Um conceito “alma-e-corpo” para as Cidades
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v14.1.p246-265Palavras-chave:
Alma-e-corpo, cidade, organismo, conceito, construção teóricaResumo
Este artigo trata da construção do conceito - alma-e-corpo. Este conceito se apresenta fundamental ao desenvolvimento de uma hipótese cujo argumento central é o de que uma cidade pode ser considerada um organismo vivo e que, por isso: a) sua espacialidade interage com o contexto, com a natureza circundante, com seus habitantes; b) cada cidade é afetada pelas pessoas que a habitam, pelo ambiente, pelos acontecimentos da vida cotidiana, pelas manifestações culturais, sociais, políticas. Entre os acontecimentos da vida cotidiana são reconhecidos os “acontecimentos significativos” que têm lugar nos espaços públicos urbanos, que têm potencial para fazer reviver os lugares; que podem se transformar em marcos, memórias e estimular um senso de pertencimento em relação ao lugar. Desse argumento surgiu a necessidade de refletirmos teoricamente sobre um conceito que expressasse essa realidade de uma cidade que, em sendo um “organismo vivo”, se constitui de alma e de corpo, e como alma e corpo se integram numa estrutura única. O Recife é a cidade referência. Trata-se de esforço teórico que, apoiado num modo sistêmico de entender o mundo, atravessa a arquitetura, a filosofia, a neurociência, com o entendimento de que as coisas vivas são complexas, sistêmicas; de que a cidade é tanto um organismo vivo quanto o é o Planeta do qual ela faz parte. Um conceito que “pondera” os acontecimentos em relação inextricável com a constituição física de uma cidade, expressa na palavra composta - alma-e-corpo. Lefèbvre e Norberg-Schulz são os principais autores desta teia teórica.
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