Fragmentação da Vegetação Nativa e Mudanças no Uso e Cobertura do Solo na Baía Babitonga (SC), Brasil: Uma Análise Espaço-Temporal (1985–2022)
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v19.02.p672-688Keywords:
Forest fragmentation; mangrove; landscape metrics; ecological connectivity; land use and land cover.Abstract
A Baía Babitonga, localizada no litoral norte de Santa Catarina, tem vivenciado um processo intenso de urbanização e uso desordenado do solo, resultando em profundas alterações na paisagem natural. Este estudo teve como objetivo analisar a fragmentação florestal ocorrida entre os anos de 1985 e 2022, por meio da aplicação de métricas de paisagem sobre as classes de vegetação nativa — formação florestal e manguezal. A metodologia envolveu a reclassificação temática dos dados do projeto MapBiomas e o cálculo de métricas como área total, número de manchas, tamanho médio, borda e forma dos fragmentos, com apoio do software ArcGIS e da extensão Patch Analyst. Os resultados revelaram uma redução significativa na área total de vegetação nativa, sobretudo em função da expansão urbana (aumento de 276%), da rizicultura e da intensificação das pastagens. Além disso, verificou-se o aumento no número de fragmentos pequenos e a diminuição do tamanho médio, evidenciando intensificação dos efeitos de borda e comprometimento da conectividade ecológica. Embora a região conte com Unidades de Conservação, sua distribuição é desigual entre os municípios, e a área protegida ainda é limitada. Os resultados demonstram a urgência de estratégias de conservação e restauração que considerem a configuração espacial dos fragmentos e a criação de corredores ecológicos, sobretudo nos municípios com maior pressão urbana. Conclui-se que a paisagem florestal da Baía Babitonga apresenta elevada fragilidade ecológica, demandando políticas públicas integradas que conciliem planejamento territorial e conservação ambiental.
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