Avaliação da Qualidade da Água em Ferry Boats na Travessia Icoaraci-Camará: Riscos Sanitários e Impactos Ambientais nos Estuários Paraenses
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v19.02.p968-978.Palavras-chave:
Amazônia; ferry boat; Qualidade de água; Poluição.Resumo
Nos estuários paraenses, ferry boats desempenham um papel essencial no transporte de passageiros e mercadorias devido à geomorfologia local, caracterizada por uma complexa rede de estuários e ilhas. Nesse cenário, a utilização de água de boa qualidade nas embarcações é fundamental para garantir o conforto dos passageiros e prevenir a disseminação de doenças, como diarreia e hepatite. Paralelamente, o lançamento de água tratada é indispensável para a preservação ambiental dos ecossistemas estuarinos. Este estudo avaliou a qualidade da água utilizada nos ferrys boats que operam na travessia entre Icoaraci (Belém) e o porto de Camará (Salvaterra). Amostras foram coletadas em três locais: P1 (poço do porto da Henvil), P2 (Baía do Guajará) e P3 (ferry boat São Gabriel), em 17 de setembro de 2022, durante a baixa-mar. As análises laboratoriais incluíram parâmetros físicos (cor, turbidez, temperatura, odor, sólidos em suspensão, condutividade elétrica), químicos (pH, alcalinidade, acidez, dureza, ferro, cloretos, oxigênio dissolvido, sólidos totais dissolvidos, sulfatos, nitrato, amônia, DBO e OG) e microbiológicos (coliformes totais e termotolerantes). Os resultados revelaram ausência de surfactantes (LAS) no poço, enquanto na Baía do Guajará o valor encontrado foi de 0,401 mg/L. Contudo, a bordo do ferry boat, a concentração de LAS foi significativamente elevada (9,070 mg/L), ultrapassando o limite médio permitido pela Resolução CONAMA n° 357 (0,500 mg/L). Assim, a qualidade da água nos três pontos avaliados mostrou-se comprometida, indicando a necessidade urgente de ações corretivas e mitigadoras.
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