A EMERGÊNCIA DA EDUCAÇÃO ESCOLAR QUILOMBOLA NO CONTEXTO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS NO BRASIL

Autores/as

  • Delma Josefa da Silva Mestre em Educação PPGE. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Palabras clave:

Relações Étnico-Raciais, Currículo Quilombola, Africanidades

Resumen

O objetivo deste trabalho é discorrer sobre a emergência da Educação Escolar Quilombola no contexto da Lei 10.639/03, buscando compreender as práticas curriculares desenvolvidas em escola situada na comunidade quilombola de Conceição das Crioulas-PE, práticas estas referenciadas na LDB e na Resolução Nº 8, de 20 de novembro de 2012 que define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola. O trabalho toma por referencial a teoria crítica do currículo, as Africanidades Brasileiras em diálogo com os Estudos Pós-Coloniais de vertente Latino-Americana e as Epistemologias do Sul. O trabalho é de tipo etnográfico e utilizamos a técnica de análise de conteúdo para a análise dos dados. Enquanto resultados preliminares é possível afirmar que: i. o debate sobre currículo escolar quilombola está silenciado no GT 12- referente a currículo tanto na ANPEd, quanto no EPENN na década 2002-2011; ii. identidades culturais  e ancestralidade são experiências carregadas de sentidos em escolas quilombolas; iii.  diálogo da experiência  dos movimentos sociais negros com a escola imprime processos para assegurar direitos educacionais para quilombolas.

 

Citas

Referências

ANDRÉ, Marli Eliza D. A. Etnografia da Prática Escolar. 18ª ed. Campinas. SP. Papirus, 2012
ARROYO, Miguel. Currículo, território em disputa. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2013.

ARROYO, Miguel. Experiências de Inovação Educativa: o currículo na prática da escola. In: Currículo: Políticas e Práticas. MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa.(org.).Campinas. SP: Papirus.1999. (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico)

BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa. Edições 70, 1979.
BRASIL. Lei N°. 9.394, de 20 de Dezembro de 1996. (Institui a Lei de Diretrizes e Bases da Educação).
BRASIL. CNE/CEB. Resolução nº 8, de 21 de novembro de 2012. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola

BRASIL. Conselho Nacional de Educação / Câmara de Educação Básica. Resolução nº 08, de 20 de novembro de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 21 nov. 2012, p. 26.

CUNHA JR., Henrique. Afrodescendência e Africanidades Brasileiras: um dentre os diversos enfoque possíveis sobre população negra no Brasil. Revista Interfaces de Saberes n. 13 vol. 1. Caruaru, 2013.

CRUZ, Mariléia dos Santos. Uma abordagem sobre a História da Educação dos Negros. In: História da Educação do Negro e Outras Histórias. ROMÃO, Jeruse.(org.) MEC. SECADI: Brasília. 2005.

FANON, Frantz. Pele Negra, Máscaras Brancas. Salvador: EDUFBA, 2008.

GATTI, Bernadete Angelina, BARRETO, Elba Siqueira de Sá e ANDRÉ, Marli Eliza Dalmazo de Afonso. Políticas Docentes no Brasil: um estado da arte. Brasília. Unesco, 2011.

GOMES, Flávio dos Santos. Sonhando com a Terra, Construindo Cidadania. In. História da Cidadania no Brasil. PINSKY, Jaime. PINSKY,Carla Bessanezi. (org.) São Paulo: Contexto. 2003. p.447-467.

GOMES, Nilma Lino. A contribuição dos Negros para o Pensamento Educacional Brasileiro. In: SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves e; BARBOSA, Lucia Maria de Assunção (orgs.). O Pensamento Negro em Educação no Brasil. São Carlos: Ed. da UFSCar, 1997.

GONÇALVES, Luís Alberto. De Preto a Afro-descendente: da cor da pele à categoria científica. In: SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves e; BARBOSA, Lúcia Maria de Assunção Barbosa; SILVERIO, Valter Roberto (org.). De Preto a Afro-Descendente – Trajetos de pesquisa sobre cultura, Negro, Cultura Negra e Relações Étnico-raciais no Brasil. São Carlos: EdUFSCar, 2003.

GROSFOGUEL,Ramón. Para descolonizar os estudos de economia política e os estudos pós-coloniais: transmodernidade, pensamento de fronteira e colonialidade global. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (org.). Epistemologias do Sul. Cortez. São Paulo, 2010.

GROSFOGUEL, Ramón. Dilemas dos estudos étnicos norte-americanos: multiculturalismo identitário, colonização disciplinar e epistemologias descoloniais. Ciência e Cultura. São Paulo. v. 59, nº. 2, 2007, p. 32-35. (Tradução: Flávia Gouveia)

MIGNOLO, W. Cambiando las éticas y las políticas del conocimiento: La lógica de la colonialidad y postcolonialidad imperial. Conferencia Inaugural del Programa de Estudios Postcoloniales, en el Centro de Estudios Avanzados, de la Universidad de Coimbra, 2005.

MIGNOLO, W. Desobediência Epistêmica: a Opção Descolonial e o significado de Identidade Em Política. Cadernos de Letras da UFF – Dossiê: Literatura, língua e identidade, Rio de Janeiro, nº 34, 2008, p. 287-324.

MUNANGA, Kabengele. As facetas de um racismo silenciado. In: SCHWARTCZ, Lília; QUEIROZ, Renato da Silva (orgs.). Raça e Diversidade. São Paulo: Edusp, 1996.

NASCIMENTO, Abdias. Quilombismo: um conceito emergente do processo histórico-cultural da população Afro-brasileira. In: NASCIMENTO, Elisa Larkin. Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. São Paulo: Selo Negro, 2009. p.197-218.

OLIVEIRA, Lui Fernandes e CANDAU, Vera Maria. Pedagogia Decolonial e Educação Antirracista e Intercultural no Brasil. Educação em Revista. Belo Horizonte. v.26. nº. 01, p.15-40. abr.2010.

QUIJANO, A. Colonialidade do Poder, Eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (Org.). A Colonialidade do Saber: eurocentrismo e Ciências Sociais. 3. ed. Buenos Aires: CLACSO, 2005, p. 227-278.


QUIJANO, A. Colonialidad del poder y classificación social. In: CASTRO-GOMEZ, Santiago; GROSFOGUEL, Ramón. El giro decolonial: reflexões para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos y Pontifícia Universidad Javeriana. Instituto Pensar, 2007.
SACRISTÁN, Gimeno J. O Currículo: uma reflexão sobre a prática.Tradução Ernani F. da F. Rosa. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso Sobre as Ciências. 7. ed. São Paulo: Cortez, 2010.
SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (org.). Epistemologias do Sul. Cortez. São Paulo, 2010.
SANTOS, Boaventura de Sousa. A universidade do Século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da Universidade. São Paulo: Cortez, 2004.
SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. 2ª ed.- Rio de Janeiro: Record, 2001.
SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloisa Murgel.. Brasil: uma biografia. 1ª ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

SOUZA, João Francisco de. Prática Pedagógica e Formação de Professores. BATISTA NETO, José. SANTIAGO, Maria Eliete. (org.). Recife. Editora Universitaria da UFPE. 2009.

SILVA, Alexandro da. ALMEIDA, Lucinalva Andrade Ataíde de. SILVA, Rejane Dias da. Saberes da Experiência, formação de Professores e profissão docente: implicações e desafios para a prática pedagógica. In: FERREIRA, Andrea Tereza Brito, CRUZ, Shirleide Pereira da Silva (org.). Formação Continuada de Professores: reflexões sobre a prática. Recife. Editora Universitária da UFPE, 2010.

SILVA, Fatima Aparecida da. Frente Negra Pernambucana e sua proposta de educação para a população negra na ótica de um de seus fundadores: José Vicente Rodrigues Lima-Década de 1930. 2008. 125 f. Tese (Doutorado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação da UFC. Fortaleza 2008.

SILVA, Givânia Maria da.Educação como processo de luta política: a experiência de “educação diferenciada” do território quilombola de Conceição das Crioulas. 2012. 223p. Dissertação (Mestrado Educação)– UNB,Brasília,2012.

SILVA, Janssen Felipe da. ALMEIDA, Lucinalva Andrade Ataíde de. Política Permanente de Formação Continuada de Professores: entraves e possibilidades. In: FERREIRA, Andrea Tereza Brito, CRUZ, Shirleide Pereira da Silva (org.). Formação Continuada de Professores: reflexões sobre a prática. Recife. Editora Universitária da UFPE, 2010.

SILVA, Maria do Socorro. A Prática Pedagógica nas Escolas do Campo: a escola na vida e a vida como escola. 2009. 464f. Tese (Doutorado em Educação)-PPGE, UFPE, Recife, 2009
SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves e; BARBOSA, Lúcia Maria de Assunção Barbosa, SILVERIO, Valter Roberto (orgs.). De Preto a Afro-Descendente – Trajetos de pesquisa sobre relações étnico-raciais no Brasil. São Carlos, SP: EdUFSCar, 2003.
SILVA, Petronilha Beatriz Gonçalves. Aprendizagem e Ensino das Africanidaes Brasileiras. In: MUNANGA, Kabenguele (org.). Superando o Racismo na Escola. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, 2005.
SILVA, Tomaz Tadeu da.Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

WALSH, Catherine. Interculturalidad Critica y educación intercultural.In: VIAÑA, J. TAPIA, L. Construyendo Interculturalidade Crítica. Instituto Internacional de Integración Del Convenio Andrés Bello, La Paz, Bolívia, 2010, p. 75-96.

WALSH,Catherine. Interculturalidad Critica y pedagogía de-colonial: in-surgir, re-existir y revivir. UMSA. Revista “Entre palabras”, Humanidades y Ciencias de La Educación, Nº 3- Nº 4, La Paz, Bolivia, 2009, p. 129-156.

WALSH, C. La interculturalidad en la educación. Lima: Ministerio de Educación, 2005.

Publicado

2014-01-01