“VOZES INDIRETAS”: IMAGINÁRIO AFROCENTRADO DAS ÁGUAS DOS OCUPANTES DA REGIÃO DE PELOTAS – RS

Cláudio Baptista Carle

Resumo


As vozes indiretas, que trata este artigo são as vozes das águas, que são quebradas pelas insistências na negação das mesmas na cidade de Pelotas-RS. A linguagem poética no mundo da interação dos/as humanos/as com as águas, no Sul do Brasil, transita pelas premissas fecundantes do imaginário, nos mitos dos fluidos caminhos das águas, que constituem essa região. Mergulho na aura do Imaginário do Círculo de Eranos, como aporte necessário para compreender a mítica culturalmente fermentadora das impressões do vivido, dos africanos e descendentes que se constituíram na região. Desenvolvo a escuta desse espaço experimental, na confluência do que ainda não foi investigado, que se apresentam nos sentidos de quem vive na região, eu como um transeunte e como um investigador habilitado nas artes da ciência humana moderna. O resultado preliminar dessa experiência é a própria interpretação redundante no texto em apresentação.

Palavras-chave


águas, afrocentricidade, imaginário, Pelotas

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DOI: https://doi.org/10.32359/debin2019.v2.n8.p263-264



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