Invisibilidade e marginalização étnico-social dos povos indígenas no processo histórico de formação do Brasil: uma análise à luz de Iracema

Lais Lima de Souza, Rhuan Carlos Rodrigues da Silva, Verônica Amado Reis

Resumo


Em 2008, com a Lei 11.645, a história e cultura dos povos nativos do Brasil passaram a ser incluídas no currículo escolar. No entanto, a figura do indígena continua sendo vista como algo exótico, distante, parte de um passado colonial e de formação do território brasileiro, de forma que os indígenas não são reconhecidos como integrantes legítimos da sociedade brasileira contemporânea. Dada, portanto, a importância do resgate da autenticidade e do papel social desses grupos étnicos, este estudo aponta para a sub-representação do indígena na literatura brasileira, considerando a literatura como espaço para a ideação do outro e disseminação de culturas. Objetiva-se incentivar a valorização da literatura indígena – na qual o índio é o agente da narrativa – com o intuito de desconstruir a imagem homogênea e distorcida dos povos nativos, que foi formada a partir da perspectiva unilateral do branco colonizador. Toma-se como base a análise do indianismo amplamente difundido de José de Alencar, com enfoque em Iracema, sendo essa obra parte do projeto de criação de uma identidade nacional pela elite letrada do século XIX, da qual Alencar era membro. Sua retratação do índio como o “bom selvagem”, que é submisso e se sacrifica para o bem do colonizador, contribui substancialmente para a invisibilidade social dos grupos indígenas de nosso país.

Palavras-chave: Iracema; José de Alencar; Identidade nacional; Indianismo; Sub-representação dos indígenas.


Palavras-chave


Literatura

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