Distribuição de Espaços de Lazer integrados à Natureza no Recife, Brasil

contradições do Parque Capibaribe à luz da Justiça Ambiental e Socioespacial

Autores

  • Rodrigo José de Albuquerque Marinho Ataíde Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – IFPE https://orcid.org/0000-0003-4139-3608
  • Joelmir Marques da Silva Universidade Federal de Pernambuco. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano. ISCCL - ICOMOS/IFLA. ICOMOS-Brasil. https://orcid.org/0000-0002-8323-7171

DOI:

https://doi.org/10.26848/rbgf.v19.02.p1073-1093

Palavras-chave:

Parque Capibaribe; justiça ambiental; desigualdade socioespacial; espaço de lazer.

Resumo

Este artigo investiga em que medida o Parque Capibaribe, em implantação no Recife, dialoga com aspectos de desigualdade socioespacial e justiça ambiental. A pesquisa tomou como unidade de análise o setor censitário, utilizando microdados do Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e de agosto de 2025 como linha de base. Foram mapeados 31 espaços livres urbanos para espaço de lazer e interação com o ambiente natural, aplicados buffers de 800 m com área de travessia de 300 m e construídos dois cenários contrafactuais para estimar efeitos incrementais do projeto. Além disso, calcularam-se hiatos percentuais entre as categorias mais favorecidas e menos favorecidas em renda, cor/raça e arborização. Os resultados indicam três achados principais: a cobertura territorial expandiu-se de forma modesta e manteve-se concentrada; os ganhos recentes ocorreram sobretudo em áreas onde a rede prévia já era densa, em especial na região político-administrativa 3 (RPA 3); e os hiatos permaneceram elevados, evidenciando a persistência das hierarquias de renda, cor/raça e arborização. Entre 2016 e 2025, as variações foram discretas e insuficientes para reconfigurar o quadro geral, indicando manutenção dos padrões de desigualdade no acesso a espaço de lazer e à interação com o ambiente natural no município. Conclui-se que, embora o desenho do Parque Capibaribe seja pertinente, sua eficácia distributiva depende do sequenciamento territorial das entregas, o que reforça a necessidade de acompanhamento público e de estudos futuros voltados a usos efetivos e fluxos de apropriação.

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Biografia do Autor

Rodrigo José de Albuquerque Marinho Ataíde, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – IFPE

Professor com dedicação exclusiva do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco (IFPE) - Campus Recife, atuando no eixo tecnológico de Turismo, Hospitalidade e Lazer. Atualmente, faz parte do quadro de docentes do Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Turismo e da Especialização em Educação Ambiental e Cultural, onde também exerce a função de coordenador. Nestes cursos, leciona componentes curriculares relacionados ao lazer, turismo e desenvolvimento de territórios. É Doutorando em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, Mestre em Políticas Públicas pela UFPE, Especialista em Lazer, Recreação e Atividade Física para Qualidade de Vida pela PUC/PR, e Bacharel em Turismo e Psicologia. Atualmente, integra o Laboratório de Gestão das Experiências de Lazer - LAGEL/Uninter; o Grupo de Pesquisa "Comunicação, Turismo e Sociedade" - IFPE; o Observatório do Trabalho no Turismo - OTTUR/IFPE; e o grupo de pesquisa "Perspectivas Urbanas: Historiografar, Projetar e Conservar" - UFPE. 

Joelmir Marques da Silva, Universidade Federal de Pernambuco. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano. ISCCL - ICOMOS/IFLA. ICOMOS-Brasil.

Professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano, ambos do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Pernambuco. Membro do International Council of Monuments and Sites (ICOMOS-Brasil) e do International Scientific Committee on Cultural Landscapes (ISCCL ICOMOS/IFLA - UNESCO).

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Publicado

2026-05-23

Como Citar

Ataíde, R. J. de A. M., & Silva, J. M. da. (2026). Distribuição de Espaços de Lazer integrados à Natureza no Recife, Brasil: contradições do Parque Capibaribe à luz da Justiça Ambiental e Socioespacial. Revista Brasileira De Geografia Física, 19(02), 1073–1093. https://doi.org/10.26848/rbgf.v19.02.p1073-1093

Edição

Seção

Ciências Sociais e Ambiente

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