Petrografia e evolução diagenética dos arenitos da formação Tacaratu, bacia de Mirandiba, Nordeste do Brasil

Autores

  • Zenilda Vieira Batista Centro de Tecnologia, Engenharia de Petróleo, Universidade Federal de Alagoas, Av. Lourival Melo Mota, s/n, Tabuleiro do Martins, 57072-900 Maceió, AL, Brasil
  • João Vicente Calandrini Azevedo Programa de Pós-Graduação em Geociências, Centro de Tecnologia e Geociências, Laboratório de Geologia Sedimentar e Ambiental, Universidade Federal de Pernambuco, Av. da Arquitetura, s/n, Cidade Universitária, 50740-550 Recife, PE, Brasil
  • Emmanuel Franco Neto Programa de Pós-Graduação em Geociências, Centro de Tecnologia e Geociências, Laboratório de Geologia Sedimentar e Ambiental, Universidade Federal de Pernambuco, Av. da Arquitetura, s/n, Cidade Universitária, 50740-550 Recife, PE, Brasil
  • Sônia Maria Agostinho da Silva Laboratório de Geologia Sedimentar e Ambiental, Departamento de Geologia, Centro de Tecnologia e Geociências, Universidade Federal de Pernambuco, Av. da Arquitetura, s/n, Cidade Universitária, 50740-550 Recife, PE, Brasil
  • Carlos Alves Moreira Junior Programa de Pós-Graduação em Geociências, Centro de Tecnologia e Geociências, Laboratório de Geologia Sedimentar e Ambiental, Universidade Federal de Pernambuco, Av. da Arquitetura, s/n, Cidade Universitária, 50740-550 Recife, PE, Brasil.
  • Mário Ferreira Lima Filho Laboratório de Geologia Sedimentar e Ambiental, Departamento de Geologia, Centro de Tecnologia e Geociências, Universidade Federal de Pernambuco, Av. da Arquitetura, s/n, Cidade Universitária, 50740-550 Recife, PE, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.51359/1980-8208/estudosgeologicos.v32n1p25-52

Palavras-chave:

Formação Tacaratu, Petrografia, Diagênese, Arenitos reservatórios

Resumo

A Formação Tacaratu, que representa a unidade basal da Bacia de Mirandiba, compõe o principal aquífero de água subterrânea da região central do Estado de Pernambuco. A petrologia e petrografia dos arenitos que constitui esta unidade ainda são pouco conhecidas, principalmente no que se refere aos processos e constituintes diagenéticos que atuaram sobre essas rochas, modificando e alterando sua composição original e porosidade primária. Desta forma, este trabalho tem como objetivo fazer uma caracterização petrográfica e de evolução diagenética dos arenitos da Formação Tacaratu, e inferir o impacto dos constituintes diagenéticos na qualidade dos arenitos estudados enquanto reservatórios de fluidos. A partir da descrição de lâminas petrográficas e análise em Microscópio Eletrônico de Varredura (MEV), foram identificados aspectos texturais, composicionais, diagenéticos e tipos de poros presentes. Nestes arenitos predominam grãos tamanho areia fina a grossa, por vezes, areia muito grossa, com seleção variando de moderada a mal selecionada; os grãos são subangulosos a subarredondados e arredondados, com predomínio do segundo. A composição original desses arenitos corresponde principalmente à subarcóseos e arcóseos, com uma leve tendência para uma constituição mais quartzosa, devido a forte dissolução de feldspatos e fragmentos líticos. As composições modais são indicativas de proveniência de ambientes tectônicos de Cráton Interior e Continental Transicional, sugerindo fontes primárias compostas predominantemente por rochas metamórficas seguidas de rochas ígneas. Essas rochas apresentam uma porosidade média de 20%, podendo chegar a 30% (dados de média aritimétrica), sendo representada por poros primários intergranulares (predominando) e, subordinadamente, secundários, essencialmente de dissolução de grãos detríticos, seguido de poros de fratura de grãos. Grãos de quartzo, feldspatos e fragmentos líticos intensamente fraturados, dissolvidos e, às vezes, com aspecto milonitizados, além de bandas de deformação, são encontrados nas amostras localizads próxima à zona de cisalhamento. Estas características permitem inferir que as zonas de cisalhamento local influenciaram na mudança das características petrofísicas dos arenitos estudados nessa região. Desse modo, o estudo revelou que essas deformações contribuíram para alterar a composição e porosidade original dos arenitos Tacaratu da Bacia de Mirandiba. Foram identificados processos diagenéticos dos três estágios: eodiagênese, mesodiagênese e telodiagênse. Contudo, evidências diagenéticas mostram que a porosidade desses arenitos foi reduzida e produzida durante a fase da eodiagênese (inicial até a final). Os principais processos que reduziram a porosidade primária foram: cimentação por óxido-hidróxido de ferro e crescimentos secundários de quartzo; e infiltração mecânica de argila. No entanto, a porosidade também foi produzida, pois na maioria das amostras ocorrem poros associados à dissolução,originados pela dissolução total e parcial de grãos de feldspatos, fragmentos líticos e minerais pesados (biotita, anfibólio e rutilo), conferindo um efeito positivo na porosidade dessas rochas. Embora os processos e constituintes diagenéticos tenham exercido modificações na porosidade original desses depósitos, eles ainda apresentam boa qualidade para armazenar fluidos (água, gás ou óleo), visto que ainda apresentam boa porosidade e conexão entre os poros.

Referências

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Publicado

2022-09-27

Como Citar

Batista, Z. V., Azevedo, J. V. C., Neto, E. F., da Silva, S. M. A., Moreira Junior, C. A., & Lima Filho, M. F. (2022). Petrografia e evolução diagenética dos arenitos da formação Tacaratu, bacia de Mirandiba, Nordeste do Brasil. Estudos Geológicos, 32(1), 25–52. https://doi.org/10.51359/1980-8208/estudosgeologicos.v32n1p25-52

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