Solos Em Carste Tropical, Desenvolvimento Pedogenético E Comportamento Hidrológico: Uma Revisão Teórica.

José Gustavo da Silva Nunes, Rogério Uagoda

Resumo


Este trabalho teve como objetivo reunir informações sobre comportamento pedogenético e hidrológico em áreas de rochas carbonáticas de clima tropical. A execução desta pesquisa foi embasada em artigos científicos indexados, nacionais e internacionais, como também em livros, teses e dissertações relevantes para o tema proposto. O solo é um sistema multifásico, e os seus aspectos morfológicos e constitucionais atuam facilitando ou dificultando a permeabilidade da água, assim cada horizonte pedológico funciona como um mecanismo em um mesmo perfil de solo. Os fatores físicos/químicos da água também atuarão contribuindo para a classificação dos grupos hidrológicos de solo. No Brasil, a Embrapa realizou classificações dos horizontes diagnósticos, dos grupos hidrológicos e dos tipos de solos, baseada em autores internacionais, adaptadas às condições tropicais. Mas as áreas cársticas, que representam um percentual de 20% da superfície terrestre, podem apresentar condições particulares para a formação de solo e para o comportamento hidrológico, podendo incluir zonas locais de alta permeabilidade, fuga de água subterrânea e eliminação de resíduos insatisfatórios.  Solos de ambientes cársticos são mal desenvolvidos, apresentam argilas avermelhadas de baixa atividade normalmente. No Brasil os estudos deste tipo de ambiente são escassos, mas alguns trabalhos desenvolvidos em áreas cársticas trazem algumas informações básicas sobre os solos. As pesquisas encontradas que trouxeram informações dos solos em carstes, foram plotadas no mapa brasileiro. A pesquisa demonstrou que há um gap de informações para o desenvolvimento pedológico em áreas cársticas, mas é possível fazer associações entre estas classes de solo a outros ambientes, incluindo o comportamento hidrológico.


Palavras-chave


Grupos hidrológicos de solos, Solo Tropical, Carste.

Referências


ARAÚJO, M. L. M. A influência do aquífero carste em Almirante Tamandaré. Revista Eletrônica Geografar, v. 1, n. 1, p. 20–37, 2006.

BADÍA, D.; MARTÍ C. Plant ash and heat intensity effects on chemical and physical properties of two contrasting soils. Arid Land Res Manage 17:23–41. 2003.

BARRADAS, M. T.; GOMES, E.; CARVALHO, A.; VIEIRA, C. I. Mapeamento Dos Colapsos E Subsidências Do Solo, Em. n. 1, 2014.

BRADY, N. C. The Nature and Properties of Soils. 9th Edition. Macmillan Publishing Company. New York. 1984.

BAUTISTA, F.; PALACIO-APONTE, G.; QUINTANA, P. ZINCK J. A. Spatial Distribution And Development Of Soils In Tropical Karst Areas From The Peninsula Of Yucatan, Mexico. Geomorphology, v. 135, n. 3–4, p. 308–321, 2011.

BOERO, V.; PREMOLI, A.; MELIS, P.; BARBERIS, E.; ARDUINO, E. Influence of climate on the iron oxide mineralogy of terra rossa. Clays Minerals, v. 40, n. 1, p. 8–13, 1992.

CABADAS, H.; SOLLEIRO, E.; SEDOV, S.; PI PUIG, T.; GAMA-CASTRO, J. 2010. Pedosediments of karstic sinkholes in the eolianites of NE Yucatán: a record of Late Quaternary soil development, geomorphic processes and landscape stability. Geomorphology 122, 323–337.

CHALCRAFT, D.; PYE, K. Humid tropical weathering of quartzite in Southeastern Venezuela. Zeitschrift für Geomorphologie. Berlin: v. 28, n. 3, p. 321-332, Set. 1984.

CORRÊA, M. M.; KER, J. C.; BARRÓN, V.; FONTES, M. P.F.; TORRENT, J.; CURI, N. Caracterização de óxidos de ferro de solos do ambiente tabuleiros costeiros. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v.32, p.1017-1031, 2008.

CRUZ, F. W. et al. Influence of hydrological and climatic parameters on spatial-temporal variability of fluorescence intensity and DOC of karst percolation waters in the Santana Cave System, Southeastern Brazil. Journal of Hydrology, v. 302, n. 1–4, p. 1–12, 2005.

DA COSTA, P.Y.D.; NGUETNKAM, J.-P.; MVOUBOU, C.M.; TOGBÉ, K.A.; ETTIEN, J.-B. & YAOKOUAME, A. Old Landscapes, pre-weathered materials, and pedogenesis in tropical Africa: How can the time factor of soil formation be assessed in these regions? Quaternary International, 376, 47-74. 2015.

DIAS, J. A região cárstica de Bonito, MS: uma proposta de zoneamento geoecológico a partir de unidades de paisagem. Ciência Geográfica. Bauru: [s.n.], n. 1, jan./abr. 2000.

DOERR, S. H. Karst-like landforms and Hydrology in Quartzites of the Venezuelan Guyana Shield: Pseudokarst or "Real" Karst? Zeitschrift für Geomorphologie. Berlin: v. 43, n. 1, p. 1-17. (1999)

EMBRAPA (EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA; SOLOS, E.; MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, P. E A. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. 5. ed. Brasília: [s.n.]

FERREIRA, T. O. Soil genesis and iron nodules in a karst environment of the Apodi Plateau. Revista Ciência Agronômica, 45(4), 683–695. (2014). https://doi.org/10.1590/S1806-66902014000400006

FERREIRA, E. P.; ANJOS, L. H. C.; PEREIRA, M. G.; VALLADARES, G. S.; SILVA R. C.; AZEVEDO, A. C. Genesis and classification of soils containing carbonate on the apodi plateau, Brazil. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 40, p. 1–20, 2016.

FERREIRA, Z. A.; MORAIS, F. “Physical diagnostic-conservationist of karstic environment of watershed Cana-brava river, Aurora do Tocantins (TO, Brasil).” Diagnostico físico-conservacionista do ambiente cárstico da bacia do córrego Cana-brava, Aurora do Tocantins (TO, Brasil). 28(52): 244–73. 2018.

FOTH, H. D.; SCHAFER, J. W. 1980. Soil geography and land use.

FORD, D.C.; WILLIAMS, P.W. (1989) Karst Geomorphology and Hydrology, Unwin Hyman, London.

GIRÃO, R. DE O.; MOREIRA, L. J. DA S.; GIRÃO, A. L. DE A., ROMERO, R. E.; FERREIRA, T. O. Soil Genesis And Iron Nodules In A Karst Environment Of The Apodi Plateau. Centro de Ciências Agrárias - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE. Revista Ciência Agronômica, v. 45, n. 4, p. 683-695, out-dez, 2014.

GLEICK, P. H, Recursos de água. Na Enciclopédia do Clima e Tempo, ed. Por Superlogo H. Schneider, Oxford University Press, Nova Iorque, vol. 2, pág. 817-823. 1996. In < water.usgs.gov/edu/watercycleportuguese.html>, acesso 4 de abril de 2018.

HU, K.; CHEN, H., NIE, Y., & WANG, K. Seasonal recharge and mean residence times of soil and epikarst water in a small karst catchment of southwest China. Scientific Reports, 5(May), 1–12. https://doi.org/10.1038/srep10215 (2015).

IUSS Working Group WRB, 2006. World Reference Base for Soil Resources 2006. World Soil Resources Reports No. 103. FAO, Rome. 128 p.

IMESON, A.C.; VERSTRATEN, J.M.,; MULLIGEN, E.J.; SEVINK, J. The effects of fire and water repellence on infiltration and runoff under Mediterranean type forest. Catena 19:345–361. 1992.

JAQUETO, P., TRINDADE, R. I. F., HARTMANN, G. A., NOVELLO, V. F., CRUZ, F. W., KARMANN, I., FEINBERG, J. M. (2016). Linking speleothem and soil magnetism in the Pau d'Alho cave (central South America). Journal of Geophysical Research: Solid Earth, 121(10), 7024-7039. DOI: 10.1002/2016JB013541.

JONES, W. K.; HOBBS, H. H. III; WICKS, C. M.; CURRIE, R. R.; HOSE, L. D.; KERBO, R. C.; GOODBAR, J. R. TROUT, J. Recommendations and guidelines for managing caves on protected lands. Charles Town: Karst Waters Institute. (2003)

KARMANN I.; TEIXEIRA W.; TOLEDO M. C. M.; FAIRCHILD T. R.; TAIOLI F. Ciclo da água, água subterrânea e sua açào geológica. In: Decifrando a terra. São Paulo: Oficina de textos; 2000.LEPSCH, Igor F. 19 Lições de Pedologia. São Paulo: Oficina de Textos, 2011.

LEGRAND, H. E. Perspective on Karst Hydrology. Journal of Hydrology. 1983 Vol 61; pag 343—355.

LYNCH, L.S. Gênese e geoquímica de solos em ambiente cárstico no cerrado da região de Planaltina de Goiás. Viçosa, MG, Universidade Federal de Viçosa, 2009. 167p. (Tese de Doutorado)

MACK, G.H.; COLE, D.R.; CALVIN JAMES, W.; GIORDANO, T.H. & SALYARDS, S.L. Stable oxygen and carbon isotopes of pedogenic carbonate as indicators of PlioPleistocene paleoclimate in the Southern Rio Grande rift, South-Central New Mexico. Am. J. Sci., 294:621-640, 1994.

MANIÇOBA, F. E., FILHO, F. G., MALALA, C., NAIRONY, R., CARLA, A. (2016). Mineralogia de solos calcários da Chapada do Apodi, Oeste Potiguar (1), (1), 1–4.

MARANHÃO, D. D. C.; PEREIRA, M. G.; COLLIER, L. S.; ANJOS, L. H. C. AZEVEDO, A. C.; CAVASSANI, R. S. Genesis and classification of soils containing carbonates in a toposequence of the Bambuí Group. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 40, p. 1–17, 2016.

MATAIX-SOLERA, J.; DOERR, S. H. Hydrophobicity and aggregate stability in calcareous topsoils from fire-affected pine forests in southeastern Spain. Geoderma 118:77–88. 2004.

MOTA, J. C. A.; ASSIS JÚNIOR, R. N.; FILHO, J. A.; LIBARDI P. L. Algumas propriedades físicas e hídricas de três solos na Chapada do Apodi, RN, cultivados com melão. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 32, n. 1, p. 49–58, 2008.

MUSGRAVE, G.W. 1955. How much of the rain enters the soil? In Water: U.S. Department of Agriculture. Yearbook. Washington, DC. pp. 151–159.

NEH 654, USDA-NRCS, August, 2013. Part 630, National Engineering Handbook, " Hydrologic Soil Groups."

OLIVEIRA, C.V.; KER, J.C.; FONTES, L.E.F.; CURI, N. & PINHEIRO, J.C. Química e mineralogia de solos derivados de rochas do Grupo Bambuí no Norte de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 22:583-593, 1998.

OLSON, C. G., RUHE, R. V, & MAUSBACH, M. J. (1980). The {Terra Rossa} limestone contact phenomena in karst, southern {Indiana}. Soil Sci. Soc. Am. J., 44(5), 1075–1079.

PILÓ, L. B.; CASTRO, S. S. Morfologia cárstica e materiais constituintes: dinâmica e evolução da depressão poligonal macacos-baú - carste de Lagoa Santa, MG. 1998.Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.

PILÓ, L. B.; AULER, A. Introdução à Espeleologia. In: CECAV. III Curso de Espeleologia e Licenciamento Ambiental. Brasília: CECAV/ Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 2011. Cap. 1, p. 7- 23.

ROBICHAUD, P. R. Fire effects on infiltration rates after prescribed fire in Northern Rocky Mountain forests, USA. J Hydrol V. 231, Pág: 220–229. 2000.

SEDOV, S., SOLLEIRO, R.E., FEDICK, S.L., GAMA, C.J., PALACIOS, M.S., VALLEJO, G.E., 2007. Soil genesis in relation to landscape evolution and ancient sustainable land use in the northeastern Yucatan Peninsula, Mexico. Atti Soc. Tosc. Sci. Nat. Mem. 115–126.

SEDOV, S., SOLLEIRO, R.E., FEDICK, S.L., PI, P.T., VALLEJO, G.E., FLORES, D.M.L., 2008. Micromorphology of a soil catena in Yucatán: pedogenesis and geomorphological processes in a tropical karst landscape. In: Kapur, S., Mermut, A., Stoops, G. (Eds.), New Trends in Soil Micromorphology. Springer Verlag, Berlin-Heidelberg, pp. 19–37.(BOOks.google).

SCHWERTMANN, U. & TAYLOR, R.M. Iron oxides. In: DIXON, J.B. & WEED, S.B., eds. Minerals in soil environments. Madison, Soil Science Society of America, 1989. p.379-438.

SHINZATO, E. Campos dos goytacazes - rj dezembro - 1998. [s.l.] UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE - UENF, 1998.XSILVA, M. B., DOS ANJOS, L. H. C., PEREIRA, M. G., SCHIAVO, J. A., COOPER, M., & CAVASSANI, R. DE S. (2013). Gênese e classificação dos solos de uma topossequência em área de carste na serra da Bodoquena, MS. Revista Brasileira de Ciencia do Solo, v. 37, n. 6, p. 1464–1480, 2013.

SILVA, M. B; ANJOS, L. H. C. dos; PEREIRA, M. G.; SCHIAVO, J. A.; COOPER, M.; CAVASSANI, R. S. Soils in the karst landscape of Bodoquena plateau in cerrado region of Brazil. Catena, Amsterdam, Elsevier BV, v. 154, p. 107-117, 2017. Disponível em: < http://dx.doi.org/10.1016/j.catena.2017.02.022 > DOI: 10.1016/j.catena.2017.02.022.

TÁRNÍK, A.; LEITMANOVÁ, M. Analysis of the Development of Available Soil Water Storage in the Nitra River Catchment. IOP Conference Series: Materials Science and Engineering, v. 245, n. 6, 2017.

THOMAZ, E. L. Interaction between ash and soil microaggregates reduces runoff and soil loss. Science of the Total Environment, v. 625, p. 1257–1263, 2018.

TOOHEY, R. C. BOLL, J.; BROOKS, E.S.; JONES, J. R. Effects of land use on soil properties and hydrological processes at the point, plot, and catchment scale in volcanic soils near Turrialba, Costa Rica. Geoderma, v. 315, n. March 2017, p. 138–148, 2018.

TRAVASSOS, L. E. P. Considerações sobre o carste da região de Cordisburgo, Minas Gerais, Brasil. Belo Horizonte; Tradição Planalto, 2010.

VASCONCELOS, B. N. F.; KER, J. C.; SCHAEFER, C. E. G. R.; POIRIER, A. P. P.; ANDRADE, F. V. Antropossolos em sítios arqueológicos de ambiente cárstico no norte de Minas Gerais. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 37, n. 4, p. 986-996, Aug. 2013. Available from . access on 18 June 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-06832013000400016.

VESTENA, L. R.; KOBIYAMA, M.; SANTOS, L. J. C. Considerações Sobre Gestão Ambiental em Áreas Carste. Raega, v. 4, n. 6, p. 81–94, 2002.

YOUNG, R. W. Tower Karst in Sandstone: Bungle Bungle massif, northwestern Australia. Zeitschrift für Geomorphologie. Berlin – Stuttgart, 30 (2): 189-202. (1986)

YOUNG, I.M.,CRAWFORD,J.W., Interaction sand self-organization in the soil- microbe complex. Science 304,1634–1637. 2004.

WHITE, W.B. 1988. Geomorphology and hydrology of karst terrains. New York, Oxford University Press, 464 pp.

WILLEMS, L.; COMPÈRE, P.; HATERT, F.; POUCLET, A.; VICAT, J. P.; EK, C.; BOULVAIN, F. Karst in granitic rocks, south Cameroon: Cave genesis and silica and taranakite speleothems. Terra Nova, Oxford, n. 14, p. 355-362. (2002)

USGS, Science for changing world, The Water Cycle, Disponível em: Acesso em: 10 de Abril de 2018.

ZHANG, L.; NAN, Z.; YU, W.; ZHAO, Y.; XU, Y. Comparison of baseline period choices for separating climate and land use/land cover change impacts on watershed hydrology using distributed hydrological models. Science of the Total Environment, v. 622–623, n. May, p. 1016–1028, 2018.




DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v13.07.p%25p

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License