O Cenário de Fragilidade Ambiental do Baixo Curso do Rio Mearim

Juliana Lopes Almeida, Vilena Aparecida Ribeiro Silva, Juliana Sales dos Santos, Jessflan Rafael Nascimento Santos, Mayara Lucyanne Santos de Araújo, Marcela Venelli Pyles, Fabrício Brito Silva

Resumo


Este estudo tem como objetivo avaliar o cenário de fragilidade ambiental do baixo Mearim através da caracterização ambiental. Esta região consiste em um ambiente estuarino que abriga uma complexa interface de ecossistemas. O avanço da salinidade proveniente do mar tem alterado drasticamente as paisagens da região. A avaliação desses impactos, passa inicialmente pela compreensão dos ecossistemas de uma forma integrada, contrapondo as abordagens que avaliam isoladamente os atributos ambientais. Para a caracterização ambiental obtiveram-se dados de geologia, geomorfologia, solos, geodiversidade, vegetação, além das séries temporais de desmatamento e queimadas para a avaliação do avanço da antropização. A análise dos resultados indicou sete formações geológicas, cinco unidades geomorfologias, sete tipos de solos, seis classes de vegetação e um relevo que abrange elevações de 0 a 318 metros em relação ao nível do mar. A partir dos resultados do avanço da antropização, o desmatamento mostrou que a série histórica foi proporcional a da área total da bacia hidrográfica; e as queimadas evidenciaram que a média da precipitação anual interfere na quantidade de focos de calor.  Desta forma, o ambiente apresenta-se frágil por ser susceptível a inundações devido à suas características topográficas levemente planas e às intervenções antrópicas, como o desmatamento e as queimadas, que facilitam a baixa proteção dos solos, sendo vulneráveis à erosão pluvial e ao escoamento.

 

 

The scenario of environmental fragility from the low course of the Mearim River

 

A B S T R A C T

This study aims to evaluate the environmental fragility scenario of the low Mearim through the environmental characterization. This region consists of an estuarine environment that houses a complex interface of ecosystems. The advancement of salinity from the sea has drastically changed the landscape of the region. The evaluation of these impacts initially involves the understanding of the ecosystems in an integrated way, opposing the approaches that evaluate the environmental attributes alone. For the environmental characterization, geology, geomorphology, soils, geodiversity, vegetation, besides the time series of deforestation and fires were obtained for the evaluation of the advance of the anthropization. The analysis of the results indicated seven geological formations, five geomorphological units, seven types of soils, six vegetation classes and a relief that covers elevations from 0 to 318 meters in relation to sea level. The results of the advancement of anthropization, deforestation showed that the historical series was proportional to that of the total area of the river basin; and fires have shown that the average annual precipitation interferes with the amount of heat sources. As a result, the environment is fragile because it is susceptible to flooding due to its slightly flat topographic features and anthropogenic interventions, such as deforestation and fires, which facilitate low soil protection and are vulnerable to rainfall erosion and runoff.

Keywords: Hydrogeology, Geotechnology, Geoprocessing.


Palavras-chave


Hidrogeologia; Geotecnologias; Geoprocessamento

Texto completo:

PDF

Referências


Alexeevsky, N. I. et al., 2013. Channel changes in largest Russian rivers: natural ande anthropogenic effects. International Jornal of River Basin Management. v. 11, p. 175-191.

Anaisse Júnior, J., 1999. Fácies costeiras dos depósitos Itapecuru (Cretáceo), Região de Açailândia, Bacia do Grajaú. Dissertação de mestrado. Universidade Federal do Pará, Centro de Geociências, Curso de Pós-Graduação em Geologia e Geoquímica, Pará.

Bandeira, Iris Celeste Nascimento., 2013. Geodiversidade do Estado do Maranhão. Organização: Iris Celeste Nascimento – Teresina: CPRM.

Barbosa, G.V., Boaventura, R.S., Novaes Pinto, M. 1973. Geomorfologia. In: Brasil. Departamento Nacional da Produção Mineral. Projeto RADAM. Folha SB.23 Teresina e parte da folha SB.24 Jaguaribe; geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Janeiro: DNPM.

Boruah, S. et al., 2008. et al. Quantifying channel planform and physical habitat dynamics on a large braided river using satellite data — the Brahmaputra, India. River research and applications. v. 24, p. 650-660.

Calderano Filho, Braz et al., 2010. Estudo geoambiental do município de Bom Jardim–RJ, com suporte de geotecnologias: Subsídios ao planejamento de paisagens rurais montanhosas. Sociedade & Natureza, v. 22, n. 1.

Celentano, Danielle et al., 2017. Towards zero deforestation and forest restoration in the Amazon region of Maranhão state, Brazil. Land Use Policy, v. 68, p. 692-698.

Corrêa, Camila Ribeiro; Alencar, Romulo Carlos Carneiro, 2013. Focos de queimadas em unidades de conservação. Anais do Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto-SBSR, Foz do Iguaçu, PR, Brasil, v. 13, p. 3954-3961.

Crutzen, Paul J., Andreae, Meinrat O., 1990. Biomass burning in the tropics: Impact on atmospheric chemistry and biogeochemical cycles. Science, v. 250, n. 4988, p. 1669-1678.

Cruz, Alexandre; Da Silva Jr, Gerson Cardoso; De Medeiros Almeida; Ghislaine. 2006. Modelagem hidrogeoquímica do aqüífero freático da restinga de Piratininga, Niterói-RJ. Águas Subterrâneas.

Cruz, Lísia Moreira; Júnior, José Fernando Pinese; Rodrigues, Silvio Carlos. 2010. Abordagem cartográfica da fragilidade ambiental na bacia hidrográfica do glória-MG. Revista Brasileira de Cartografia, n. 62/3, p. 505-516.

Dos Santos, H.G. et al., 2003. . Propostas de revisão e atualização do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Embrapa Solos-Documentos (INFOTECA-E).

Feitosa, A.C., Trovão, J.R. 2006. Atlas escolar do Maranhão: espaço geo-histórico e cultural. João Pessoa: Grafset.

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. 2013. Clipping. Maranhão perdeu mais de 70% de mata nativa com desmatamento. Gestão de Comunicação Institucional. Disponível em: . Acesso em: 02 ago. 2017.

Lepsch, Igor F., 2016. Formação e conservação dos solos. Oficina de Textos.

Manghi, Giovanni; Cavallini, Paolo e Neves, Vânia. 2011. Um Planeta Brasileiro sobre Tecnologias livres. Revista FLOSSGIS Brasil, v. 2, p. 10 – 15.

Margulis, S. 2003. Causas do desmatamento da Amazônia Brasileira. 1ª ed. Brasília: Banco Mundial. p. 100.

Martins, Marlúcia Bonifácio; De oliveira, Tadeu Gomes. 2011. Amazônia Maranhense: diversidade e conservação. Museu Paraense Emílio Goeldi.

Nobre, C.A., Assad, E.D., Oyama, M.D., 2005. Mudança Ambiental no Brasil. Revista Scientific American Brasil, n. 35, p. 70 – 75.

Oliveira, V.A. de. 2007. Manual técnico de pedologia. Rio de Janeiro: IBGE.

Ross, J.L.S., 1994. Análise empírica da fragilidade dos ambientes naturais e antropizados. Revista do Departamento de Geografia. n.8, p.63-74.

Ruddiman, W.F., 2005. A Mão do Homem. Revista Scientific American Brasil, n. 35, p. 54-61.

Santos, H.G. dos et al., 2006. Sistema Brasileiro de classificação de Solos.

Schaeffer-Novelli, Yara et al., 1990. Variability of mangrove ecosystems along the Brazilian coast. Estuaries, v. 13, n. 2, p. 204-218.

Silva, Fabrício Brito et al., 2012. Análise espaço-temporal da precipitação no estado do Maranhão no período de 2003 a 2012. In: XIV SAFETY, HEALTH AND ENVIRONMENT WORLD CONGRESS. Anais... Cubatão: COPEC. p. 123-125.

Silverman, B.W. 2018. Density estimation for statistics and data analysis. Routledge.

Soares, E.D.C. 2005. Peixes do Mearim. São Luís: Instituto Geia, v. 131.

Souza Filho, P.W.M., 2005. Costa de manguezais de macromaré da Amazônia: cenários morfológicos, mapeamento e quantificação de áreas usando imagens de sensores remotos. Revista Brasileira de Geofísica. v. 23, n. 4, p. 427-435.

Teixeira, Sheila Gatinho; Souza Filho, Pedro Walfir Martins. 2009. Mapeamento de ambientes costeiros tropicais (Golfão Maranhense, Brasil) utilizando imagens de sensores remotos orbitais. Revista Brasileira de Geofísica, v. 27, p. 69-82.

Tricart, Jean. 1977. Ecodinâmica. In: Série recursos naturais e meio ambiente. SUPREN/IBGE.

Walker, R., Moran, E., Anselin, L., 2000. Deforestation and cattle ranching in the Brazilian Amazon: External capital and household processes. World Development, 28(4), p. 683-699.




DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v13.1.p102-120

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License