A representação da mulata no progresso fraturado de Gabriela, Cravo e Canela

Ismael C. Freitas

Resumo


O presente trabalho tem como proposição uma leitura à contrapelo (BENJAMIN, 2012) de Gabriela, Cravo e Canela (1958), romance de Jorge Amado. O foco recai na representação da mulata na personagem Gabriela de forma a balizar a leitura. Dessa forma, faz-se necessário a prerrogativa das análises de gênero, raça e classe na caracterização da protagonista como determinações sócio-históricas na obra. O recorte da cena, a exemplo de Erich Auerbach (2015), permite entrever os tensionamentos históricos dinamizados na representação da personagem. Pretende-se, com isso, colocar em relevo, através da representação (potencialmente) fetichizada de Gabriela, tensões históricas da sociabilização brasileira. A interpretação do romance traz à tona a contraposição entre as heranças escravistas patriarcais e os discursos de modernização e progresso no romance de Jorge Amado.

Palavras-chave


Gabriela; Jorge Amado; mulata; modernização; herança escravocrata

Referências


AMADO, Jorge. Gabriela, cravo e canela: crônica de uma cidade do interior; posfácio de José Paulo Paes. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

AUERBACH, Erich. Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental. São Paulo: Perspectiva, 2015.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. São Paulo: Brasiliense, 2012.

DUARTE, Constância Lima. As relações sociais de gênero em Gabriela, Cravo e Canela. (Págs 165 a 174). In.: Jorge Amado: leituras e diálogo em torno das obras / Rita Olivieiri Godet, Jacqueline Penjon, org. Salvador: FCJA, 2004.

LÖWY, Michael. Walter Benjamin: aviso de incêndio: uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”; tradução de Wanda Nogueira Caldeira Brant. São Paulo: Boitempo, 2005.


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