Aspectos tafônomicos da anurofauna da formação Crato, Eocretáceo da Bacia do Araripe, Nordeste do Brasil
Mots-clés :
anfíbio, anuro, tafonomia, Formação Crato, eocretáceo, Bacia do AraripeRésumé
A Formação Crato, Bacia do Araripe contém uma das mais importantes associações fossilíferas do Eocretáceo mundial, destacando-se pela sua abundância, diversidade e qualidade de preservação. As rochas sedimentares da bacia guardam registro de uma fauna e flora continental, interpretada como representando um ambiente lacustre. O presente trabalho tem como objetivo o estudo dos aspectos tafonômicos de sete exemplares de anfíbios anuros procedentes das camadas calcárias superiores da Formação Crato, pertencentes ao Museu de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri – CE. Este estudo é relevante devido a rara ocorrência de fósseis de anuros, pois os esqueletos com ossos pequenos e delicados e o habitat em ambientes continentais dificultam sua fossilização. Os exemplares após terem passado por uma preparação mecânica minuciosa, foram fotografados, radiografados, desenhados em câmera clara, coletadas suas medidas biométricas e contabilizado o número de ossos ou estruturas ósseas preservadas, as quais foram transformadas em percentuais e enquadradas em categorias quanto ao grau de preservação: 0% 20%, ruim; 21% – 40%, baixo; 41% – 60%, regular; 61% – 80%, bom e 81% – 100%, excelente. Com o intuito de inferir sobre seus aspectos fóssildiagenéticos e bioestratinômicos foram coletadas amostras dos ossos para análises difratométricas e realizado um experimento de neobioestratinomia que teve o objetivo de investigar a relação entre a disposição corporal dos anuros fossilizados e o ambiente de morte. Os sete exemplares de anuros caracterizam-se por estarem na maioria bem articulados, sendo classificados em relação ao grau de preservação entre ruim e bom. O grau de preservação desses fósseis sugere soterramento rápido, transporte mínimo e que não houve ação de predadores e necrófagos pos-morten. A comparação do grau de articulação e disposição dos esqueletos com os experimentos de neobioestratinomia sugerem dois locais de morte para a anurofauna: um em ambiente aquático e outro em ambiente aéreo, com posterior submersão e soterramento definitivo. As análises difratométricas indicam uma fossildiagênese do tipo substituição do tecido ósseo por calcita (calcitização) como principal processo de fossilização. Secundariamente, observou-se incrustração por sílica e presença de cristais de pirita sobre o fóssil.
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