A permanente construção no tempo histórico de um ambiente capitalista em Recife, Pernambuco: tendência à homogeneização dos interesses dominantes

Cláudio Jorge Moura de Castilho

Resumo


No curso dos 520 anos de capitalismo no Brasil, foi instalado, consolidado e expandido um ambiente favorável, antes de tudo, à concretização das relações capitalistas de produção-circulação-distribuição-consumo no Brasil. Este artigo possui como objetivo principal discutir o permanente processo de construção deste ambiente em Recife, capital do estado federado de Pernambuco, como uma tendência homogeneizadora ligada aos interesses das classes dominantes. A metodologia utilizada para a operacionalização desta discussão fundamentou-se na abordagem do materialismo histórico-dialético a fim de evidenciar as contradições suscitadoras de tensões e conflitos inerentes a uma realidade dinâmica que se movimenta permanentemente em algum sentido, nas escalas do tempo e do espaço. Destarte, foi mostrado que a implantação do referido ambiente não aconteceu de maneira harmônica e pacífica como dizem as classes dominantes brasileiras na medida em que aconteceram protestos e mobilizações sociais que, reagindo contra o ambiente puramente capitalista, conseguiram obter conquistas interessantes para as classes subalternas e oprimidas.

Palavras-chave


Racionalidade técnico-instrumental, Neoliberalismo, Ambiente urbano, racionalidade ambiental

Referências


ANDRADE, G. O. de. (1969) Montebelo, os males e os mascates. Recife: Universidade Federal de Pernambuco.

ANDRADE, M. C. de. (1079) Recife: problemática de uma metrópole de região subdesenvolvida. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco.

ATHAIDE, G. (2020) Quantos habitantes havia no Brasil na época do descobrimento. Super Interessante. Disponível em: https//super.abril.com.br/mundo-estranho/quantos-habitantes-havia-no-brasil-na-epoca-do-descobrimento Acesso em: 12 de maio de 2020.

BARRETO, A. M. M. (1994) O Recife através dos tempos. A formação da sua paisagem. Recife: Edições Fundarpe.

BERNARDES, D. (1996) Recife: o caranguejo e o viaduto. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco.

BITOUN, J. (1994) Recife, uma interpretação geográfica. In: CARLOS, A. F. A. (Org.) Os caminhos da reflexão sobre a cidade e o urbano. São Paulo: Edusp.

______. (1996) Análise dos bairros do Recife através da distribuição da renda. Revista de geografia, Edição especial, p. 41-55.

BRASIL. (2010) Censo demográfico. Disponível em: www.ibge.gov.br Acesso em: 12 de maio de 2020.

BRASIL. (2017) Censo demográfico. Disponível em: www.ibge.gov.br Acesso em: 17 de setembro de 2017.

CASTILHO, C. J. M. de. (2015) Por uma geografia social dos serviços: articulando pedaços de uma realidade fragmentada para explicar a natureza das inter-relações espaço-serviços. In: CASTILHO, C. J. M. de. (Org.) Movimentos sociais, academia e sociedade. Por um espaço do cidadão. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco.

CASTILHO, C. J. M. de. (2017) Do (des)respeito à complexidade ambiental no processo de formação do território brasileiro. In: GALVÍNCIO, J. D., OLIVEIRA, V. S. de, SOUZA, W. M. de. (Org.) Mudança climática, cidade e meio ambiente. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco.

CASTRO, J. de. (1954) A cidade do Recife. Ensaio de geografia urbana. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil.

CASTRO, J. de. (1957) Documentário do Nordeste. Rio de Janeiro: José Olympio Editora.

CÉZAR, M. do C. (1985) As organizações populares do Recife: trajetória e articulação política (1955-1964). Cad. Est. Soc., v. 1, n. 2, p. 161-182.

FREYRE, G. (1981) Sobrados e mucambos. Rio de Janeiro: José Olympio.

______. (1985) Vida social no Brasil nos meados do século XIX. Recife: Editora Massangana.

HARVEY, D. (2013) Os limites do capital. São Paulo: Boitempo.

LINS, R. C. (1982) Alguns aspectos originais do sítio urbano do Recife. In: ANDRADE, M. C. de. (Org.) Capítulos de geografia do Nordeste. Recife: União Geográfica Interenacional/Comissão Nacional do Brasil.

MARX, K. (2013) O capital: crítica de economia política. Livro 1: O processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo.

MELLO, M. A. B. C. de. (1985) A cidade dos mocambos: estado, habitação e luta de classes no Recife (1920-1964). Revista Espaço e Debates, ano 5, n. 14, p. 45-66.

MELO, M. L. de. (1978) Metropolização e subdesenvolvimento. O caso do Recife. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco.

MENEZES, J. L. M. (Org.) (1988) Atlas histórico-cartográfico do Recife. Recife: Prefeitura da Cidade do Recife.

OUTTES, J. (1997) O Recife: gênese do urbanismo 1927-1943. Recife: Editora Massangana.

PONTUAL, V. (2001) Uma cidade e dois prefeitos: narrativas do Recife nas décadas de 1930 a 1950. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco.

PRADO JÚNIOR, C. (1985) História econômica do Brasil. Rio de Janeiro: Editora Brasiliense.

RIBEIRO, D. (2015) O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 3ª ed. São Paulo: Global.

SANTOS, M. (1997) A natureza do espaço. Técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec.

SANTOS, M. e SILVEIRA, M. L. (2001) O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record.




DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v13.6.p%25p

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

      

Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

Creative Commons License
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License