Cobertura vegetal em microbacias urbanas: análise temporal da cobertura arbórea e temperatura de Rondonópolis, Mato Grosso (Vegetation cover in urban microbasins: temporal analysis of the arboreal cover and temperature of Rondonópolis, Mato Grosso)
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v12.1.p299-309Palavras-chave:
ICV, Geoprocessamento, Bacia hidrográfica, Microclima urbanoResumo
Os objetivos deste trabalho foram quantificar a cobertura vegetal presente nas microbacias urbanas de Rondonópolis-MT e relacionar com o número de habitantes para calcular o IVC; realizar um comparativo da quantidade de cobertura vegetal nos anos de 2013 e 2017 para saber se houve déficit ou ganho de vegetação relacionando com as variações da temperatura do ar. Foi realizado o levantamento da cobertura vegetal através do NDVI e posteriormente relacionado aos valores de vegetação em m2 de cada microbacia com o número de habitantes para se obter o ICV. Já a comparação dos anos estudados (2013 e 2017) foi realizado também pelo cálculo do NDVI e posteriormente extraído os valores de NDVI para cada imagem e comparado através da correlação de Pearson e teste t pareado. Os valores de temperatura entre os anos de 2013 a 2017 foram comparados com os resultados do levantamento da vegetação. Da área total estudada (7753 hectares), a cobertura vegetal representou 622 hectares, cerca de 8% do total. O ICV para a microbacia do Escondidinho foi de 2 m2/hab. A cobertura vegetal para o ano de 2013 foi de 2.500 hectares e em 2017 foi reduzida para 1.661 hectares. Ocorreu um déficit de cobertura vegetal de 839 hectares. Os resultados da cobertura vegetal de 2013 e 2017 relacionados com a temperatura, demonstraram que houve diferenças na temperatura em locais que houve perda de vegetação, com aumento de até 1.5°C. A cobertura vegetal exerce um importante papel na dinâmica ambiental urbana, mantendo a temperatura mais baixa, servindo como refúgio para a biodiversidade e proporcionando saúde física e mental aos habitantes.
A B S T R A C T
The aims of this work were the measurement of the forest cover present on the watershed of Rondonópolis-MT and relate this with the number of inhabitants to calculate the IVC; to make a comparison of the quantity of forest cover in 2013 and 2017 in order to know if there has been deficit or gain of vegetation relating them with the air temperature. It was done the survey of the forest cover by NDVI and it was later related to the data about the vegetation in m2 of each watershed with the number of inhabitants in order to get ICV. As to the comparison of the examined years (2013 and 2017), it was done, too, by the calculation of the NDVI and later it was extracted the values of the NDVI to each image and it was compared using the Pearson's correlation and the paired t-test. The values of the temeprature between 2013 and 2017 were compared with the outcome of the survey of the vegetation. Of the total area investigated (7753 hectares), the forest cover represented 622 hectares, about 8% of the total. The ICV to the watershed of Escondidinho was 2 m2/inh. The forest cover to 2013 was 2.500 hectares and in 2017 it was reduced to 1.661 hectares. There was a deficit of 839 hectares in the forest cover. The results about the forest cover of 2013 and 2017 that were related with the temperature have shown that there were differences in the temperature in places with loss of vegetation, with a temperature rise of up to 1.5°C. The forest cover plays an important role in the urban environmental dynamics, keeping a lower temperature, serving as a refuge to the biodiversity and affording physical and mental health to the inhabitants.
Keywords: ICV, Geoprocessing, Watershed, Urban microclimate.
Downloads
Referências
Almeida, A.J.P., Guimarães Junior, S.A.M., Andrade, E.L., Neto, J.V.F., 2015. Relação entre o índice de vegetação e a temperatura da superfície na estimada e identificação das ilhas de calor na cidade de Maceió-AL. In: Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto, 17., João Pessoa. Anais...João Pessoa: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 2047-2054.
Angeoletto, F.H.S., 2008. Pelos quintais de Sarandi: ecologia urbana e planejamento ambiental. Maringá: Eduem, 120.
Arruda, L.E.V., Silveira, P.R.S., Vale, H.S.M., Silva, P.C.M., 2013. Índice de área verde e de cobertura vegetal no perímetro urbano central do município de Mossoró-RN. Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável 8, 13-17.
Bargos, D.C., Matias, L.F., 2012. Mapeamento e análise de áreas verdes urbanas em Paulínia (SP): estudo com a aplicação de geotecnologias. Sociedade & Natureza 24, 143-156.
Cardoso, K.M., Paula, A., Santos, J.S., Santos, M.L.P., 2017. Uso de espécies da arborização urbana no biomonitoramento de poluição ambiental. Ciência Florestal 27, 535-547.
Cunha, P.C.R., Nascimento, J.L., Silveira, P.M., Alves Júnior, J., 2013. Eficiência de métodos para o cálculo de coeficientes do tanque classe A na estimative da evapotranspiração de referência. Pesq. Agropec. Trop. 43, 114-122.
Canholi, A.P., 2005. Drenagem urbana e controle de enchentes. São Paulo: Oficina de Textos, 302.
Demamann, M.T.M., 2011. Rondonópolis – MT: campo, cidade e centralidades. Tese (Doutorado em Geografia) – USP, São Paulo, 248.
Dunnington, D., 2017. prettymapr: Scale Bar, North Arrow, and Pretty Margins in R. R package version 0.2.2. https://CRAN.R-project.org/package=prettymapr
Duarte, T.E.P., Angeoletto, F.H.S., Santos, J.W.M.C., Leandro, D.S., Bohrer, J.F.C., Vacchilano, M.C., Leite, L.B., 2017. O papel da cobertura vegetal nos ambientes urbanos e sua influência na qualidade de vida nas cidades. Editora Unijui 15, 175-203.
Gelaro, R., Mccarty, W., Suárez, M.J., et al., 2017. The modern-Era retrospective analysis for research and applications, version 2 (MERRA-2). American Meteorological Society 30, 5419-5454.
Gamarra, N.L.R., Corrêa, M.P., Targino, A.C.L., 2014. Utilização de sensoriamento remoto em análises de albedo e temperatura de superfície em Londrina-PR: contribuições para estudos de ilhas de calor urbana. Revista Brasileira de Meteorologia 29, 537-550.
Hijmans, R.J., 2017. raster: Geographic Data Analysis and Modeling. R package versio 2.6-7. https://CRAN.R-project.org/package=raster
Harder, I.C.F., 2002. Inventário quali-quantitativo da arborização e infra-estrutura das praças da cidade de Vinhedo (SP). Dissertação (Mestrado em Agronomia) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, 122.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2017. Cidades@. Mato Grosso, Rondonópolis. Disponível em: < https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mt/rondonopolis/panorama >. Acesso em 31 de maio de 2017.
Kaand, D., Wickham, H., 2013. ggmap: Spatial Visualization with ggplot2. The R Journal, 5(1), 144-161. URL http://journal.r-project.org/archive/2013-1/kahle-wickham.pdf
Landsat-8, 2013, 20/04/2013. NASA EOSDIS Land Processes DAAC, USGS Earth Resources Observation and Science (EROS) Center, Sioux Falls, South Dakota (https://lpdaac.usgs.gov), acessado em: 13/05/2018.
Landsat-8, 2013, 04/05/2018. NASA EOSDIS Land Processes DAAC, USGS Earth Resources Observation and Science (EROS) Center, Sioux Falls, South Dakota (https://lpdaac.usgs.gov), acessado em: 13/05/2018.
Lamigueiro, P.O., Hijmans, R., 2018. rasterVis. R package version 0.45.
Leal, L., Biondi, D., Batista, A.C., 2014. Efeitos da vegetação na variação térmica da cidade de Curitiba, PR. FLORESTA 44, 451-464.
Zambrano-Bigiarini, M., 2017. hydroTSM: Time Series Management, Analysis and Interpolation for Hydrological ModellingR package version 0.5-1. URL https://github.com/hzambran/hydroTSM. DOI:10.5281/zenodo.839864.
Zambrano-Bigiarini, M., 2017. hydroGOF: Goodness-of-fit functions for comparison of simulated and observed hydrological time series R package version 0.3-10. URL http://hzambran.github.io/hydroGOF/. DOI:10.5281/zenodo.840087.
NASA. National Aeronautics and Space Administration. Giovanni [online]. Disponível em: < https://giovanni.gsfc.nasa.gov/giovanni/ >. Acessado em: 17/04/2018.
Negri, S.M., 2008. O processo de segregação sócio espacial no contexto do desenvolvimento econômico da cidade de Rondonópolis – MT. 2008. Tese (Doutorado em Geografia) – Unesp, Rio Claro, 180.
Nucci, J.C., Cavalheiro, F., 1999. Cobertura vegetal em áreas urbanas – conceito e método. Revista GEOUSP 6, 29-36.
Nucci, J.C., 2001. Qualidade ambiental e adensamento urbano: um estudo de Ecologia e Planejamento da Paisagem aplicado ao distrito de Santa Cecília (MSP). São Paulo: Humanitas - FFLCH/USP, 235.
Paula, I.F.M., Ferreira, C.C.M., 2017. Avaliação e mapeamento da cobertura vegetal da região central da cidade de Juiz de Fora-MG. Revista Ra’ega 39, 146-166.
Pinheiro, L.C.S.J., Castro, A.S., Martins, E.S., 2008. Levantamento das classes de solo existentes nas ecorregiões inseridas no limite do cerrado contínuo. In: IX Simpósio Nacional do Cerrado: Desafios e estratégias pra o equilíbrio entre sociedade, agronegócio e recursos naturais. II Simpósio Internacional Savanas Tropicais 10, 106-127.
Pezzuto, C.C., et al., 2015. Efeito da Vegetação na Variação da Temperatura Urbana em Diferentes Climas: estudo de caso na cidade de Campinas e Mendonza. In.: XIII Encontro Nacional e IX Encontro Latino-americano de Conforto no Ambiente Construído - ENCAC/ ENLACAC 2015, 1-10.
QGIS Development Team 2018. QGIS Geographic Information System. Open Source Geospatial Foundation Project. http://qgis.osgeo.org.
Rezende, G.B.M., 2015. As cidades e as águas: uma abordagem metodológica das vulnerabilidades socioambientais dos rios Araguaia e das Graças, nos municípios de Barra do Garças, Pontal do Araguaia e Aragarças. Tese (Doutorado em Recursos Naturais) – Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Tecnologia e Recursos Naturais. Rondonópolis, 268.
Rezende, G.B.M., Araújo, S.M.S., 2016. O planejamento dos aspectos da água no ambiente urbano. In: ARAÚJO, S. M. S. (Org.). Rios e homens: cursos transformados na relação sociedade-natureza. Paulo Afonso: SABEH, 33-53.
Rouse, J.W., Haas, R.H., Schell, J.A., Deering, D.W., 1973. Monitoring vegetation systems in the Great Plains with ERTS, Third ERTS Symposium, NASA SP - 351 I, 309-317.
R Core Team (2018). R: A language and environment for statistical computing. R Foundation for Statistical Computing, Vienna, Austria. URL https://www.R-project.org/.
Roger Bivand and Nicholas Lewin-Koh (2017). maptools: Tools for Reading and Handling Spatial Objects. R package version 0.9-2. https://CRAN.R-project.org/package=maptools
Sarkar, D., 2008. Lattice: Multivariate Data Visualization with R. Springer, New York.ISBN 978-0-387-75968-5
Sarkar, D., Andrews, F., 2016. latticeExtra: Extra Graphical Utilities Based onLattice. R package version 0.6-28. https://CRAN.R-project.org/package=latticeExtra
Sette, D.M., 2005. Os climas do cerrado do centro-oeste. In: Revista Brasileira de Climatologia 1, 29-42.
Sentinel-2, 2015, 14/05/2018. NASA EOSDIS Land Processes DAAC, USGS Earth Resources Observation and Science (EROS) Center, Sioux Falls, South Dakota (https://lpdaac.usgs.gov), acessado 14/05/2018.
Souza, A.P., Mota, L.L., Zamadei, T., Martim, C.C., Almeida, F.T., Paulino, J., 2013. Classificação climática e balanço hídrico climatológico no Estado de Mato Grosso. Nativa 1, 34-43.
Souza, M.R., Scopel, I., Martins, A.P., 2014. Áreas verdes no sítio urbano de Jataí-GO. Caminhos de Geografia 15, 181-198.
Tian, Y., Jim, C.Y., Tao, Y., Shi, T., 2011. Landscape ecological assessment of green space fragmentation in Hong Kong. Urban Forestry & Urban Greening, Elsevier GmbH 10, 79-86.
Tucci, C.E.M., 1997. Plano diretor de drenagem urbana: princípios e concepção. RBRH – Revista Brasileira de Recursos Hídricos 2, 5-12.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2019 Dhonatan Diego Pessi, Greyce Bernardes de Mello Rezende, Normandes Matos da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam na Revista Brasileira de Geografia Física concordam com os seguintes termos:
Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (exemplo: depositar em repositório institucional ou publicar como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
Autores têm permissão para disponibilizar seu trabalho online antes ou durante o processo editorial, em redes sociais acadêmicas, repositórios digitais ou servidores de preprints. Após a publicação na Revista Brasileira de Geografia Física, os autores se comprometem a atualizar as versões preprint ou pós-print do autor, nas plataformas onde foram originalmente disponibilizadas, informando o link para a versão final publicada e outras informações relevantes, com o reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
Qualquer usuário tem direito de:
Compartilhar — copiar e redistribuir o material em qualquer suporte ou formato para qualquer fim, mesmo que comercial.
Adaptar — remixar, transformar e criar a partir do material para qualquer fim, mesmo que comercial.
O licenciante não pode revogar estes direitos desde que você respeite os termos da licença.
De acordo com os termos seguintes:
Atribuição — Você deve dar o crédito apropriado, prover um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas. Você deve fazê-lo em qualquer circunstância razoável, mas de nenhuma maneira que sugira que o licenciante apoia você ou o seu uso.
Sem restrições adicionais — Você não pode aplicar termos jurídicos ou medidas de caráter tecnológico que restrinjam legalmente outros de fazerem algo que a licença permita.






