A poesia antiescravista de Trajano Galvão de Carvalho: uma breve leitura de Sertanejas (1898)

Iariny de Fátima Uchôa Carvalho

Resumo


A fortuna literária do poeta maranhense Trajano Galvão de Carvalho (1830-1864) não se ressente da ausência de citações a seu nome. Contudo, mesmo apontado com frequência pelo caráter popular e antiescravagista de sua poesia lírica, mais de uma década antes de Castro Alves, a sua fortuna crítica não é ampla e pode ser resumida a repetições da recepção crítica ou do esboço biográfico já traçados por autores como Silvio Romero ou Antônio Henriques Leal. Tendo em vista a escassez de estudos mais consistentes debruçados sobre a obra de Trajano Galvão, o presente trabalho possui como objetivo principal estudar e situar a poesia do poeta maranhense no panorama da literatura romântica brasileira a partir da revisão bibliográfica do autor, com a finalidade de contribuir com a reinserção de sua poesia nos estudos literários. Aportado sobre a obra póstuma Sertanejas (1898), nosso estudo volta-se para a análise temática dos poemas autorais presentes na obra, tendo em vista o pioneirismo de Trajano Galvão na abordagem temática antiescravista na poesia lírica brasileira. Poeta pertencente ao nosso romantismo, percebemos que sua obra mostra-se alinhada com a produção lírica do Brasil até então. Diante da análise feita, a obra de Trajano Galvão consagra o autor como um expoente na literatura brasileira que tem o potencial de lançar novas luzes sobre a poesia romântica brasileira, entre as chamadas segunda e terceira gerações.

 


Palavras-chave


historiografia literária; poesia; Romantismo; antiescravismo

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