Algumas considerações sobre o raciocínio geográfico, a perspectiva decolonial e os multiletramentos
DOI:
https://doi.org/10.51359/2594-9616.2025.268448Palavras-chave:
pensamento geográfico, decolonialidade, práticas multiletradasResumo
A revolução crítica pela qual a Geografia e seu ensino passaram durante as décadas de 1970 e 1980 permitiu consolidar o entendimento de que ela deve estar comprometida com o desenvolvimento de uma forma peculiar de pensamento (ou raciocínio, à depender do autor), que permita aos sujeitos escolares a capacidade de estabelecer análises e interpretações complexas e críticas acerca da espacialidade dos fenômenos socioespaciais, de forma que eles não só descrevam a localização dos fatos e fenômenos, mas compreendam o porquê deles acontecerem em alguns lugares e não em outros. O objetivo do presente texto consiste em fazer um panorama a respeito do desenvolvimento desse conceito a partir das contribuições de importantes autores da Geografia brasileira e refletir a respeito das possibilidades de ampliação dessa estrutura a partir da perspectiva decolonial da Geografia Escolar, por meio de práticas multiletradas. Este trabalho se constitui como uma revisão bibliográfica sobre o pensamento/raciocínio geográfico, juntamente com uma proposição teórica a respeito das potencialidades do pensamento decolonial e das práticas multiletradas como forma de consolidar um pensamento geográfico cujos conceitos basilares, as representações e as linguagens permitam que as espacialidades e subjetividades dos grupos subalternizados coexistam com as hegemônicas. Desta forma, busca-se contribuir para a formação de sujeitos capazes de fazer uma leitura de mundo autônoma, a partir de quem são e de onde estão.
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