Desempenho da produção de madeira e da regeneração da vegetação no bioma Caatinga sob diferentes tempos de pousio: estudo de caso em São Gonçalo do Amarante, CE, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v18.6.p4350-4365Palavras-chave:
semiárido, silvicultura, PMFS, sucessão, fitossociologiaResumo
Os Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) constituem uma alternativa de exploração racional dos recursos florestais na Caatinga desde a década de 1990. No entanto, mesmo após quatro décadas de experiências e experimentos, ainda há lacunas de conhecimento sobre seus efeitos na vegetação. Este estudo teve como objetivo analisar o desempenho da produção de madeira e da regeneração de parâmetros fitossociológicos sob ciclos de corte com durações diferentes, bem como avaliar a viabilidade ecológica dos ciclos de corte legalmente estabelecidos para a Caatinga. Para isso, foi realizado um estudo de caso em um PMFS instalado em 1996 na Fazenda Alvorada, São Gonçalo do Amarante-CE, Brasil. Foram utilizados dados de diversidade e volume de madeira de dois inventários do componente lenhoso de 10 parcelas de 400 m² (2008 e 2021). No inventário de 2008, as parcelas tinham de 10 a 12 anos de pousio e, no de 2021, de 7 a 10 anos. A meta de produção (175 st/ha) foi atingida apenas no intervalo iniciado a partir de 10 a12 anos de pousio. O aumento do intervalo de 7 a 10 anos para o de 10 a 12 anos afeta significativamente densidade, área basal e composição volumétrica. Foi detectada uma correlação positiva entre tempo de pousio e área basal (r = +0,46, p = 0,0453). No entanto, mesmo com um intervalo entre 10 e 12 anos de pousio, não houve pleno restabelecimento dos parâmetros vegetacionais analisados. Concluiu-se que os ciclos de corte praticados na Caatinga podem ser suficientes para manter a rentabilidade do empreendimento, mas não necessariamente são capazes de conservar os atributos da vegetação. Nesse sentido, a continuidade desses experimentos é fundamental para a compreensão desses efeitos em longo prazo e para o ajuste da duração dos ciclos de corte.
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