Water, territory, and capital: uneven development in the cariri region of Ceará from the São Francisco River transposition
DOI:
https://doi.org/10.51359/2675-3472.2025.266978Keywords:
São Francisco River transposition, water management, territorial inequality, agribusiness, cariri region of CearáAbstract
This article analyzes how large water infrastructure projects, such as the São Francisco River Transposition and the Cinturão das Águas do Ceará (CAC), reinforce territorial inequalities in the Cariri region of Ceará by prioritizing the interests of agribusiness and capital to the detriment of small farmers and traditional communities. The study is based on the hypothesis that the State, by acting as a mediator of capital interests, consolidates a development model that privileges accumulation and the commodification of water, deepening historical socio-spatial conflicts. Methodologically, a qualitative approach was adopted, with documentary analysis, literature review, and the collection of secondary data from official agencies and academic literature. The results show that, despite the discourse of universalization and participation, water management in Ceará remains centralized and exclusionary, favoring large agricultural enterprises and reproducing patterns of land and water concentration. In Cariri, the impacts of these policies are manifested in the intensification of agribusiness territorialization, the deterritorialization of traditional communities, and the worsening of socio-environmental inequalities. It is concluded that it is urgent to rethink the water management model in the region, promoting socio-environmental justice, effective participation of local populations, and the appreciation of traditional knowledge as pathways to sustainable alternatives for living with the semi-arid environment.
Downloads
References
ANDRADE, Manuel Correia de. Formação territorial do Brasil. In: BECKER, Bertha K. et al. (Org.). Geografia e meio ambiente no Brasil. São Paulo: Hucitec, 1995. p. 163-180.
BRANCO, Pércio de Moraes. Coisas que você deve saber sobre a água. Jun. 2013. Disponível em: http://www.cprm.gov.br. Acesso em: 20 jun. 2017.
COSTA, Pedro D. Andrea; TEIXEIRA, Maiana Maia (Org.). Ralos e gargalos das outorgas de água no Brasil: uma análise sobre a captura das águas pelo agronegócio irrigado e pela mineração. 1. ed. Rio de Janeiro: FASE, 2023.
ELIAS, Denise. Ensaios sobre espaços agrícolas de exclusão. Revista Nera. ano 9, n. 8, 2006a. p. 29-51.
ELIAS, Denise. Globalização e fragmentação do espaço agrícola do Brasil. Revista electrónica de Geografía e Ciências Sociales, vol. X, n.218 (3). 2006b. p. 1-20.
ELIAS, Denise; PEQUENO, Renato. Reestruturação econômica e nova economia política da urbanização no Ceará. Mercator (Fortaleza. Online), v. 12, 2013, p. 95-112.
FERREIRA, Marcelo José Monteiro et al. Gestão e uso dos recursos hídricos e a expansão do agronegócio: água para quê e para quem? Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 21, n. 3, p. 743–752, 2016.
FERREIRA. Fabiano da Silva et. al. A fruticultura no Ceará: evolução e tendências na Região Metropolitana do Cariri. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.10, n.18. 2014. p. 1-13.
GONÇALVES, Claudio Ubiratan; OLIVEIRA, Cristiane Fernandes de. Rio São Francisco: as águas correm para o mercado. Boletim Goiano de Geografia. v. 29, n. 2, 2009. p. 113-125.
HAESBAERT, Rogério. O mito da desterritorialização: do “fim dos territórios” à multi-territorialidade. 6. Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.
HAESBAERT, Rogério; PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. A nova des-ordem mundial. 2. Reimp. São Paulo: UNESP, 2006.
HESPANHOL, Antônio Nivaldo. O desenvolvimento do campo no Brasil. In: FERNANDES, Bernardo Mançano; MARQUES, Marta Inez Medeiros; SUZUKI, Júlio Cesar. (Org.). Geografia Agrária: teoria e poder. 1ed. São Paulo: Expressão Popular, 2007, v. 1, p. 271-287.
LINS, Cíntia dos Santos. Os impactos territoriais e socioeconômicos do canal da (des) integração no Ceará no contexto do médio e baixo Jaguaribe. 2008. 178 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia da Universidade Estadual do Ceará, UECE, Fortaleza.
LUCENA, T. C. de; CAVALCANTE, L. V.; LIMA, L. C. Transposição do Rio São Francisco: potencializando a concentração hídrico-fundiária no sul do Ceará. Revista Geotemas, Pau dos Ferros, v. 14, n. 1, p. 1-20, 2024.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1992.
MALVEZZI, R.. Semiárido – uma visão holística. Brasília: Confea, 2007.
Mészáros, István. Para além do capital: rumo a uma teoria da transição; tradução Paulo Cezar Castanheira, Sérgio Lessa. 1. ed. revista. São Paulo: Boitempo, 2011.
PÉREZ, Mercedes Solá. R-existências dos camponeses/as do que hoje é Suape: justiça territorial, pós-desenvolvimento e descolonialidade pela vida. 2016. Tese (Doutorado em Geografia). - Universidade Federal de Pernambuco. Recife: UFPE, 2016.
RAFFESTIN, Claude. Por uma geografia do poder. Tradução de Maria Cecília França. São Paulo: Ática. 1993.
RIBEIRO, Manoel Bomfim. Revitalização do rio São Francisco: uma epopeia. p. 59-90. In: ALVES FILHO, João (Org.). Toda a verdade sobre a Transposição do Rio São Francisco. Rio de Janeiro: Mauad X, 2008.
SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado: fundamentos teóricos e metodológicos da geografia. 6. ed. 2. reimp. São Paulo: Edusp, 2014.
SILVA, Francisco Amistardam Soares. O processo de territorialização do capital com a inserção das políticas públicas voltadas para a agricultura camponesa no território dos sertões de Canindé, 2010.
SOUZA, Marcos José Nogueira de et al. Prognóstico da gestão ambiental da área de influência direta do Açude Castanhão. In: MEDEIROS, Cleyber Nascimento de et al. (Org.). Os recursos hídricos do Ceará: integração, gestão e potencialidades. Fortaleza: IPECE, 2011. p. 11-37.
SUASSUNA, João. Transposição do Rio São Francisco na perspectiva do Brasil Real. São Paulo, Porto de Idéias, 2010.
TEIXEIRA, F. J. C. Modelos de gerenciamento de recursos hídricos: análises e proposta de aperfeiçoamento do sistema do Ceará. 2003. 144 f. Dissertação (Mestrado em Recursos Hídricos) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2003.
THOMAZ JR., Antonio. Dinâmica geográfica do Trabalho no século XXI: limites explicativos, autocrítica e desafios teóricos. 2009. 499p. Tese (Livre-docência). UNESP São Paulo. V. 1, pt. 1. 2009.
VILLAR, Pilar Carolina; RIBEIRO, Wagner Costa. A percepção do direito humano à água na ordem internacional. Revista de Direitos Fundamentais & Democracia (UnibBrasil), v. 11, p. 358-380, 2012.
WHATELY, Marussia. Quem cuida da água? Governança da água doce: a moldura jurídico-institucional nacional. 2016.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Copyright (c) 2025 José Anderson de Sousa, Claudio Ubiratan Gonçalves

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à REVISTA MUTIRÕ da Universidade Federal de Pernambuco o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional. CC BY -
Permite que outros distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original. Esta é a mais flexível das licenças, onde o foco é a disseminação do conhecimento. - Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.