O que Fomos (África Pré-Colonial)? O que Fizeram de nós (Colonialismo)? O que Poderemos Voltar a Vir a Ser (Educação para a Descolonização dos Saberes)?

Claudemira Vieira Gusmão LOPES

Resumo


RESUMO

Nesta entrevista o mestre e professor Jayro Pereira de Jesus afirma que os negros e indígenas foram atravessados por um processo de enviesamento perpetrado pelo colonialismo. Dentre tantos prejuízos que o projeto colonial nos causou, ressalta a dualidade incrustrada dentro de cada um de nós.  Desfazer e descolonizar nosso pensamento requer o exercício de outro projeto de escola, no qual a noção de ancestralidade é fundamental para promover a unidade de negros e negras na diáspora. Afirma também não podemos mais viver de concessões, caso da Lei 10.639. Precisamos de um projeto de educação afropedagógico e afrocentrado que trabalhe a concepção ancestrálica da filosofia africana como edificadora de outra comportamentalidade existencial capaz de uma reontologização. Essa noção de ancestralidade precisa ser retomada a partir do ubuntu, Filosofia Africana fundamentada no “nós”, filosofia e epistemologia que entende a comunidade a partir dos vivos, dos ancestrais e a dos ainda não nascidos. 

Educação. Filosofia africana. Racismo.


ABSTRACT

In this interview professor and master Jayro Pereira de Jesus states that black and indigenous peoples were crossed by a bias process perpetrated by colonialism. Among the many losses to which the colonial project has subjected us, it highlights the inlaid duality within each and every one of us. Undoing and decolonizing our thinking requires the exercise of putting into practice another school project, in which the notion of ancestry, as it is the element that organizes interiorities and the way of perceiving and being in the world of the African people kidnapped from Africa regardless of ethnicity, it is essential to promote the unity of black men and women in the diaspora. He also emphasizes that we can no longer live on concessions, such as Law 10.639. We need an Afropedagogical and Afrocentric education project that works with the ancestral conception of African philosophy as the builder of another existential behavioralism capable of a reontologization. This notion of ancestry needs to be taken up from Ubuntu, African Philosophy based on “us”, philosophy, and epistemology that perceives the community that of the living, that of the ancestors, and that of the not yet born.

Afrocentred Education. African Philosophy. Ancestrality and Epistemic Racism


RESUMEN

En esta entrevista, el maestro y profesor Jayro Pereira de Jesús afirma que negros e indígenas fueron atravesados por un proceso de prejuicio perpetrado por el colonialismo. Entre tantas pérdidas que nos causó el proyecto colonial, destaca la dualidad incrustada dentro de cada uno de nosotros. Deshacer y descolonizar nuestro pensamiento requiere el ejercicio de otro proyecto escolar, en el que la noción de ascendencia es fundamental para promover la unidad de hombres y mujeres negros en la diáspora. También establece que ya no podemos vivir de concesiones, como en la Ley 10.639. Necesitamos un proyecto educativo afropedagógico y afrocéntrico que trabaje con la concepción ancestral de la filosofía africana como constructora de otro conductismo existencial capaz de reetología. Esta noción de ascendencia debe ser retomada de ubuntu, Filosofía africana basada en el “nosotros”, filosofía y epistemología que entiende la comunidad desde los vivos, los ancestros y la de los no nacidos.

Educación. Filosofía africana. Racismo.


SOMMARIO

In questa intervista, il maestro e professore Jayro Pereira de Jesus afferma che i neri e gli indigeni sono stati attraversati da un processo di pregiudizi perpetrato dal colonialismo. Tra le tante perdite che il progetto coloniale ci ha causato, mette in luce la dualità intarsiata dentro ognuno di noi. Annullare e decolonizzare il nostro pensiero richiede l'esercizio di un altro progetto scolastico, in cui la nozione di ascendenza è fondamentale per promuovere l'unità degli uomini e delle donne di colore nella diaspora. Si afferma inoltre che non possiamo più vivere di concessioni, come nella Legge 10.639. Abbiamo bisogno di un progetto educativo afropedagogico e afrocentrico che lavori con la concezione ancestrale della filosofia africana come costruttore di un altro comportamentismo esistenziale capace di reetologia. Questa nozione di ascendenza deve essere ripresa da ubuntu, la filosofia africana basata su "noi", filosofia ed epistemologia che comprende la comunità dai vivi, dagli antenati e da quella dei nascituri.

Istruzione. Filosofia africana. Razzismo.


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DOI: https://doi.org/10.33052/inter.v6i12.249001

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