Em busca do sol: os rastros do “Manifesto Antropófago” em Serafim Ponte Grande

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.51359/1984-7408.2025.269231

Palabras clave:

Manifesto Antropófago, Serafim Ponte Grande, metafísica, política

Resumen

Este trabalho investiga a relação entre o “Manifesto Antropófago” (1928) e Serafim Ponte Grande (1933), ambos textos subscritos por Oswald de Andrade. Pretendemos, desse modo, identificar os rastros político-metafísicos concentrados na primeira fase da Antropofagia oswaldiana, percebidos no Manifesto e no romance. Com esse percurso, questionamos as críticas recentes, como as de Rita Segato (2021) e Zita Nunes (2024), que interpretam a Antropofagia como conivente com a ideologia da democracia racial. Mobilizando teóricos e críticos como Peter Bürger (2008[1974]), Homi Bhabha (1998), Maria Eugenia Boaventura (1995) e Gérard Genette (2017[1975]), argumentamos, ao contrário, que o Manifesto e o romance desestabilizam estruturas coloniais e reposicionam sujeitos historicamente subalternizados.

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Publicado

2026-04-28

Cómo citar

Nascimento, B. (2026). Em busca do sol: os rastros do “Manifesto Antropófago” em Serafim Ponte Grande. Ao Pé Da Letra, 27(2), 68–85. https://doi.org/10.51359/1984-7408.2025.269231

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