Parâmetros Físicos e Químicos de Referência em Solos de Unidades de Conservação Florestal da Bacia do Paraná 3, Brasil (Physical and Chemical Parameters of Reference Soils in Forest Conservation Units of the Paraná Basin 3, Brazil)
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v10.6.p099-113Palavras-chave:
Caracterização física e química, solo, parâmetros de referência.Resumo
A caracterização de parâmetros pedológicos padrão em solos de florestas, isentos de contaminação antropogênica, é importante, pois permite que as variáveis analisadas possam servir como nível de base natural de uma determinada região. Em um país de extensão tão grande como o Brasil, com diferentes climas, relevos e vegetação, cada estado deveria buscar, independentemente, seus valores próprios de referência com relação às características dos solos. Com o objetivo de obter informação de base sobre as propriedades físicas e químicas do solo na Bacia do Paraná 3 (BP3), 73 amostras de solos foram coletadas em Unidades de Conservação e Remanescentes Florestais. As amostras foram secas ao ar, a textura e os atributos químicos, pH em água; carbono orgânico (CO), K+, Na+, Ca2+, Mg2+, Al3+, H+Al, e P foram determinados (EMBRAPA, 1997). A partir dos resultados obtidos foram calculados a capacidade de troca de cátions (CTC) em pH 7 e porcentagem de saturação por bases (V%). Os dados obtidos foram avaliados estatisticamente através da Análise de Componentes Principais que mostrou a separação das amostras em três grupos distintos conforme suas similaridades. Dentre as características estudadas foi possível verificar predominância das classes Latossolo, Nitossolo e Neossolo, que juntas, somaram cerca de 92% do total das amostras. O pH das amostras variou de fortemente a moderadamente ácido. Grande parte das amostras mostraram uma associação negativa entre o conteúdo de argila e a CTC. Os solos da BP3 apresentaram teores médios de CO na ordem de 23,60 g/Kg e associação positiva com a CTC.
ABSTRACT
The characterization of standard pedological parameters in forests soils, free of anthropogenic contamination is important, because it allows that variables analyzed serve as the natural base level of a given region. In a country as large as Brazil, with different climates, reliefs and vegetation, each state should seek independently its own reference values in relation to the characteristics of the soils. In order to obtain basic information about s physical and chemical soil properties in the Paraná Basin 3 (BP3), 73 soil samples were collected in Conservation Units and Forest Remnants. The samples were air dried, texture and chemical attributes, pH in water; (K), Na +, Ca 2+, Mg 2+, Al 3+, H + Al, and P were determined (EMBRAPA, 1997). From the results obtained, it was calculated cation exchange capacity (CEC) at pH 7 and percentage of base saturation (V%). The data obtained were statistically evaluated through Principal Component Analysis, which showed the separation of the samples into three distinct groups according to their similarities. Among the studied characteristics, it was possible to check the predominance of the Latosol, Nitosol and Neosol, that together added about 92% of the total samples. The pH of the samples ranged from strongly to moderated acid. Most of the samples showed a negative association between clay content and CEC. The soils of BP3 had average CO contents on about 23,60 g / kg and a positive association with CEC.
Keywords: physical and chemical characterization, soil, reference parameters
Downloads
Referências
Abrahão, W.A.P., Marques, J.J., 2013. Manual de coleta de solos para valores de referência de qualidade no Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte.
Accioly, P., 2013. Mapeamento dos Remanescentes Vegetais Arbóreos do Estado do Paraná e Elaboração de um Sistema de Informações Geográficas para fins de Análise Ambiental do Estado. Tese (Doutorado). Curitiba, UFPR.
Adhanom, D., Toshome, T., 2016. Characterization and Classification of Soils of AbaMidan Sub Watershed in Bambasi Wereda, West Ethiopia. International Journal of Scientific and Research Publications 6, 390-399.
Ahukaemere, C.M., et al., 2016. Nwamadi, N.J. Characterization and Classification of Soils Of Egbema in Imo State, South-Eastern Nigeria. Futo Journal Series 2, 41-47.
Baize, D., Sterckeman, T., 2001. Of the necessity of knowledge of the natural pedo-geochemical background content in the evaluation of the contamination of soils by trace elements. The Science of the Total Environment 264,127-139.
Carter, M.R., Gregorich, E.G., 2006. Soil sampling and methods of analysis, 2 ed. Taylor & Francis Group, LLC, Boca Raton.
Caviglione, J.H., et al., 2000. Cartas climáticas do Paraná. IAPAR, Londrina.
Casarini, D.C.P., et al., 2001. Relatório de estabelecimento de valores orientadores para solos e águas subterrâneas no estado de São Paulo. CETESB, São Paulo.
CONAMA. Conselho Nacional do Meio Ambiente, 1987. Resolução nº 011, de 03 de dezembro.
Costa, A.R., et al., 2017. Forms of soil organic phosphorus at black earth sites in the Eastern Amazon. Revista Ciência Agronômica 48, 1-12.
Demattê, J.A.M., et al., 2017. Soil class and attribute dynamics and their relationship with natural vegetation based on satellite remote sensing. Geoderma 302, 39-51.
EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 1997. Manual de Métodos de Análise de Solo, 2 ed. Embrapa, Rio de Janeiro.
EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2006. Sistema brasileiro de classificação de solos, 2 ed. Embrapa-SPI, Rio de Janeiro.
EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, 2008. Carta do levantamento de reconhecimento dos solos do estado do Paraná. Atualização do Mapa de Solos – SiBCS.
Eyre, S.R., 1963. Vegetation and Soil: A World Picture. 2 ed. Edward Arnold, London.
Fernández-Getino, A.P., Duarte, A.C., 2015. Soil management guidelines in Spain and Portugal related to EU Soil Protection Strategy based on analysis of soil databases. Catena 126, 146-154.
Garcia, C.H.P., et al., 2013. Chemical properties and mineralogy of soils with plinthite and petroplinthite in Iranduba (AM), Brazil. Revista Brasileira de Ciência do Solo 37, 936-946.
Golobocanin, D.D., et al., 2004. Principal component analysis for soil contamination with PAHs. Chemometrics and Intelligent Laboratory Systems 72, 219-223.
Gomes, J.B.V., 2004. Análise de Componentes Principais de atributos físicos, químicos e mineralógicos de solos do bioma cerrado. Revista Brasileira de Ciência do Solo 28, 137-153.
Gruba, P., Mulder, J., 2015. Tree species affect cation exchange capacity (CEC) and cation binding properties of organic matter in acid forest soils. Science of the Total Environment 511, 655-662.
IAP. Instituto Ambiental do Paraná, 2016. Disponível: http://www.iap.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1260 Acesso: 23 jan. 2016.
IAP. Instituto Ambiental do Paraná, 2016. Disponível: http://www.sgageo.iap.pr.gov.br/sgageo/pages/interfaceusuario.html. Acesso: 25 jan. 2016.
IAP. Instituto Ambiental do Paraná, 2016. Disponível: http://www.iap.pr.gov.br/iap/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1278. Acesso: 19 jan. 2016.
ICMBIO. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 2015. Disponível: http://www.icmbio.gov.br/sisbio/images/stories/instrucoes_normativas/INSTRU%C3%87%C3%83O_NORMATIVA_ICMBio_N%C2%BA_3_DE_2014__com_retifica%C3%A7%C3%A3o_do_DOU18062015.pdf. Acesso: 21dez. 2015.
Instituto das Águas do Paraná. 2011. Plano da Bacia Hidrográfica do Paraná 3: Características Gerais da Bacia. (Produto 1, versão 6). Disponível: http://www.aguasparana.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=239. Acesso: 17 out. 2016.
Kardanpour, Z., Jacobsena, O.S., Esbensen, K.H., 2014. Soil heterogeneity characterization using PCA (Xvariogram) – Multivariate analysis of spatial signatures for optimal sampling purposes. Chemometrics and Intelligent Laboratory Systems 136, 24-35.
Kemerich, P.D.C., et al., 2012. Caracterização física e química do solo sob diferentes usos em bacia hidrográfica. Revista do Departamento de Geografia 24, 92-107.
Kummer, L., et al., 2010. Uso da Análise de Componentes Principais para agrupamento de amostras de solos com base na granulometria e em características químicas e mineralógicas. Scientia Agraria 11, 469-480.
Lepsch, I.F., 2011. 19 Lições de Pedologia. Oficina de Textos. São Paulo.
Lybrand, R., 2011. The effects of climate and landscape position on chemical denudation and mineral transformation in the Santa Catalina mountain critical zone observatory. Applied Geochemistry 26, 80-84.
MINEROPAR. Minerais do Paraná, 2001. Atlas Comentado da Geologia e dos Recursos Minerais do Estado do Paraná. Curitiba.
MINEROPAR. Minerais do Paraná, 2006. Atlas Geomorfológico do Estado do Paraná. Curitiba.
MINEROPAR. Minerais do Paraná, 2014. Mapas Geológicos 1:250.000. Disponível: http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=106. Acesso: 11 nov. 2014.
Miranda-Trevino, J.C., Coles, C.A., 2003. Kaolinite properties, structure and influence of metal retention on pH. Applied Clay Science 23, 133-139.
Pires, P.T.L., Zeni Junior, D.M., Gaulke, D., 2012. As unidades de conservação e a Floresta Ombrófila Mista no estado do Paraná. Revista Ciência Florestal 22, 589-603.
Priori et al., 2012. História do Paraná: séculos XIX e XX. Eduem, Maringá.
Raij, B.V., 1969. A capacidade de troca de cátions das frações orgânica e mineral em solos. Bragantia 28, 85-112.
Raij, B.V., 1981. Avaliação da fertilidade do solo, 2 ed. Instituto da Potassa e Fosfato, Piracicaba.
Raij, B.V., 2010. Fertilidade do solo no Brasil – Contribuições do Instituto Agronômico de Campinas. Informações Agronômicas 132, 1-13.
Rocha et al., 2016. Mapeamento da Fragilidade Potencial e Emergente na Bacia Hidrográfica do Paraná 3. Estudos Geográficos 14, 43-59.
Rocha, A.S., 2016. As vertentes características e os sistemas pedológicos como instrumentos de análise para a identificação das fragilidades e potencialidades ambientais na Bacia Hidrográfica do Paraná 3. Tese (Doutorado). Maringá, UEM.
Santos, H.G., et al., 2013. Sistema brasileiro de classificação de solos, 3 ed. rev. e ampl. EMBRAPA, Brasília.
Schoonover, J.E., Crim, J.F., 2015. An Introduction to Soil Concepts and the Role of Soils in Watershed anagement. Journal of Contemporary Water Research & Education 154, 21-47.
Schumacher, M.V., Hoppe, J.M., 1998. A floresta e a água. Pallotti, Porto Alegre.
SEMA. Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, 2010. Bacias Hidrográficas do Paraná - Série Histórica. Disponível: http://www.meioambiente.pr.gov.br/arquivos/File/corh/Revista_Bacias_Hidrograficas_do_Parana.pdf. Acesso: 21 set. 2016.
Tundisi, J.G., 2003. Água no século XXI: enfrentando a escassez, RiMa IIE, São Paulo.
Ukut, A.N., Akpan, U.S., Udoh, B.T., 2014. Characterization and classification of soils in steep sided hills and sharp-crested ridges of Akwa Ibom State, Nigeria. Net Journal of Agricultural Science 2, 50-57.
Van Breemen, N., Mulder, J., Driscoll, C.T., 1983. Acidification and alkalinization of soils. Plant Soil 75, 283-308.
Verboom, W.H., Pate, J.S., 2015. An integrated approach to mapping and understanding of vegetation: soil systems. Catena 126, 134-145.
Walna, B., 2007. Composition and variability of soil solutions as a measure of human impact on protected woodland áreas. Central European Journal of Chemistry 5, 349–383.
Watanabe, T., et al., 2017. Parent Materials and Climate Control Secondary Mineral Distributions in Soils of Kalimantan, Indonesia. Soil Science Society of America Journal 81, 124-137.
Zenero, M.D.O., et al., 2016. Characterization and Classification of Soils under Forest and Pasture in an Agroextractivist Project in Eastern Amazonia. Revista Brasileira de Ciência do Solo 40, 1-17.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2018 Juliane Maria Bergamin Bocardi, Adelmo Lowe Pletsch, Anderson Sandro da Rocha, Sueli Pércio Quinaia

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






