Transformação urbana e habitabilidade
Efeitos sociais de uma dinamização imobiliária fragmentária em bairros consolidados
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.6.p4581-4598Palavras-chave:
Habitabilidade, Valorização Imobiliária, Transformação Urbana, Área central, Impactos SocioeconômicosResumo
A cidade é constituída como uma malha urbana descontínua, composta por diversos fragmentos distintos. Apresentando áreas de relativa estabilidade, que pouco se transformam com o passar do tempo, e setores em constante transformação, onde se acentuam os contrastes dos padrões construtivos e de usos do solo, a cidade traz uma narrativa sobre a história da sua constituição. O bairro de Santo Amaro, no Recife, apresenta setores urbanos que exemplificam tempos históricos mais lentos, com estabilidade do padrão morfotipolótico, e setores dinâmicos, em transformação. Desde os anos 2010, intensificou-se a produção imobiliária vertical na frente d’água deste bairro, com a construção de empreendimentos residenciais que alteram significativamente a paisagem urbana e a dinâmica populacional. Paralelamente, setores tradicionais do bairro, como as antigas Vilas Populares e as ZEIS, permanecem relativamente estáveis, enfrentando os impactos indiretos da valorização imobiliária da sua vizinhança. Esse estudo retoma a investigação, iniciada em 2020, sobre a percepção dos "antigos residentes" em relação à transformação de suas vizinhanças para, a partir da análise dos dados do censo 2022, refletir sobre as repercussões sociais de uma dinamização imobiliária fragmentária em bairros consolidados. Sob a ótica da “habitabilidade”, o artigo discute como a transformação urbana influencia a percepção e valorização de contextos habitacionais mais antigos e, ao evidenciar o aumento populacional entre 2010 e 2022 apenas nas áreas de novos empreendimentos, enquanto outros setores de ocupação mais estável perdem residentes, respalda a discussão sobre a obsolescência simbólica de imóveis antigos diante da produção de novas espacialidades.
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