Mapeamento e caracterização fitofisionômica da Planície Costeira do Litoral Norte do Estado de Sergipe

Túlio Vinicius Paes Dantas, Fabrício Passos Fortes, Adauto de Souza Ribeiro

Resumo


A Planície Costeira do Litoral Norte do estado de Sergipe é relativamente bem preservada a despeito do recente aumento da infraestrutura rodoviária e do aumento populacional dos povoamentos, contudo é pouco conhecida quanto a sua diversidade de fisionomias vegetacionais e o real status da conservação das unidades da vegetação. A presente pesquisa objetivou mapear e descrever as fitofisionomias da planície sedimentar quaternária sergipana ao Norte do Rio Sergipe até as margens do Rio São Francisco, por meio da classificação supervisionada de imagens de satélites e visitas de campo. Foram reconhecidas dez fitofisionomias cuja distribuição e estado de conservação são influenciados por características geomorfológicas e pela proximidade dos núcleos de urbanização e atividades econômicas desenvolvidas. Houve o predomínio de vegetações herbáceas, principalmente do Campo Fechado Inundado, que ocupou 21% da área avaliada e é formado por depressões intercordões litorâneos ou do terraço marinho Quaternário, seguindo-se de Campos Entremeados de origem antrópica, utilizados para pastagens ou cultura do coco-da-baía. As formações arbustivas típicas das restingas que originalmente cobririam grande parte da Planície Costeira se concentraram na forma de pequenos fragmentos em regiões mais isoladas, tendo sido a fitofisionomia mais alterada no processo histórico de ocupação. Os fragmentos em melhor estado de conservação podem ser considerados como remanescentes de formações costeiras do estado, porém em todos são evidenciados impactos de atividades humanas diversas. Espera-se que o mapeamento e descrição das fitofisionomias possam ser utilizados como ferramentas para preservação e gestão territorial da região estudada.

Palavras-chave


Manguezal; Restinga; Vegetação costeira; Supressão de habitats; Classificação da vegetação

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