Uso e Ocupação do Solo e Cenário Tendencial de Vazões na Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba - Brasil (Use and occupation of soil and trends scenarios of flows in the Paranaíba River basin - Brazil)

Gleidson Caetano da Silva, Vanderlei de Oliveira Ferreira

Resumo


O uso e ocupação do solo interfere no comportamento hidrológico das bacias hidrográficas porque modifica os padrões de evaporação, evapotranspiração, infiltração, escoamento superficial e precipitação. O presente artigo avalia a evolução do uso e ocupação do solo na bacia hidrográfica do rio Paranaíba entre 1985 e 2013, procurando identificar interferências nas vazões máximas, médias e mínimas. Ficou evidenciado que a agricultura expandiu substancialmente no período, reduzindo a participação das demais categorias de uso, principalmente pastagem e vegetação natural. Ocorreu um acréscimo de 50% das áreas de agricultura entre 1985 a 2013. A vegetação natural sofreu decréscimo de 21% de 1985 e 2003. Entretanto, no período 2003 a 2013 teve um acréscimo 9%. Tal fato se justifica pela criação de unidades de conservação e implantação de políticas conservacionistas relacionadas ao cumprimento do Código Florestal Brasileiro. Considerando o período 1985 a 2013 a vegetação nativa retrocedeu 4,59% em termos de área ocupada. As pastagens apresentaram redução de 5% para o mesmo período. Em 1985 a situação da bacia quanto ao índice de transformação antrópica era “regular” (nível 4). Mas, em 2003 o índice sofreu alteração significativa, passando para o nível 5, que demonstra a característica “degradada”, permanecendo este mesmo indicador para o ano de 2013. Quanto às vazões máximas e médias, predominam cenários qualificados como de tendência não significativa de queda. No caso das vazões mínimas houve prevalência para o indicador de tendência significativa de queda. Tais resultados podem oferecer subsídios às iniciativas de gestão, que incluem o aprimoramento de estratégias políticas e administrativas voltadas para o uso racional dos recursos naturais na bacia hidrográfica do rio Paranaíba.

 

 

A B S T R A C T

The use and occupation of the soil interferes with the behavior of the watercourses because it modifies the patterns of evaporation, evapotranspiration, infiltration, runoff and precipitation. The present article evaluates the evolution of land use and occupation in the Paranaíba river basin between 1985 and 2013, seeking to identify interferences in the maximum, medium and minimum flows. It was evidenced that agriculture expanded substantially in the period, reducing the participation of the other categories of use, mainly pasture and natural vegetation. There was an increase of 50% in the areas of agriculture in the period 1985 to 2013. The natural vegetation decreased by 21% in 1985 and 2003. However, in the period 2003 to 2013 had a 9% increase. This is justified by the creation of conservation units and the implementation of conservationist policies. Considering the period from 1985 to 2013 the native vegetation fell by 4.59% in terms of area occupied. The pastures presented reduction of 5% for the same period. In 1985 the situation of the basin in the anthropic transformation index was "regular" (level 4). However, in 2003 the index changed significantly to level 5, which shows the "degraded" characteristic, remaining the same indicator for the year 2013. Regarding the maximum and average flows, predominant scenarios qualified as non-significant trend of which gives. In the case of the minimum flows, there was a prevalence for the indicator of a significant fall trend. These results, although not yet conclusive, may offer support to the various management initiatives, which include the improvement of political and administrative strategies aimed at the management of natural resources in the Paranaíba river basin.

Keywords: Soil use and occupation, anthropic transformation, flow regime, Paranaíba basin.


Palavras-chave


Uso e ocupação do solo, transformação antrópica, regime de vazões, bacia do Paranaíba

Texto completo:

PDF

Referências


ANA. Agência Nacional de Águas. Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos, 2017. Banco de Dados SNIRH. Disponível em: http://hidroweb.ana.gov.br . Acesso: 04 abr. 2017.

ANA. Agência Nacional de Águas. Superintendência de Planejamento de Recursos Hídricos, 2014. Banco de Dados SNIRH. Disponível em: http://cbhparanaiba.org.br/prh-paranaiba/plano. Acesso: 24 ago. 2016

Araújo, A. P.; Rocha, P. C., 2010. Regime de fluxo de alterações hidrológicas no rio Tibagi – bacia do rio Paranapanema / Alto Paraná. Revista de Geografia de Recife [online] 27. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistageografia/article/view/228901/23312. Acesso: 24 ago. 2016.

Baena, L. G. N.; Silva D. D.; Pruski, F. F.; Calijuri, M. L., 2004. Regionalização de vazões com base em modelo digital de elevação para a bacia do rio Paraíba do Sul. Revista de Engenharia na Agricultura [online] 24. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0100-69162004000300013. Acesso: 22 jun. 2015.

Booth, D. B., 1991. Urbanization and the natural drainage system – impacts, solutions, and prognoses. The Northwest Environmental Journal [online] 7. Disponível em: https://digital.lib.washington.edu/researchworks/handle/1773/17032. Acesso: 12 ago. 2016.

Botelho, R. G. M & Silva, A.S., 2010. Bacia Hidrográfica e Qualidade Ambiental. In: Guerra, A.J.T. e Vitte, A.C. (Org.). Reflexões Sobre a Geografia Física no Brasil. Editora Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, pp. 153-188.

Cardoso Neto, A., 2010. Sistemas Urbanos de Drenagem. (s/d). Disponível em: http://www.ana.gov.br/AcoesAdministrativas/CDOC/ProducaoAcademica/Antonio%20Cardoso%20Neto/Introducao_a_drenagem_urbana.pdf. Acesso: 20 set. 2016.

Chow, V.T.; Maidment, D.R.; Mays, L.W., 1988. Applied hydrology. McGrawHill, Series in Water Resources and Environmental Engineering. McGrawHill: New York. ISBN 0-07-010810-2. xii, pp. 572.

Coelho Netto, A.L., 1994. Hidrologia de encosta na interface com a geomorfologia, in: Guerra, A.J.T. & Cunha, S.B. (Org.), Geomorfologia, uma atualização de bases e conceitos. Editora Bertrand Brasil. Rio de Janeiro, pp. 472.

Ehlers, R. S., 2009. Análise de Séries Temporais. Disponível em: http://www.icmc.usp.br/~ehlers/stemp/stemp.pdf. Acesso: 15 ago. 2016.

Ferreira, V. O., 2012. Análise de Tendências em Séries Pluviométricas: Algumas Possibilidades Metodológicas. Revista Geonorte [online] 8. Disponível em: http://www.periodicos.ufam.edu.br/revista-geonorte/article/view/2360. Acesso: 22 abr. 2016.

Fechine, J.A.; Galvincio, J.D., 2009. Tendência das precipitações na Bacia Hodrográfica do Rio Brígida – Estado de Pernambuco. Revista de Geografia de Recife [online] 27. Disponível em: DOI: https://doi.org/10.5935/1984-2295.20090005. Acesso: 24 ago. 2016.

Gao, L. & Shao, M., 2012. Temporal stability of soil water storage in diverse soil layers. Editora Elsevier, Journal Catena [online] 95. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.catena.2012.02.020. Acesso: 01 jul. 2016.

Groppo, J.D., Beduschi, C. E., Menuzzo, R., Moraes, J. M., Martinelli, L. A., 2005. Análise de séries temporais de vazão e precipitação em algumas bacias do estado de São Paulo com diferentes graus de intervenções antrópicas. Revista Brasileira de Geociências [online] 24, Disponível em: https://www.revistageociencias.com.br/geociencias-arquivos/24_2/Artigo%206.pdf. Acesso: 12 jun. 2016.

Karl, T.R.; Diaz, H.F.; Kukla, G., 1988. Urbanization: its detection and effect in the United States climate record. Journal of Climate and Applied Meteorology [online] 1. Disponível em: https://journals.ametsoc.org/doi/pdf/10.1175/1520-0442%281988%29001%3C1099%3AUIDAEI%3E2.0.CO%3B2. Acesso: 14 jan. 2016.

Kendall, M. G.,1975. Rank Correlation Methods, 4 ed. Charles Griffin, London.

Letey, J., 1985. Relationship between soil physical properties and crop productions. Advances in Soil Science, Editora University of California [online] 1. Disponível em: https://link.springer.com/chapter/10.1007%2F978-1-4612-5046-3_8. Acesso: 14 jan. 2016.

Mann, H. B., 1945. Non-parametric test against trend, Editora Econometrica: Journal of the Econometric Society [online] 13. Disponível em: http://dx.doi.org/10.2307/1907187. Acesso: 04 ago. 2016.

Martins, A. P.; Rosa, R., 2012. Caracterização climática da bacia do Rio Paranaíba a partir da rede de estações de superfície automática do INMET (2001-2011), utilizando ferramentas do geoprocessamento. Revista Geonorte [online] 2. Disponível em: http://www.periodicos.ufam.edu.br/revista-geonorte/article/view/2581/2385. Acesso: 22 abr. 2016.

Mateo, J., 1991. Geoecologia de los Paisajes. Caracas, UCC.

Mendes Silva, M; Ferreira, V. O., 2015. Rainfall and water balance of Paranaíba river basin. Revista Brasileira de Geografia Física [online] 8. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/rbgfe/article/view/233261/0. Acesso: 15 mai. 2016.

Morettin, P. A.; Toloi, C. M. C., 2006. Análise de séries temporais, 1 ed. Editora Blucher, São Paulo.

MMA. Ministério do Meio Ambiente, 2002. Projeto de conservação e utilização Sustentável da diversidade biológica brasileira (Probio I e II). Disponível em: http://mapas.mma.gov.br/mapas/aplic/probio/datadownload.htm. Acesso: em 01 ago. 2016.

MMA. Ministério do Meio Ambiente, 2013. Projeto Terraclass Cerrado. Mapeamento do uso e cobertura vegetal do cerrado. Disponível em: http://mapas.mma.gov.br/mapas/aplic/probio/datadownload.htm. Acesso: 20 jul. 2016.

Pires, J.R.S. & Santos, J.E., 1995. Bacias hidrográficas: integração entre meio ambiente e desenvolvimento. Ciência Hoje Rio de janeiro [online] 19. Disponível em: http://revista.uepb.edu.br/index.php/qualitas/article/download/399/366. Acesso: 04 ago. 2016.

Pruski, F.F.; Silva, D. D.; Koetz, M., 2006. Estudo da vazão em cursos d’água. REVENG: Revista Engenharia na Agricultura [online] 43. Disponível em: https://reveng.ufv.br/index.php/reveng/article/download/205/204. Acesso: 04 ago. 2016.

Rosa, R. e Sano, E. E., 2014. Uso da Terra e Cobertura Vegetal na Bacia do Rio Paranaíba. Revista Campo-Território [online] 19. Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/campoterritorio/article/viewFile/24277/15593. Acesso: 15 out. 2016.

Salomão, F. X. T., 1999. Controle e prevenção dos processos erosivos. In: Guerra, A. J. T.; Silva, A. S.; Botelho, R. G. M. (Org.) Erosão e conservação dos solos: Conceitos, temas e aplicações. Bertrand Brasil. Rio de Janeiro. pp. 229-267,

Santos, D. C; Ferreira, V. O., 2017. Pluviometria da bacia hidrográfica do rio Paranaíba: variabilidade e tendências. Revista Caminhos da Geografia [online] 18. Disponível em: DOI: http://dx.doi.org/10.14393/RCG186301. Acesso: 29 ago. 2016.

Santos, E. H. M.; Griebeler, N. P.; Oliveira, L. F. C., 2010. Relação entre uso do solo e comportamento hidrológico na Bacia Hidrográfica do Ribeirão João Leite. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental [online] 14. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbeaa/v14n8/v14n08a06.pdf. Acesso: 02 abr. 2016.

Serra Filho, R.; Cavalli, A. C.; Guillaumon, J. R.; Chiarini, J. V.; Nogueira, F.P.; Ivancko, C. M. A. M.; Barbieri, J. L.; Donizeli, P. L.; Coelho, A. G. S.; Bittencourt, I., 1975. Levantamento da cobertura vegetal natural e do reflorestamento no Estado de São Paulo. 11 ed. Editora do Boletim Técnico do Instituto Florestal. São Paulo.

Shimabukuro, Y. E.; Novo, E. M.; Mertes, L. K., 2002. Amazon river mainstem foodplain Landsat TM digital mosaic. Editora Taylor & Francis: International Journal of Remote Sensing [online] 23. Disponível em: https://doi.org/10.1080/01431160010029165. Acesso: 13 set. 2016.

Silva, I. C.; Oliveira, R. M.; Silva, T. F., 2012. Evidências da degradação ambiental na mata ciliar do rio Itapororoca, no município de Itapororoca/PB. Revista Geonorte [online] 4. Disponível em: http://www.periodicos.ufam.edu.br/revista-geonorte/article/view/1865/1742. Acesso: 22 abr. 2016.

Spohr, R. B.; Carlesso, R.; Gallárreta, C. G.; Préchac, F. G.; Petillo, M. G., 2009. Runoff modeling from soil physical characteristics in different places in Uruguay. Revista Ciência Rural [online] 39. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-84782009000100012. Acesso: 15 mai. 2016.

Tibulo, C.; Carli, V. de.; Zanini, R. R., 2014. Modelos de séries temporais aplicados a dados de umidade relativa do ar. Revista Espacios [online] 35. Disponível em: http://www.revistaespacios.com/a14v35n06/14350622.html. Acesso: 15 mai. 2016.

Tucci, C. E. M., 2004. Hidrologia: Ciência e Aplicação. 3.ed. Editora da Associação Brasileira de Recursos Hídricos. Porto Alegre.

Tucci, C.E.M., 2002. Regionalização de vazões. Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre.

USGS. U. S. Geological Survey: Science for a changing world. Earth explorer. Disponível em: https://archive.usgs.gov/archive/sites/eo1.usgs.gov/index.html. Acesso: 12 jan. 2016.

Von Sperling, M., 2007. Estudos e modelagem da qualidade da água de rios. 1.ed. Editora da Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte.

Wei, W., 2006. Time Series Analysis: Univariate and Multivariate Methods. 3 ed. Editora Pearson Addison Wesley, New York.




DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v12.1.p139-159

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License