Registros paleantológicos do cretáceo marinho na Bacia do Araripe

Autores

  • Ana Paula dos Santos Bruno Universidade Federal de Pernambuco
  • Maria Helena Hessel Universidade Federal de Pernambuco

Palavras-chave:

Bacia do Araripe, Formação Crato, Formação Romualdo, organismos marinhos

Resumo

Este trabalho apresenta uma análise crítica da fauna e flora possivelmente marinha já registrada nos depósitos cretáceos da Bacia do Araripe, objetivando oferecer uma visão integrada da ocorrência de organismos indubitavelmente marinhos na bacia, como subsídio para direcionar futuras investigações paleontológicas. De todas as unidades estratigráficas desta seqüência, apenas nas formações Crato e Romualdo há citações de formas marinhas. Nos calcários laminados da Formação Crato são conhecidos Dastilbe crandalli, um peixe aparentemente eurihalino, Cladocyclus gardneri e celacantos tidos como de águas salinas, Araripemys barretoi, um quelônio considerado dulcea qüícola, e biválvios que habitavam águas não-marinhas. Nos folhelhos desta formação, ocorrem conchostráceos, biválvios e algas dulceaqüícolas, sendo a presença de ostracodes marinhos ainda duvidosa. Deste modo, pelo registro na literatura, não fica comprovado que organismos tipicamente marinhos viviam no ambiente de deposição da Formação Crato. Nas concreções calcárias da Formação Romualdo ocorrem peixes osteícties marinhos, como Vinctifer comptoni, Tharrhias araripis e Rhacolepis buccalis. Os raros celacantos e o tubarão Tribodus limae são aparentemente não-marinhos; a raia Iansan beurleni é marinha sublitorânea; e os quelônios são na maioria de ambiente dulcícola. Dentre os invertebrados bentônicos tipicamente marinhos, há os equinóides irregulares Pygurus tinocoi e P. araripensis, e os gastrópodos Gymnentome romualdoi, Craginia araripensis e Cerithium cf. austinense. Os biválvios já identificados taxonomicamente (Aguileria sp.) são de ambiente transicional. O caranguejo Araripecarcinus ferreirai é tido como de águas doces, e o camarão Paleomattea deliciosa, marinho. A presença de foraminíferos na Formação Romualdo, como Rhodonascia bontei, Quinqueloculina sp., outros miliolí deos e rotaliídeos indeterminados, indica uma origem marinha, assim como os dinoflagelados Subtilisphaera sp. e Spiriferites sp. Observa-se, deste modo, que há organismoscomprovadamente marinhos registrados na Formação Romualdo. Entretanto, a diversidade paleobiológica cretácea da Bacia do Araripe parece refletir uma diversidade paleoambiental no tempo e no espaço associada a uma grande dinâmica aquática, que ainda exige estudos detalhados para uma interpretação integrada dos eventos ocorridos.

Referências

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Publicado

2006-01-01

Como Citar

Bruno, A. P. dos S., & Hessel, M. H. (2006). Registros paleantológicos do cretáceo marinho na Bacia do Araripe. Estudos Geológicos, 16(1), 30–49. Recuperado de https://periodicos.ufpe.br/revistas/estudosgeologicos/article/view/259713

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