Marcas de oralidade na obra Quarto de despejo: o diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus

Adiel Bernardo da Silva, Caio José Campos da Silva, Gabrielle Claudino da Silva

Resumo


Neste artigo, no qual aborda as marcas de oralidade no livro de Carolina de Jesus, objetivou-se analisar os processos fonológicos de maior ocorrência na obra “Quarto de despejo: o diário de uma favelada”, que foi publicada em forma de diário, em 1960. Pretende-se, com esta análise, compreender em quais contextos ocorrem os processos fonológicos na escrita da autora, haja vista que sua baixa escolaridade pode ter influenciado tal ocorrência durante a produção do texto. Para tal, nos fundamentamos nas teorias de Bagno (2002), Chomsky e Lasnik, (1993), Engelbert (2012), Faraco (2002), Gnerre (1991), Marcuschi e Dionísio (2005), Morais (2009), Roberto (2016) e Silva (2003). Os resultados obtidos demonstram a presença de traços da fala em sua escrita. Além disso, em meio a variados processos fonológicos presentes na obra, a ditongação é o fenômeno fonológico mais recorrente na escrita da autora.


Palavras-chave


processos fonológicos; relação fala/escrita; normas linguísticas.

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