Ambiente associado à gênese do ciclone Yakecan em maio de 2022 no Oceano Atlântico Sul
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.6.p4236-4251Palavras-chave:
ciclone subtropical, processos diabáticos, Atlântico SulResumo
No mês de maio de 2022 um ciclone ocorrido no sudoeste do oceano Atlântico Sul, ao adquirir características de subtropical, recebeu o nome de Yakecan pela Marinha do Brasil. Como há pouca ocorrência de ciclones subtropicais no Atlântico Sul, quando esses sistemas são registrados, é necessário estudos que investiguem os processos físicos associados à sua gênese. Diante disso, o presente estudo, através da utilização da reanálise ERA5, descreve o ambiente que favoreceu a gênese e desenvolvimento do ciclone Yakecan. A análise dos campos de pressão ao nível médio do mar (PNMM) e vento em 850 hPa indicam que, às 1200 Z do dia 16 de maio de 2022, a junção de dois ciclones no Atlântico Sul deram origem a um novo sistema que foi o precursor do Yakecan. Nesse horário, o ciclone ainda não era subtropical, já que o parâmetro de assimetria térmica não cumpria o limiar estabelecido na classificação de sistema subtropical. Entretanto, das 1800 Z do dia 16 às 1800 Z do dia 19, o sistema foi classificado como subtropical. O ambiente em que ocorreu a junção dos dois ciclones foi marcado por fraca baroclínia, portanto, com fraco cisalhamento vertical do vento horizontal (200-850 hPa). Isso favoreceu a organização da convecção e desenvolvimento do sistema subtropical
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