Por que o pensamento lógico (razão) está desabando em nossas cabeças? As catarses ambientais em forma de barragens
DOI:
https://doi.org/10.26848/rbgf.v12.3.p1156-1170Keywords:
racionalismo, René Descartes, desastres ambientais, barragensAbstract
Com o advento do racionalismo, tendo como um dos principais precursores René Descartes, surge um novo modelo de pensar o mundo, colocando o pensamento lógico acima de qualquer questão. As ideias de Descartes influenciaram diversos pensadores, entre os quais se destacam o holandês Spinoza e o alemão Leibniz. Leibniz era filósofo, matemático e político. Dada esta inegável contribuição social e filosófica para o mundo moderno é fato que os desdobramentos contemporâneos do método e da racionalidade trouxeram consequências negativas para a sociedade pós-moderna, não pela teoria em si, mas pelo fato de que a sociedade sempre se apega aos modelos prontos, sem questionar ou contextualizar historicamente sua funcionalidade. Desta forma, com efeito, no qual carrega todo sistema sem distinção, na medida em que consistia em uma verdadeira exacerbação do racionalismo, ao mesmo tempo, se deu o seu ponto de partida para o “declínio”. É então a partir do início do século XX que começam a tornarem-se visíveis as consequências destrutivas da exacerbação do pensamento racionalista. As intervenções ambientais indistintamente por este Ser que acredita ser Deus, vão acumulando, na forma de riscos naturais por meio de suas consequências deletérias e ao mesmo tempo ele vai se distanciando do contato intimista e subjetivo (sinais) com a natureza, culminando assim nos desastres ambientais de grandes proporções no mundo Pós-Modernos, que aqui chamamos de catarses ambientais em forma de barragens.
Why is Logical Thinking (reason) Collapsing in our Heads? Environmental Catharses in the form of Dams
A B S T R A C T
With the advent of rationalism, with René Descartes as one of its main precursors, emerges a new model of thinking about the world, putting logical thinking above any question. The ideas of René Descartes influenced several thinkers, among them the Dutchman Spinoza and the German Leibniz. Leibniz was a philosopher, mathematician, and politician. Given this undeniable social and philosophical contribution to the Modern world, it is a fact that the contemporary unfoldings of method and rationality have brought negative consequences to Postmodern society, not by the theory itself, but by the fact that society always clings to models without questioning and historically contextualizing their functionality. As all the system carries its own germ of destruction, insofar as it consisted in a true exacerbation of rationalism, at the same time, it became the starting point for the "decline". It is at the beginning of the twentieth century when the destructive consequences of the exacerbation of rationalist thinking start to become visible. The environmental interventions indistinctly made by this Being that believes himself to be God, accumulate in the form of natural risks through its deleterious consequences and at the same time distances itself from intimate and subjective contact (signs) with nature, culminating in the environmental disasters of great proportions in the Post-Modern world, hereby called environmental catharsis in the form of dams.
Keywords: rationalism; Rene Descartes; environmental disasters; dams.
Downloads
References
BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Tradução Mauro Gama e Cláudia Martinelli Gama. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 1998a.
______. Modernidade e holocausto. Tradução Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Ed. Zahar,
b.
______. Globalização: as consequências humanas. Tradução Marcus Penchel. Rio de Janeiro:
Ed. Zahar, 1999a.
______. Modernidade e ambivalência. Tradução Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 1999b.
______. Em busca da política. Tradução Marcus Penchel. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2000.
______. Modernidade líquida. Tradução Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2001.
______. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Tradução Plínio Dentzien. Rio
de Janeiro: Ed. Zahar, 2003.
______. Identidade. Tradução Carlos Alberto Medeiros. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. Zahar,
______. BROEK, Jan O.M.. Iniciação ao estudo da Geografia. Rio de Janeiro: Zahar, 1972.
CAPEL, H. (1983). Positivismo y antipositivismo en la ciência geográfica - el ejemplo de la Geomorfologia. Geocrítica. Barcelona, n° 43 (jan).
CASTORIADIS, C. (1982). A instituição imaginária da sociedade. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
CORRÊA, R. L (1986). Região e organização espacial. S. Paulo, Ática.
COSTA, R. H. (1988). RS: Latifúndio e identidade regional. Porto Alegre, Mercado Aberto.
DUARTE, A. (1980). Regionalização: considerações metodológicas. Bol. de Geografia Teorética. Rio Claro, 10 (20).
FERRATER MORA, J. (1982). Dicionário de Filosofia. Lisboa, Dom Quixote.
FOUCAULT, M. (1979). Microfisica do Poder. Rio de Janeiro, Graal.
GOMES, P. C . (1988). AS razões da região. Dissertação de mestrado (inédita). Rio de Janeiro, UFRJ.
GOMES, P. C. e COSTA R. I I . (1988) O espaço na modernidade. Terra Livre. São Paulo, AGB/Marco Zero.
GUATTARI, F. (1986). Paradigma de todas as submissões ao sistema. Leia. Juruês. São Paulo. Junho, p. 18.
GUATTARI, F. e ROLNIK, S. (1986). Micropolítica - cartografias do desejo. Petrópolis, Vozes.
CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação; a ciência, a sociedade e a cultura emergente. São Paulo: Cultrix, 1987.
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999, (A era da informação:economia, sociedade e cultura; v. 1).
CASSETI, Valter. Contra a correnteza. Goiânia: Kelps, 1999.
CENCI, Daniel Rubens; BEDIN, Gilmar Antonio. (Orgs.). Direitos Humanos, Relações Internacionais e Meio Ambiente. Curitiba: Multideia, 2013.
CIDADE, Lúcia Cony Faria. Acumulação flexível e gestão do território no Distrito Federal. In
PAVIANI, Aldo (org.) Brasília - gestão urbana: conflitos e cidadania. Brasília: Editora UnB, 1999, p. 223-251.
CIDADE, Lúcia Cony Faria. Modernidade, visões de mundo, natureza e geografia no século dezenove. Espaço e Geografia, Brasília, v. 4, n. 1, 2001. No prelo.
CRUZ, Daniel Nery da. A discussão filosófica da Modernidade e da Pós-modernidade. . Msıávoıa: Primeiros escritos em Filosofia. São João Del-Rei, n. 13, 2011. Disponível em: <http://www.ufsj.edu.br/ portal2-repositorio/File/revistalable/3_DANIEL_NERY_DA_CRUZ.pdf>. Acesso em: 20 jan. 2019.
DESCARTES, René. De l‟homme in Oeuvres et Lettres. Paris: Éditions Gallimard, 1953.
______. Discours de la Méthode (avec introduction et notes par Etienne Gilson). Paris: Vrin, 1954.
______. Le monde in Oeuvres et Lettres. Paris: Èditions Gallimard, 1953.
______. Règles pour la direction de l‟esprit in Oeuvres et Lettres. Paris: Èditions Gallimard, 1953.
______. São Paulo: Abril, 1973. (Coleção Os Pensadores).
HANSEN, Fábio DESCARTES, René. Discurso do Método: para bem conduzir a própria razão e procurar a verdade nas ciências. In:. Descartes. 3. ed. Trad. J. Guinsburg; Bento Prado Júnior. São Paulo: Abril Cultural, . 5-10, 18-19, 25-71. (Col. Os Pensadores).1983. p
EVES, H. Introdução à história da matemática. Trad. Hygino H. Domingues. Campinas: Unicamp, 2004.
GRANGER, Gilles-Gaston. Introdução. In: DESCARTES, René. Descartes. 3. ed. Trad. J. Guinsburg; Bento Prado Júnior. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p. 5 - 24. (Col. Os Pensadores).
HOBBES, Thomas. Leviatã (1651). Tradução Eunice Ostrenky. São Paulo: Ed. Martins.
KELLNER, Douglas. Zygmunt Bauman’s Postmodern Turn. SAGE journals - Theory, Culture & Society. First Published February, ISSUE 1, vol. 1, London, England, 1998. Disponível em: <http://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/026327698015001008>. Acesso em: 10 fev. 2018.
KOSIK, K. (1976). A dialética do concreto. Rio de Janeiro, Paz e Terra.
LACOSTE, Y. (1988). A Geografia, isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra. Campinas, Papirus.
LEFEBVRE, H. (1979). Lógica formal, lógica dialética. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
LOPARIC, Z. (1989). Heidegger e a questão da culpa moral. Folhetim. Folha de São Paulo, São Paulo, 25.03.1989.
OLIVEIRA, Larissa Pascutti de. Zygmunt Bauman: a sociedade contemporânea e a sociologia na modernidade líquida. Revista sem Aspas, v. 1, n. 1, jan./jun. 2012. Disponível em: <http://seer.fclar.unesp.br/semaspas/article/view/6970>. Acesso em: 6 fev. 2018. Fontes, 2003. PADOVANI, Umberto & CASTAGNOLA, Luís. História da filosofia. São Paulo: Melhoramentos, 1995 (c. 1954).
OMNÈS, R. Filosofia da ciência contemporânea. São Paulo: Ed. UNESP, 1996.
PEET, Richard. Modern geographical thought. Oxford, UK e Malden, Blackwell, 1999 (c. 1998).
RAMOS, C . A. (1981). História e reificação temporal. Historia: questões e debates, 2 (2). Curitiba, APH.
RAISZ, Erwin. Cartografia geral. Rio de Janeiro: Editora Científica, 1969.
REZENDE, A. org. (1986) Curso de Filosofia. Rio de Janeiro, Zahar/SIiAF.
ROUANET, S. P. (1987). As razões do Iluminismo. São Paulo, Companhia das Letras.
SAGAN, Carl. Cosmos. New York: Random House Inc., 1980.
SMITH, Neil. Desenvolvimento desigual; natureza, capital e a produção do espaço. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988 (c. 1984).
SODRÉ, Nelson Werneck. Introdução à geografia; geografia e ideologia. Petrópolis: Vozes, 1986.
SAHTOURIS, Elisabet. Gaia: do caos ao cosmos. São Paulo: Interação, 1991.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.
SANTOS, Milton. Metamorfoses do espaço habitado; fundamentos teóricos e metodológicos da geografia, São Paulo: HUCITEC, 1988. SANTOS, C. (1986). O conceito de extenso (ou a construção ideológica do espaço geográfico). In: Barrios, S. et al. A construção do espaço. São Paulo, Nobel.
SANTOS, J. E (1986). O que é pós-moderno. São Paulo, Brasiliense.
SANTOS, M. (1982). Pensando o espaço do homem. São Paulo, Hucitec.
PORTILHO, Fátima. Sustentabilidade Ambiental, Consumo e Cidadania. São Paulo: Cortez, 2010.
SAAVEDRA, Fernando Estenssoro. História do debate ambiental na política mundial 1945- 1992: a perspectiva latino-americana. Trad. Daniel Rubens Cenci. Ijuí: UNIJUÍ, 2014.
SANTOS, Milton. Técnica, espaço e tempo: globalização e meio técnico-científico. São Paulo: HUCITEC, 1997.
SANTOS JUNIOR, Raimundo Batista dos; FREITAS, John dos Santos. Globalização e os Direitos Humanos de Solidariedade ou de Desenvolvimento: human rights approach. In.
SILVA, Franklin Leopoldo e. Bergson - Intuição e discurso filosófico. São Paulo: Brasiliense, 1994. (Coleção Filosofia, 31)
SPAREMBERGER, Raquel Fabiana Lopes; PAZZINI, Bianca. O Ambiente na Sociedade do Risco: possibilidades e limites do surgimento de uma nova cultura ecológica. In: Veredas do Direito. Jul./Dez. v.8, n.16, p.147-168. Minas Gerais: Belo Horizonte, 2011. Disponível em: < http://www.domhelder.edu.br/revista/index.php/veredas/article/view/214/189>. Acesso em: 20 set. 2019.
VILELA, Augusto Nilo de Oliveira et al. Os fundamentos da verdade no pensamento de René Descartes: uma relação à sua época, uma proposta à nossa época. CES-JF. Disponível em https://seer.cesjf.br/index.php/ cesRevista/article/view/309. Acesso em: 22 jan. 2019.
Sítios eletrônicos:
Figura 1 - Disponível em: https:// pt. wikipedia.org/wiki/Indulg %C3%AAncia
Figura 2. - https://commons.wikimedia. org/ wiki/File: Descartes-s-w.JPG
Figura 4. - Disponível em: https://pt.wikipedia. org/wiki/Filosofia
Figura 5 - https://commons.wikimedia.org/ wiki/ File: Zygmunt_Bauman,_ fot._M._Oliva_ Soto_ (6144135392).jpg
Figura 6 - Disponível em: https://pt.m. wikipedia. org/ wiki/ Ficheiro:Jan_ Matejko-Astronomer_ Copernicus- Conversation_ with_ God.jpg
Figura 7- Disponível em: http://www.cbdb.org.br/informe/img/60editorial.pdf
Figura 9- Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Buffalo_Creek_Trestle_Wreckage.jpg
Figura 8 - Disponível em: https:// commons. wikimedia.org/wiki/File:Bundesarchiv_Bild_183-C0212-0043-012,_Edertalsperre,_Zerst%C3% B6 rung.jpg
Figura 10 - Disponível em:https: //pt.m. wikipedia. org/ wiki/ Ficheiro: Rovine_del_ Gleno.jpg
Figura 11 - Disponível em: https:// www. Site de curiosidades.com/ curiosidade/ quais-os-piores-acidentes-envolvendo-barragens-na-historia-do-brasil-e-do-mundo.html.
Figura 12 - Disponível em: https:// www. flickr.com/ photos/ agenciasenado/ 22526418164
Figura 13 - Disponível em: https:// pt. wikipedia. org/wiki/Ficheiro:Brumadinho,_Minas_Gerais_(32132221927).jpg
Figura 14 - Disponível em: https:// pixabay.com/ es/photos/terremoto-desastres-naturales-67699/
Figura 15 - Disponível em: https:// www. flickr.com/ photos/acnurlasamericas/6883520220
Figura 16 - Disponível em: https://pixabay.com/ pt/photos/eritreia-paisagem-tendas-cabanas-105081/
VILELA, Augusto Nilo de Oliveira et al. Os fundamentos da verdade no pensamento de René Descartes: uma relação à sua época, uma proposta à nossa época. CES-JF. Disponível em https://seer.cesjf.br/index.php/cesRevista/article/view/309. Acesso em: 22 jan. 2019.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Copyright (c) 2019 Brazilian Journal of Physical Geography

This work is licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Authors who publish with Revista Brasileira de Geografia Física agree to the following terms:
Authors retain copyright and grant the journal right of first publication with the work simultaneously licensed under the Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0) license that allows others to share the work with an acknowledgement of the work's authorship and initial publication in this journal.
Authors are able to enter into separate, additional contractual arrangements for the non-exclusive distribution of the journal's published version of the work (e.g., post it to an institutional repository or publish it in a book), with an acknowledgement of its initial publication in this journal.
Authors are permitted to make their work available online before or during the editorial process, on academic social networks, digital repositories, or preprint servers. After publication in Revista Brasileira de Geografia Física, authors are expected to update the preprint or postprint versions on the platforms where they were originally made available, providing a link to the final published version and any other relevant information, with proper recognition of authorship and the initial publication in this journal.
You are free to:
Share — copy and redistribute the material in any medium or format for any purpose, even commercially.
Adapt — remix, transform, and build upon the material for any purpose, even commercially.
The licensor cannot revoke these freedoms as long as you follow the license terms.
Under the following terms:
Attribution — You must give appropriate credit , provide a link to the license, and indicate if changes were made . You may do so in any reasonable manner, but not in any way that suggests the licensor endorses you or your use.
No additional restrictions — You may not apply legal terms or technological measures that legally restrict others from doing anything the license permits.