“O tempo a indiferenciar-se, também”: uma leitura da configuração temporal de Finisterra. Paisagem e Povoamento

Gisele Seeger

Resumo


Neste artigo, enfoco a semântica da indiferenciação temporal desdobrada em Finisterra, uma das narrativas mais inovadoras da ficção portuguesa do século XX. Essa semântica se efetiva, antes de mais, através da projeção de um “tempo da representação”, por meio da qual o tempo histórico e o tempo durativo são enfraquecidos. Ideologicamente, a narrativa permite ler o tempo como agente da indiferenciação de um estágio histórico-social: em entidades ficcionais como a névoa e a planta carnívora, por exemplo, que corroem e devoram o espaço familiar, materializa-se o devir histórico, que suprime um modo de vida para fazer emergir outro.


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Revista Investigações - Linguística e Teoria Literária. Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco.

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