Diálogo com a ecologia em A duração do dia, de Adélia Prado

Marta Botelho Lira

Resumo


Este artigo tem como objetivo apresentar o modo como Adélia Prado, no livro de poemas A duração do dia, trata de forma poética a ecologia. A fundamentação teórica é respaldada, principalmente, na ideia de ecosofia, de Félix Guattari, no livro As três ecologias, pela qual ele discute a respeito da necessidade de os homens realizarem “uma articulação ético-política [...] entre os três registros ecológicos (o do ambiente, o das relações sociais e o da subjetividade humana)”, a fim de evitar o perigo da destruição que as transformações técnico-científicas têm provocado na sociedade e na natureza (GUATTARI, 1993, p. 8), reiteradas pelo pensamento de Leonardo Boff sobre ecoespiritualidade, sobre a urgência de ser humano reinventar a espiritualidade universal, onde homem, natureza e cosmo são experimentadas de maneira inseparável e de Michel Deguy a respeito da correspondência entre a poesia e a ecologia porque em ambas estão implicados o ser e o estar do homem no mundo.  Os poemas “Como um parente meu, um Riobaldo”, “Fosse o céu sempre assim” e “Da mesma fonte” fazem referência a essas questões, conforme se pretende demonstrar.


Palavras-chave


Adélia Prado; A duração do dia; ecosofia; ecoespiritualidade; poesia

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