Distribuição de Espaços de Lazer integrados à Natureza no Recife, Brasil
contradições do Parque Capibaribe à luz da Justiça Ambiental e Socioespacial
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v19.02.p1073-1093Palavras-chave:
Parque Capibaribe; justiça ambiental; desigualdade socioespacial; espaço de lazer.Resumo
Este artigo investiga em que medida o Parque Capibaribe, em implantação no Recife, dialoga com aspectos de desigualdade socioespacial e justiça ambiental. A pesquisa tomou como unidade de análise o setor censitário, utilizando microdados do Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de agosto de 2025 como linha de base. Foram mapeados 31 espaços livres urbanos para espaço de lazer e interação com o ambiente natural, aplicados buffers de 800 m com área de travessia de 300 m e construídos dois cenários contrafactuais para estimar efeitos incrementais do projeto. Além disso, calcularam-se hiatos percentuais entre as categorias mais favorecidas e menos favorecidas em renda, cor/raça e arborização. Os resultados indicam três achados principais: a cobertura territorial expandiu-se de forma modesta e manteve-se concentrada; os ganhos recentes ocorreram sobretudo em áreas onde a rede prévia já era densa, em especial na região político-administrativa 3 (RPA 3); e os hiatos permaneceram elevados, evidenciando a persistência das hierarquias de renda, cor/raça e arborização. Entre 2016 e 2025, as variações foram discretas e insuficientes para reconfigurar o quadro geral, indicando manutenção dos padrões de desigualdade no acesso a espaço de lazer e à interação com o ambiente natural no município. Conclui-se que, embora o desenho do Parque Capibaribe seja pertinente, sua eficácia distributiva depende do sequenciamento territorial das entregas, o que reforça a necessidade de acompanhamento público e de estudos futuros voltados a usos efetivos e fluxos de apropriação.
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