponível em https://doi.org/10.1029/2011GL047364. Acesso em 23 ago. 2022.
Thompson, L. G., & Davis, M. E. (2014). An 1800-year ice core history of climate and environment in the Andes of southern Peru and its relationship with highland/lowland cultural oscillations. In F. Meddens, C. McEwan, K. Willis, & N. Branch (Eds.), Inca sacred space: Landscape, site and symbol in the Andes (pp. 181–198). London: Archetype Publications.
Tuan, Y. F. (2012). Topofilia: Um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente (L. de Oliveira, Trad.). Londrina: Eduel.
Unidad de Glaciología y Recursos Hídricos (UGRH). (2014). Inventario de Glaciares del Perú (2ª ed.). Huaraz: Autoridad Nacional del Agua (ANA). Disponível em http://ponce.sdsu.edu/INVENTARIO_GLACIARES_ANA.pdf. Acesso em 15 maio 2020.
Veettil, B. K., & Souza, S. F. (2017). Study of 40-year glacier retreat in the northern region of the Cordillera Vilcanota, Peru, using satellite images: Preliminary results. Remote Sensing Letters, 8(1), 78–85. Disponível em http://dx.doi.org/10.1080/2150704X.2016.123581. Acesso em 02 jun. 2021.
Villavicencio, L. M. M. (2020). Retrocesso dos glaciais e contribuição hídrica na Cordilheira Vilcanota do Peru (Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Disponível em https://www.researchgate.net/publication/343344560_RETROCESSO_DOS_GLACIAIS_E_CONTRIBUICAO_HIDRICA_NA_CORDILHEIRA_VILCANOTA_DO_PERU/link/5f60ebb54585154dbbd43ab1/download. Acesso em 27 set. 2022.
Wrathall, D. J., Bury, J., Carey, M., Mark, B., McKenzie, J., Young, K., Baraer, M., French, A., & Rampini, C. (2014). Migration amidst climate rigidity traps: Resource politics and social–ecological possibilism in Honduras and Peru. Annals of the Association of American Geographers, 104(5), 1–13. Disponível em https://doi.org/10.1080/00045608.2013.873326. Acesso em 27 set. 2022.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Rafaela Mattos Costa, Kátia Kellem da Rosa, Anderson Ribeiro de Figueiredo , Jefferson Cardia Simões

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






