Estrutura de comunidades herbáceas em áreas com diferentes períodos de regeneração natural no semi-árido brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26848/rbgf.v17.6.p4372-4386

Palavras-chave:

Dry forests, Plant Community, Forest Regeneration, Biomass, Species Diversity.

Resumo

A composição de espécies e a estrutura da floresta podem mudar devido à perturbação humana. Mudanças no componente arbóreo em florestas em regeneração têm sido frequentemente determinadas, mas os dados sobre o componente herbáceo são menos disponíveis, especialmente os de florestas tropicais secas, apesar de sua importância ecológica e econômica. Assim, testamos as seguintes hipóteses: (1) a riqueza e diversidade de espécies herbáceas são maiores, mas as biomassas são menores em áreas com períodos de regeneração mais longos; e (2) o componente herbáceo acima do solo é restrito à estação chuvosa, e a diversidade de espécies, densidade de plantas e biomassa variam com diferentes padrões ao longo desta estação. Quatro períodos de regeneração foram analisados: 2 anos (R2), 17 anos (R17), 39 anos (R39) e mais de 60 anos (caatinga madura) após a descontinuação do pasto plantado. O componente herbáceo começou a crescer após o início da estação chuvosa (janeiro) e desapareceu em julho após o período de chuvas. A riqueza e a densidade de plantas foram maiores em março, enquanto a biomassa foi maior em abril e maio. A caatinga madura e R39 apresentaram a maior riqueza de espécies herbáceas (61 espécies), mas as menores biomassas (167 e 98 g m-2), ocorrendo o contrário em R2 (48 e 381 g m-2). A diversidade alfa foi maior na caatinga madura, mas a diversidade beta foi maior em R17. Como resultado, a diversidade herbácea aumentou enquanto a densidade de plantas e a biomassa diminuíram com o aumento do período de regeneração.

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Publicado

2024-10-07

Como Citar

da Silva, B. L. R., Tavares, F. M., Sampaio, E. V. de S. B., Souza, J. R. B. de, Althoff, T. D., & Almeida, J. S. (2024). Estrutura de comunidades herbáceas em áreas com diferentes períodos de regeneração natural no semi-árido brasileiro. Revista Brasileira De Geografia Física, 17(6), 4372–4386. https://doi.org/10.26848/rbgf.v17.6.p4372-4386

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