Arborização urbana dominada por espécies exóticas em um país megadiverso: falta de planejamento ou desconhecimento?

Autores

  • Laylane Pinheiro Alves Programa de Pós Graduação em Ciências e Tecnologias Ambientais, Universidade Federal da Bahia/Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Sosígenes Costa/Campus Porto Seguro – BA
  • Jorge Antonio Silva Costa Programa de Pós Graduação em Ciências e Tecnologias Ambientais, Universidade Federal da Bahia/Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Sosígenes Costa/Campus Porto Seguro – BA; Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas, Núcleo de Pesquisa ConBioS, Herbário Prof. Geraldo C.P. Pinto (GCPP), Centro de Formação em Ciências Ambientais, Universidade Federal do Sul da Bahia.
  • Cristiana Barros Nascimento Costa Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas, Núcleo de Pesquisa ConBioS, Laboratório de Botânica, Centro de Formação em Ciências Ambientais, Universidade Federal do Sul da Bahia.

DOI:

https://doi.org/10.26848/rbgf.v16.3.p1304-1375

Palavras-chave:

Paisagens urbanas, Infraestrutura Verde, Cidades Sustentáveis, Revisão Sistemática, Biodiversidade.

Resumo

Informações qualiquantitativas acerca da arborização são fundamentais para subsidiar um planejamento urbano sustentável. Buscou-se com esse trabalho a obtenção de um panorama da arborização urbana em cidades brasileiras, por meio de uma revisão sistemática de literatura (metodologia PRISMA 2020) focando principalmente nas espécies utilizadas na arborização e nos principais problemas registrados em artigos científicos publicados até março de 2022. Foram obtidos 2.486 artigos, sendo selecionados 197. Destacam-se o Sudeste (29%) e o Sul (28%) em número de publicações. Foram encontrados 1.079 táxons, com 938 identificados até o nível de espécies. Das 109 famílias registradas, destaca-se Fabaceae (19%). Quanto à origem das espécies, 54% são nativas e 46% são exóticas, porém constatou-se que das 10 espécies mais utilizadas, 80% são de exóticas e 20% de nativas. As espécies exóticas Ficus benjamina (fígueira) e Mangifera indica (mangueira) apresentaram maior frequência de citação (70%). O Índice de Diversidade de Shannon (H'= 4,115) apontou alta diversidade de espécies. Verificou-se predominância de problemas relacionados ao manejo inadequado da arborização urbana ou falta de planejamento adequado (33%). Observa-se que a arborização urbana no Brasil dispõe de um número alto de espécies nativas conhecidas, mas predomina o uso de exóticas, levando a uma repetição das paisagens urbanas brasileiras. É preciso ainda avançar no planejamento urbano cuja arborização possa minimizar o conflito com a infraestrutura, facilitar o manejo, integrar-se com a biodiversidade local e proporcionar conforto ambiental às cidades.

Palavras-chave: paisagens urbanas; infraestrutura verde; cidades sustentáveis; revisão sistemática; biodiversidade                                                                                                                         

Urban afforestation dominated by exotic species in a megadiverse country: lack of planning or knowledge?

 

A B S T R A C T

Qualitative and quantitative information about afforestation is essential to subsidize sustainable urban planning. This work sought to obtain an overview of the urban forestry in Brazilian cities, through a systematic literature review (PRISMA 2020 methodology) focusing mainly on the species used in afforestation and the main problems recorded in scientific articles published up to March 2022. 2,486 articles were obtained, of which 197 were selected. The Southeast (29%) and South (28%) stand out in number of publications. A total of 1,079 taxa were found, with 938 identified to the species level. Of the 109 registered families, Fabaceae stands out (19%). As for the origin of the species, 54% are native and 46% are exotic, but it was found that of the 10 most used species, 80% are exotic and 20% are native. The exotic species Ficus benjamina (fig tree) and Mangifera indica (hose) had the highest citation frequency (70%). The Shannon Diversity Index (H'= 4.115) indicated high species diversity. There was a predominance of problems related to inadequate management of urban trees or lack of adequate planning (33%). It is observed that urban forestry in Brazil has a high number of known native species, but the use of exotic species predominates, leading to a repetition of Brazilian urban landscapes. It is still necessary to advance in urban planning whose afforestation can minimize the conflict with the infrastructure, facilitate the management, integrate with the local biodiversity and provide environmental comfort to the cities.

Keywords: urban landscapes; green infrastructure; sustainable cities; systematic review; biodiversity.

                                                                                                                           

 

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Biografia do Autor

Laylane Pinheiro Alves, Programa de Pós Graduação em Ciências e Tecnologias Ambientais, Universidade Federal da Bahia/Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Sosígenes Costa/Campus Porto Seguro – BA

Mestranda em Ciências e Tecnologias Ambientais pela Universidade Federal do Sul da Bahia, pós-graduada em Engenharia de Segurança do Trabalho e graduada em Engenharia Florestal, ambas pela Faculdade Pitágoras de Teixeira de Freitas. Atualmente é técnico-administrativa da Divisão de Licenciamento Ambiental, Fiscal de Contratos na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Teixeira de Freitas, e Secretária Executiva do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente.

Jorge Antonio Silva Costa, Programa de Pós Graduação em Ciências e Tecnologias Ambientais, Universidade Federal da Bahia/Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, Campus Sosígenes Costa/Campus Porto Seguro – BA; Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas, Núcleo de Pesquisa ConBioS, Herbário Prof. Geraldo C.P. Pinto (GCPP), Centro de Formação em Ciências Ambientais, Universidade Federal do Sul da Bahia.

Possui Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Católica do Salvador (1997), mestrado em Biologia Vegetal pela possui Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Católica do Salvador (1997), mestrado em Biologia Vegetal pela Universidade Federal da Bahia (2000) e doutorado em Botânica pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2007). Atuou como professor Assistente e Adjunto na Universidade Federal da Bahia?UFBA (2006-2013); na Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB 2013-2014) e como professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais PPGCA/UFBA/UFOB (2010-2015). Coordenou o Curso de Ciências Biológicas do Campus Prof. Edgard Santos da UFBA em duas gestões (2006-2008; 2009-2011) e compôs a Comissão de Elaboração do Projeto Pedagógico do Curso, nas modalidades Licenciatura e Bacharelado. Foi Coordenador do Núcleo Bahia da Rede ComCerrado do MCTI, atuando nas pesquisas utilizando parcelas RAPELD/PPBio. Implantou o Herbário BRBA da UFBA/UFOB Atualmente é professor Associado II do Centro de Formação em Ciências Ambientais do Campus Sosígenes Costa (CSC) da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB, desde 2014) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias Ambientais da UFSB/IFBA (desde 2017). Foi Diretor pró-tempore do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC) do CSC da UFSB (2014-2015); Assessor para implantação do Jardim Botânico da UFSB (2015-2016); Diretor pró-tempore do Centro de Formação em Ciências Ambientais (2016-2017); e, Coordenador do Curso de Bacharelado Interdisciplinar em Ciências do CSC/UFSB (2017-2018). Membro das Comissões de Elaboração dos Projetos Pedagógicos dos Cursos da UFSB (2014-2016): Bacharelado Interdisciplinar (BI) em Ciências, BI em Saúde e Bacharelado em Ciências Biológicas. Na Graduação, ministra Componentes Curriculares de Sistemática vegetal, Sistemática Filogenética, Biogeografia, Projeto Integrador e Evolução; na Pós-Graduação, é responsável pelas disciplinas de Diversidade da Flora da Mata Atlântica e Biogeografia e Conservação. Coordena o Núcleo de Pesquisa em Conservação da Flora, Biologia Evolutiva e Sustentabilidade (Núcleo ConBioS) e está como Líder do Grupo de Pesquisa ConserBio (Conservação da Biodiversidade Vegetal e Sustentabilidade) do CNPq/UFSB. Curador do Herbário Prof. Geraldo C.P. Pinto (GCPP) e Coordenador do Jardim Botânico FLORAS da UFSB. É membro do corpo editorial do periódico Paubrasilia e revisor de periódicos nacionais e internacionais. Orientou 11 dissertações de mestrado (7 como orientador principal) e 17 Trabalhos de Conclusão de Curso. Publicou 17 artigos científicos, 2 Livros, 7 Capítulos de Livro e 60 resumos em Anais de Congressos. Atua na Área de Ciências Ambientais com ênfase em Conservação da Biodiversidade e Sustentabilidade. Tem experiência em Sistemática e Filogenia de Plantas, Biogeografia, Biossistemática e Ecologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Taxonomia, Evolução e Biogeografia de Detarioideae (Leguminosae); Levantamento Florístico; Inventário Florestal; Fitogeografia; Sistemática integrativa (nas linhas de genética de populações, biologia molecular, morfometria e polinização); Flora Neotropical; Botânica Econômica; recuperação, biomonitoramento e ecologia de comunidades vegetais em Restinga e Floresta. Contato: jcosta@ufsb.edu.br; Mais informações: https://sites.google.com/view/conbios/home

Cristiana Barros Nascimento Costa, Curso de Bacharelado em Ciências Biológicas, Núcleo de Pesquisa ConBioS, Laboratório de Botânica, Centro de Formação em Ciências Ambientais, Universidade Federal do Sul da Bahia.

Possui graduação em Nutrição pela Universidade Federal da Bahia (1998), graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Católica do Salvador (2000), mestrado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Bahia (2002). e doutorado em Botânica pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2007). Foi professora adjunto da Universidade do Estado da Bahia - Campus IX- Barreiras (2009) e da Universidade Federal da Bahia - ICADS - Barreiras (2010). Atualmente é professora Associada I da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), Centro de Ciências Ambientais (2014). Foi Coordenadora do Bacharelado Interdisciplinar em Ciências (2014-2015) e VIce- coordenadora do Curso de Ciências Biológicas (2017-2018). Membro das Comissões de Elaboração dos Projetos Pedagógicos dos Cursos da UFSB (2014-2016): Bacharelado Interdisciplinar (BI) em Ciências e Bacharelado em Ciências Biológicas. Atualmente é membro do Núcleo Docente Estruturante destes dois cursos. Na Graduação, ministra Componentes Curriculares de Morfologia vegetal, Sistemática de Plantas sem sementes. Membro do Núcleo de Pesquisa em Conservação da Flora, Biologia Evolutiva e Sustentabilidade (Núcleo ConBioS) e faz parte do corpo editorial do periódico Paubrasilia. Tem experiência na área de Botânica e Ecologia, com ênfase em Morfologia vegetal e Biologia Reprodutiva, atuando principalmente nos seguintes temas: sistema reprodutivo, serviços ambientais, biologia floral, ecologia da polinização, isolamento reprodutivo e fenologia.

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Publicado

2023-06-01

Como Citar

Pinheiro Alves, L., Silva Costa, J. A., & Barros Nascimento Costa, C. (2023). Arborização urbana dominada por espécies exóticas em um país megadiverso: falta de planejamento ou desconhecimento?. Revista Brasileira De Geografia Física, 16(3), 1304–1375. https://doi.org/10.26848/rbgf.v16.3.p1304-1375

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