Características petrográficas e geoquímicas das formações siliciclásticas (aptiano-albiano) da Bacia de Pernambuco, NE do Brasil
Palavras-chave:
Bacia de Pernambuco, Formação Suape, Formação Cabo, Formação ParaísoResumo
Os estudos pioneiros realizados na Bacia de Pernambuco relacionaram os depósitos siliciclásticos de sua coluna sedimentar de origem continental e idade Albo-Aptiana como pertencentes a uma única unidade estratigráfica denominada Formação Cabo. Contudo, estudos recentes têm demonstrado que essa sucessão siliciclástica guarda fases tectono-sedimentares distintas, sendo a porção aptiana e meso-albiana ligadas à fase de deformação mecânica da bacia, enquanto que o intervalo albiano superior foi depositado sob o domínio da fase de subsidência termal, pós-rifte, que apresenta influência marinha restrita. Com base nas novas evidências adquiridas foi sugerida uma revisão na estratigrafia da bacia, na qual a porção basal, aptiana, permaneceu como Formação Cabo (formada na primeira fase rifte da bacia); a sucessão meso-albiana foi separada e denominada de Formação Suape (segunda fase de rifteamento) e a sucessão eo-albiana (pós-rifte) foi denominada de Formação Paraíso. O presente trabalho apresenta uma investigação baseada em análises químicas (DR-X e ICP) e petrográficas realizadas em amostras do poço 2-CP-01-PE, único poço estratigráfico que atravessou toda a coluna sedimentar da bacia, que objetivaram caracterizar cada uma das unidades mencionadas acima. Os resultados revelaram características mais detalhadas sobre o ambiente deposicional de cada unidade. A Formação Cabo é dominada por sistemas de leques aluviais, com predomínio de fácies conglomeráticas. No topo desta formação ocorrem evidências que sugerem a formação de sabkhas continentais, possivelmente devido a condições climáticas mais severas no final do Aptiano. A análise apontou a presença de traços de depósitos evaporíticos, e arenitos conglomeráticos com cimentação carbonática. A Formação Suape é caracterizada por depósitos arenosos, arcoseanos que variam de conglomeráticos a finos, mostrando uma granodecrescência ascendente. Essa formação é contemporânea aos depósitos de rochas vulcanoclásticas relacionadas à Suíte Magmática Ipojuca, datada em ± 102 Ma (Lima Filho, 1998; Nascimento, 2003). Esta relação é evidenciada pela ocorrência de depósitos de tufos, derrames vulcânicos e de pulsos de fluxo detríticos que formaram lahars. A análise dos valores de Elementos Terras Raras mostrou um enriquecimento de elementos terras raras pesados (Gd, Eu e Dy) na Formação Suape, quando comparados com os valores encontrados na Formação Cabo e Paraíso. Esse enriquecimento sugere uma mudança na fonte dos sedimentos ou uma relação com os depósitos vulcanoclásticos. A Formação Paraíso por sua vez é formada por depósitos de arenitos quartzosos com baixo teor de feldspatos, com granulometria variando de grossa a fina e grãos subarredondados a arredondados. O arcabouço dos arenitos apresenta elevada porosidade com grãos apresentando fraturamento. Análises bioestratigráficas também indicam que essa formação recebeu influência marinha restrita. A Bacia de Pernambuco apresenta uma coluna estratigráfica marcada por uma maior diversidade litológica durante o Aptiano e o Albiano, caracterizado por três Formações distintas: Cabo, Suape e Paraíso. Essas formações possuem diferenças petrográficas e geoquímicas envolvendo mudanças na fonte e no ambiente de sedimentação.
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