Forma Da Vertente Como Condição De Contorno Na Instabilidade De Encosta

Felipe Costa Abreu Lopes, Irani dos Santos

Resumo


Entre os principais motivos para a deflagração dos movimentos de massa estão as características geomorfológicas. A declividade é a característica geomorfológica de maior destaque na literatura, porém outros fatores ambientais influenciam na configuração dos movimentos de massa, mas devido as suas complexidade e incertezas muitos deles não são utilizados, portanto o objetivo desse trabalho foi investigar os efeitos da forma da vertente como condição de contorno de movimentos de massa. O estudo foi realizado na bacia do Gigante com 1,65 km², afluente do rio Jacareí, localizado no município de Antonina - PR. As formas da vertente foram representadas a partir das rupturas de relevo e das áreas de concentração de sedimentos, interpretadas a partir da combinação entre a declividade e os planos e perfis de curvatura. Para servir de comparação foi feita uma simulação de instabilidade usando-se o modelo SHALSTAB e ambos os resultados foram verificados com um inventário de cicatrizes da área em uma matriz de confusão. A utilização das formas de vertente resultou em 71% de eficiência na indicação de áreas instáveis enquanto a simulação realizada com o modelo SHALSTAB obteve 61%. A maior eficiência alcançada com o primeiro método se justifica por menos exageros e erros na delimitação da instabilidade. Os resultados indicam que a forma da vertente usados em conjunto com a variável declividade diminuem a superestimação da simulação de áreas de instabilidade, evidenciando o potencial de sua utilização para futuros estudos de instabilidade de encosta.

Palavras-chave


Movimentos de massa; Forma da vertente; SHALSTAB

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DOI: https://doi.org/10.26848/rbgf.v14.2.p%25p

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Revista Brasileira de Geografia Física - ISSN: 1984-2295

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