Arborização urbana dominada por espécies exóticas em um país megadiverso: falta de planejamento ou desconhecimento?
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v16.3.p1304-1375Palavras-chave:
Paisagens urbanas, Infraestrutura Verde, Cidades Sustentáveis, Revisão Sistemática, Biodiversidade.Resumo
Informações qualiquantitativas acerca da arborização são fundamentais para subsidiar um planejamento urbano sustentável. Buscou-se com esse trabalho a obtenção de um panorama da arborização urbana em cidades brasileiras, por meio de uma revisão sistemática de literatura (metodologia PRISMA 2020) focando principalmente nas espécies utilizadas na arborização e nos principais problemas registrados em artigos científicos publicados até março de 2022. Foram obtidos 2.486 artigos, sendo selecionados 197. Destacam-se o Sudeste (29%) e o Sul (28%) em número de publicações. Foram encontrados 1.079 táxons, com 938 identificados até o nível de espécies. Das 109 famílias registradas, destaca-se Fabaceae (19%). Quanto à origem das espécies, 54% são nativas e 46% são exóticas, porém constatou-se que das 10 espécies mais utilizadas, 80% são de exóticas e 20% de nativas. As espécies exóticas Ficus benjamina (fígueira) e Mangifera indica (mangueira) apresentaram maior frequência de citação (70%). O Índice de Diversidade de Shannon (H'= 4,115) apontou alta diversidade de espécies. Verificou-se predominância de problemas relacionados ao manejo inadequado da arborização urbana ou falta de planejamento adequado (33%). Observa-se que a arborização urbana no Brasil dispõe de um número alto de espécies nativas conhecidas, mas predomina o uso de exóticas, levando a uma repetição das paisagens urbanas brasileiras. É preciso ainda avançar no planejamento urbano cuja arborização possa minimizar o conflito com a infraestrutura, facilitar o manejo, integrar-se com a biodiversidade local e proporcionar conforto ambiental às cidades.
Palavras-chave: paisagens urbanas; infraestrutura verde; cidades sustentáveis; revisão sistemática; biodiversidade
Urban afforestation dominated by exotic species in a megadiverse country: lack of planning or knowledge?
A B S T R A C T
Qualitative and quantitative information about afforestation is essential to subsidize sustainable urban planning. This work sought to obtain an overview of the urban forestry in Brazilian cities, through a systematic literature review (PRISMA 2020 methodology) focusing mainly on the species used in afforestation and the main problems recorded in scientific articles published up to March 2022. 2,486 articles were obtained, of which 197 were selected. The Southeast (29%) and South (28%) stand out in number of publications. A total of 1,079 taxa were found, with 938 identified to the species level. Of the 109 registered families, Fabaceae stands out (19%). As for the origin of the species, 54% are native and 46% are exotic, but it was found that of the 10 most used species, 80% are exotic and 20% are native. The exotic species Ficus benjamina (fig tree) and Mangifera indica (hose) had the highest citation frequency (70%). The Shannon Diversity Index (H'= 4.115) indicated high species diversity. There was a predominance of problems related to inadequate management of urban trees or lack of adequate planning (33%). It is observed that urban forestry in Brazil has a high number of known native species, but the use of exotic species predominates, leading to a repetition of Brazilian urban landscapes. It is still necessary to advance in urban planning whose afforestation can minimize the conflict with the infrastructure, facilitate the management, integrate with the local biodiversity and provide environmental comfort to the cities.
Keywords: urban landscapes; green infrastructure; sustainable cities; systematic review; biodiversity.
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