A “pernambucanidade” no Diário: discurso, memória e ideologia

João Victor da Silva Carvalho

Resumo


A relação de pertencimento entre o sujeito e a nação, dada na identificação com discursos que constroem um imaginário sobre o povo e sobre a pátria, ultrapassa os limites das concepções geográficas. O Pernambuco sobre o qual se dedica este trabalho não é necessariamente correspondente a sua extensão territorial, mas aquele que está representado em livros, jornais e novelas, aquele de quem se conta na História, mas também se mostra na poesia, nos movimentos sociais e na cultura. O presente artigo almeja refletir sobre como a noção de “pernambucanidade” está materializada no especial “Pernambuco, história e personagens”, lançado pelo jornal Diário de Pernambuco em comemoração ao centenário da Revolução Pernambucana de 1817. Filiamo-nos à Análise do Discurso (AD) francesa para compreender, pelas da imbricação do linguístico e do simbólico, o trabalho da memória na (re)apresentação de um acontecimento histórico, deixando emergir o digladiar de posições ideológicas que se demarcam no tecido textual. No que diz respeito aos procedimentos de  análise, recorremos a um escopo de noções e princípios que levam em consideração a historicidade dos sentidos e a possibilidade de interpretações outras, de modo que a proposta assinala para outras possibilidades de compreender o discurso da “pernambucanidade”, os quais se representam na tensão da (re)escrita da história e da memória e dos processos discursivos que estão envolvidos na identificação do sujeito com um projeto de nação.


Palavras-chave


“pernambucanidade”; Memória; Ideologia; Texto Jornalístico.

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