A LUTA PELA TERRA E A EDUCAÇÃO DO CAMPO: O CASO DO ASSENTAMENTO ZÉ MARCOLINO NO CARIRI PARAIBANO

Geovânio Lima Batista, Maria Socorro Silva

Resumo


A luta pela terra no Brasil inicia-se desde a nossa colonização com a formação do latifúndio e a exploração de negros e índios, isso se aprofunda com a constituição do campesinato espoliado pela opressão e da terra pelas oligarquias agrárias. Através do processo de organização dos trabalhadores e trabalhadoras do campo, a luta pela reforma agrária, tornou-se uma bandeira central ao longo dos tempos. Na década de 1990, observamos no País a luta pela terra se articular cada vez mais com a luta pela Educação, e daí emergir a concepção da Educação do Campo, como contraposição ao modelo hegemônico de escola existente no meio rural. Esse processo vai ocorrer também no Assentamento Zé Marcolino no Cariri Paraibano, objeto do nosso estudo, que teve como objetivo geral identificar a formação e organização do Assentamento na luta pela terra e pela escola, e qual a percepção que os diferentes sujeitos: lideranças, professoras e assentados tem sobre a organização e a escola. A abordagem qualitativa na perspectiva descritiva (Minayo, 1996), orientou todo o percurso metodológico num diálogo permanente com o método dialético. O que identificamos é que a luta pela educação do campo tem possibilitado, através da organização do Assentamento e do protagonismo das mulheres, gerar grandes transformações na comunidade, que conseguiu construir sua própria escola, através de parceria e da formação de mutirões o acesso a uma educação contextualizada, vinculando sua prática ao universo da cultura da comunidade.


Palavras-chave


Luta pela Terra; Educação do Campo; Organização Social; Assentamento Zé Marcolino.

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DOI: https://doi.org/10.32359/debin2019.v2.n6.p38-71



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