Os trocados da máquina mercante: as vozes do (neo)barroco
Palavras-chave:
Barroco, Neobarroco, Gregório de Matos, Mapa de Lopo Homem II.Resumo
Este ensaio realiza uma análise do soneto “À cidade da Bahia”, atribuído a Gregório de Matos, a fim de refletir, ancorado em Averini (1997), acerca da tropicalidade do barroco manifestada no microcosmo baiano e da contemporaneidade de suas discussões, sobretudo diante dos permanentes resquícios da conjuntura colonial na sociedade brasileira. Nesse ponto, o trabalho dialoga com o neobarroco, guiado pelas contribuições de Sarduy (1972), para pensar na possibilidade de vozes e óticas outras, cuja reverberação permite refletir criticamente acerca da colonização. A partir da análise de Mapa de Lopo Homem II, arte plástica de Adriana Varejão, traçamos aspectos consonantes e dissonantes com a voz poética presente no poema atribuído a Matos. Como aporte teórico, o trabalho utiliza também de Bosi (1992), em particular seus estudos sobre Matos e a colonização, e de Coutinho (1994) para delinear alguns traços do estilo barroco; além de Schwarcz e Starling (2018), corroborando alguns fatores históricos, Quijano (2014) e Segato (2021) para a discussão de colonialidade.
Referências
ARARIPE JÚNIOR. Estilo tropical: a fórmula do naturalismo brasileiro. Sopro, panfleto político-cultura, [s.l.], n. 83, jan. 2013, p. 3-6. Disponível em: http://culturaebarbarie.org/sopro/n83pdf.html. Acesso em: 24 maio 2023.
AVERINI, Riccardo. Tropicalidade do Barroco. In: ÁVILA, Affonso (org.). Barroco: teoria e análise. São Paulo: Perspectiva, 1997. p. 23-29.
BOSI, Alfredo. Colônia, culto e cultura. In: BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p. 11-64.
BOSI, Alfredo. Do antigo estado à máquina mercante. In: BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992. p. 94-119.
COUTINHO, Afrânio. O Barroco. In: COUTINHO, Afrânio. Do Barroco: ensaios. Rio de Janeiro: Editora UFRJ; Tempo Brasileiro, 1994. p. 235-283.
GONZALEZ, Lélia. A mulher negra na sociedade brasileira: uma abordagem político econômica. In: GONZALEZ, Lélia. Organização de Flavia Rios e Márcia Lima. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020. p. 49-64.
GONZALEZ, Lélia. Racismo e sexismo na cultura brasileira. In: GONZALEZ, Lélia. Organização de Flavia Rios e Márcia Lima. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020. p. 75-93.
HOLANDA, Sérgio Buarque. Nossa Revolução. In: HOLANDA, Sérgio Buarque. Raízes do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. p. 201-224.
MATOS, Gregório de. À cidade da Bahia: soneto. In: MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. Seleção, prefácio e notas de José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 44.
OLIVEIRA, Leonardo Davino. Melos e Logos: Caetano Veloso e a crítica do domínio público na poesia atribuída a Gregório de Matos. Revista Criação e Crítica, [S. l.], v. 31, n. 31, p. 244-258, 2021. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/criacaoecritica/article/view/189325. Acesso em: 13 maio 2023.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del Poder, Eurocentrismo y América Latina. In: QUIJANO, Aníbal. Cuestiones y Horizontes: de la Dependencia Histórico-Estructural a la Colonialidad/Descolonialidad del Poder. Seleção e prólogo de Danilo Assis Clímaco. Buenos Aires: CLACSO, 2014. p. 777-832.
SARDUY, Severo. Barroco e neobarroco. In: UNESCO. América Latina em sua literatura. Tradução de Luiz João Gaio. São Paulo: Perspectiva, 1972. p. 161-178.
SCHWARCZ, Lilia Moritz; VAREJÃO, Adriana. Pérola imperfeita: a história e as histórias em Adriana Varejão. Rio de Janeiro: Editora Cobogó, 2014.
SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
SEGATO, Rita Laura. La estructura de género y el mandato de violación. In: SEGATO, Rita Laura. Las estructuras elementales de la violência. Bernal: Universidad Nacional de Quilmes, 2003. p. 21-53.
SEGATO, Rita. O sexo e a norma: frente estatal-empresarial-midiática-cristã. In: SEGATO, Rita. Crítica da colonialidade em oito ensaios: e uma antropologia por demanda. Tradução de Danú Gontijo e Danielli Jatobá. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2021. p. 85-120.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2023 Autor, concedendo à revista o direito à primeira publicação

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).