COMUNIDADES NEGRAS QUILOMBOLAS: A AGONIA DE UM MOVIMENTO SOCIAL ABANDONADO PELO ESTADO

Adelmir Fiabani

Resumo


O impeachment de Dilma Rousseff oportunizou a chegada do vice-presidente Michel Temer ao poder. Apoiado por parlamentares ligados ao latifúndio e defensores do neoliberalismo, Temer aprovou medidas que afetou os remanescentes das comunidades de quilombos. Em 2018, Jair Bolsonaro venceu as eleições e prometeu um 'governo de direita'. Na verdade, trata-se de política com ataques aos direitos sociais - coletivos e individuais. Bolsonaro e sua equipe não têm intenção de titular as terras quilombolas. A maioria destas comunidades não possui o título da terra, direito conquistado na Constituição de 1988. São mais de 6.000 comunidades que vivem de incertezas, muitas correm o risco de desaparecer. A não titulação das terras das comunidades quilombolas representa o aniquilamento deste movimento social, que sofre com a ação dos grileiros, espertalhões e fazendeiros. Pretende-se discutir a relação do Estado com as comunidades quilombolas e perspectivas de titulação na atual conjuntura.


Palavras-chave


Remanescentes de quilombo. Terra. Negros. Movimentos sociais.

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DOI: https://doi.org/10.32359/debin2019.v2.n8.p126-143



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