Análise faciológica e morfológica das rochas hipabissais da região de Picos-PI, porção leste da bacia Parnaíba
DOI:
https://doi.org/10.51359/1980-8208.2024.264641Palabras clave:
análises de fácies, Formação Sardinha, Formação Mosquito, diabásioResumen
A Bacia Parnaíba está localizada majoritariamente na região nordeste do Brasil, possui uma forma elíptica e uma área de aproximadamente 600.000 km2, com depocentro alcançando mais de 3.000 m. Esta bacia foi palco de dois eventos magmáticos, sendo um mais antigo de idade jurássica e associado a Província Magmática do Atlântico Central (CAMP) e expressa na Bacia Parnaíba como a Formação Mosquito. O outro evento mais recente, gerou a Formação Sardinha, de idade cretácea, a qual é correlata por alguns autores à Província Magmática Paraná-Etendeka (PEMP). As rochas relacionadas à Formação Sardinha estão associadas a um complexo de soleiras, e por isso são menos aflorantes em comparação à Formação Mosquito. O objetivo deste trabalho consiste na caracterização da geometria dos corpos ígneos e análise de fácies pioneira de rochas intrusivas máficas aflorantes na porção leste da Bacia Parnaíba, região de Picos-PI, que serão suportadas por análises petrográficas. Sistemas ígneo-sedimentares são comuns no Brasil e o foco nas ocorrências ígneas podem ser uma ótima oportunidade para entender o papel de cada corpo magmático no sistema. Neste contexto, a utilização da análise faciológica se mostrou uma ferramenta muito útil na interpretação evolutiva destas rochas e no entendimento de emplacement em relação às rochas encaixantes. Durante este estudo, foi realizada petrografia microscópica de rochas intrusivas, representativas de seis perfis estratigráficos, e foi observado que a geometria principal para estas rochas é em formato de soleiras de médio a grande porte, sendo litologicamente aqui classificadas como diabásios e basaltos. Faciologicamente, estas rochas possuem estruturas de disjunções colunares, fraturamento por resfriamento e estrutura interna maciça. Texturalmente, estas rochas possuem características de resfriamento lento, típicos de rochas hipabissais, mas também apresentaram texturas relacionadas a perturbação de sistemas, comuns em ambientes vulcânicos rasos. Com base nas características descritas, e comparando com os dados da literatura, as rochas estudadas foram relacionadas a Formação Sardinha. A metodologia aplicada nas rochas intrusivas da região de Picos se mostrou uma ótima alternativa para se reconhecer e classificar as distintas rochas ígneas da Bacia Parnaíba, quando são ausentes informações estratigráficas ou datações geocronológicas.
Citas
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