Algumas considerações sobre o raciocínio geográfico, a perspectiva decolonial e os multiletramentos
DOI:
https://doi.org/10.51359/2594-9616.2025.268448Parole chiave:
pensamento geográfico, decolonialidade, práticas multiletradasAbstract
A revolução crítica pela qual a Geografia e seu ensino passaram durante as décadas de 1970 e 1980 permitiu consolidar o entendimento de que ela deve estar comprometida com o desenvolvimento de uma forma peculiar de pensamento (ou raciocínio, à depender do autor), que permita aos sujeitos escolares a capacidade de estabelecer análises e interpretações complexas e críticas acerca da espacialidade dos fenômenos socioespaciais, de forma que eles não só descrevam a localização dos fatos e fenômenos, mas compreendam o porquê deles acontecerem em alguns lugares e não em outros. O objetivo do presente texto consiste em fazer um panorama a respeito do desenvolvimento desse conceito a partir das contribuições de importantes autores da Geografia brasileira e refletir a respeito das possibilidades de ampliação dessa estrutura a partir da perspectiva decolonial da Geografia Escolar, por meio de práticas multiletradas. Este trabalho se constitui como uma revisão bibliográfica sobre o pensamento/raciocínio geográfico, juntamente com uma proposição teórica a respeito das potencialidades do pensamento decolonial e das práticas multiletradas como forma de consolidar um pensamento geográfico cujos conceitos basilares, as representações e as linguagens permitam que as espacialidades e subjetividades dos grupos subalternizados coexistam com as hegemônicas. Desta forma, busca-se contribuir para a formação de sujeitos capazes de fazer uma leitura de mundo autônoma, a partir de quem são e de onde estão.
Riferimenti bibliografici
ALPERS, Svetlana. The art of describing: Dutch art in the seventeenth century. Chicago: University of Chicago Press, 1983.
BAKHTIN, Mikhail M. Estética da criação verbal. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011. 476 p. Introdução de Paulo Bezerra. Prefácio de Tzvetan Todorov.
BRUNHES, Jean. La géographie humaine. 3. ed. Paris: F. Alcan, 1934. [1910].
CALLAI, H. C. Estudar o lugar para compreender o mundo. In: CASTROGIOVANNI, A. C. (org.). Ensino de geografia: práticas e textualizações no cotidiano. 9. ed. Porto Alegre: Mediação, 2009.
CASTELLAR, Sonia Maria Vanzella; PEREIRA, Marcelo Garrido; DE PAULA, Igor Rafael. O pensamento espacial e raciocínio geográfico: considerações teórico-metodológicas a partir da experiência brasileira. Revista de Geografía Norte Grande, n. 81, p. 429-456, 2022. Tradução. Disponível em: https://doi.org/10.4067/S0718-34022022000100429. Acesso em: 3 jul. 2025.
CASTELLAR, Sonia Maria V.; DE PAULA, Igor Rafael. O papel do pensamento espacial na construção do raciocínio geográfico. Revista Brasileira de Educação em Geografia, v. 10, n. 19, p. 294-322, 2020. DOI: 10.46789/edugeo.v10i19.922. Disponível em: https://revistaedugeo.com.br/revistaedugeo/article/view/922. Acesso em: 3 jul. 2025.
CAVALCANTI, Lana de Souza. Pensar pela Geografia: ensino e relevância social. Goiânia: C&A Alfa Comunicação, 2019.
CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia e práticas de ensino. Goiânia: Alternativa, 2013.
CLAVAL, Paul. Épistémologie de la géographie. Paris: Armand Colin, 2001.
DOWNS, Roger. Maps and mapping as metaphors for spatial representations. In: PATTERSON, Arthur H.; LIBEN, Lynn S.; NEWCOMBE, Nora (ed.). Spatial representation and behavior across the life span: theory and application. New York: Academic Press, 1981.
FOUCHER, Michel. Lecionar a Geografia, apesar de tudo. In: VISENTINI, José W. (org.). Geografia e ensino: textos críticos. Campinas: Papirus, 1989.
GIROTTO, Eduardo D. Qual raciocínio? Qual geografia? Considerações sobre o raciocínio geográfico na Base Nacional Comum Curricular. GEOgraphia, v. 23, n. 51, 2 dez. 2021. Disponível em: https://periodicos.uff.br/geographia/article/view/45460. Acesso em: 3 jul. 2025.
GOMES, Paulo César da Costa. Quadros geográficos: uma forma de ver, uma forma de pensar. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017.
HAESBAERT, Rogério. Território e descolonialidade: sobre o giro (multi)territorial/descolonial na América Latina. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO; Niterói: Programa de Pós-Graduação em Geografia, Universidade Federal Fluminense, 2021.
HARVEY, David. Social justice and the city. London: Edward Arnold, 1973.
HARVEY, David. La geografía como oportunidad política de resistencia y construcción de alternativas. Revista Geografía Espacios, v. 2, n. 4, p. 9-26, 2012. Disponível em: https://revistas.academia.cl/index.php/esp/article/view/339. Acesso em: 3 jul. 2025.
HEGARTY, Mary. Components of spatial intelligence. In: Psychology of learning and motivation. v. 52. San Diego: Academic Press, 2010.
HUMBOLDT, Alexander von; BONPLAND, Aimé. Essai sur la géographie des plantes: accompagné d’un tableau physique des régions équinoxiales. Paris: Levrault, Schoell et Compagnie, 1805.
KANT, Immanuel. Geographie: physische Geographie. Tradução de M. Cohen-Halimi, M. Marcuzi e V. Seroussi. Paris: Albier, 1999. [1802].
LANDER, Edgardo. Ciências sociais: saberes coloniais e eurocêntricos. In: LANDER, Edgardo (ed.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 7-24.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2013. [1990].
LIBEN, Lynn S.; PATTERSON, Arthur; NEWCOMBE, Nora (ed.). Spatial representation and behavior across the life span. New York: Academic Press, 1981.
MASSEY, Doreen. Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009.
MASSEY, Doreen. A mente geográfica. GEOgraphia, v. 19, n. 40, p. 36-40, 2017. Tradução de Ana Angelita da Rocha e Maria Lucia de Oliveira. Disponível em: https://periodicos.uff.br/geographia/article/view/13798. Acesso em: 5 jul. 2025.
MOREIRA, Ruy. O discurso do avesso: para a crítica da geografia que se ensina. São Paulo: Contexto, 2014.
NEVES, Daniela da Cruz. Discurso sobre desastres naturais em uma coleção didática de geografia. 2018. 131 p. Dissertação (Mestrado em Geografia) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, 2018. Disponível em: http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/331774. Acesso em: 3 jul. 2025.
NEVES, Daniela da Cruz; GRECO, Rosangela; GIROTTO, Eduardo D. Ensino de geografia e o raciocínio geográfico: entre confrontos e ressignificações. Geografia Ensino & Pesquisa, v. 26, p. e14, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/geografia/article/view/67759. Acesso em: 3 jul. 2025.
PIAGET, Jean; INHELDER, Barbel. A representação do espaço na criança. Tradução de Bernardina Machado de Albuquerque. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
QUIJANO, Aníbal. A colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (ed.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais latino-americanas. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 107-130.
ROJO, Roxane Helena Rodrigues; BARBOSA, Jefferson Pedroso. Hipermodernidade, multiletramentos e gêneros discursivos. São Paulo: Parábola, 2015. 150 p.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4. ed., 9. reimp. São Paulo: Edusp, 2017.
SCHMITHÜSEN, Joseph. Allgemeine Geosynergetik. Berlin: De Gruyter, 1976.
SHULMAN, Lee S. Conocimiento y enseñanza: fundamentos de la nueva reforma. Profesorado, Revista de Currículum y Formación del Profesorado, v. 9, n. 2, 1986. Disponível em: http://www.urg.es/local/recfpro/Rev92ART1.pdf. Acesso em: 5 jul. 2025.
SUESS, Rodrigo C.; SILVA, Alcineia S. A perspectiva descolonial e a (re)leitura dos conceitos geográficos no ensino de geografia. Geografia Ensino & Pesquisa, v. 23, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.5902/2236499435469. Acesso em: 3 jul. 2025.
TVERSKY, Barbara. Distortions in memory maps. Cognitive Psychology, v. 13, n. 3, p. 407-433, jul. 1981.
Downloads
Pubblicato
Come citare
Fascicolo
Sezione
Licenza
Copyright (c) 2025 Leonardo Castro de Carvalho, Natália Lampert Batista

TQuesto lavoro è fornito con la licenza Creative Commons Attribuzione 4.0 Internazionale.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantêm os direitos autorais e concedem à REVISTA ENSINO DE GEOGRAFIA (RECIFE) da Universidade Federal de Pernambuco o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. CC BY -
. Esta licença permite que os reutilizadores distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do material em qualquer meio ou formato, desde que a atribuição seja dada ao criador. A licença permite o uso comercial.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.
d) Os conteúdos da REVISTA ENSINO DE GEOGRAFIA (RECIFE) estão licenciados com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. CC BY -
. Esta licença permite que os reutilizadores distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do material em qualquer meio ou formato, desde que a atribuição seja dada ao criador. A licença permite o uso comercial.
No caso de material com direitos autorais a ser reproduzido no manuscrito, a atribuição integral deve ser informada no texto; um documento comprobatório de autorização deve ser enviado para a Comissão Editorial como documento suplementar. É da responsabilidade dos autores, não da REVISTA ENSINO DE GEOGRAFIA (RECIFE) ou dos editores ou revisores, informar, no artigo, a autoria de textos, dados, figuras, imagens e/ou mapas publicados anteriormente em outro lugar.
