INTERFACES ENTRE OS AGENCIAMENTOS MICROPOLÍTICOS DAS TRAVESTIS NA BAIXADA CUIABANA

Haydeé Tainá Schuster, Moisés Lopes

Resumo


O Zero é um território conhecido em Cuiabá pela extensão espacial e pela organização que mulheres cisgênero e travestis mantêm no trabalho de prostituição diuturnamente. Essa região é considerada bastante violenta, com altos índices de criminalidade e transfobia, que culminam numa constante reedição de estratégias de enfrentamento e agenciamento próprio, uma vez que o Estado intervém de maneiras ineficazes na região no que se refere a violência. A partir da etnografia realizada no período do mestrado e das teorias que podem ser pensadas pelo prisma da Antropologia da Saúde, mais propriamente Didier Fassin e Michel Foucault, em conjunto com as reflexões possíveis sobre Antropologia Política – nesse caso, da micropolítica – o presente trabalho objetiva apresentar as relações políticas observadas internamente no Zero, suas relações com as políticas públicas oferecidas pelo Estado, inclusive com a saúde pública e as ressignificações que elas fazem a partir destes encontros. Esses agenciamentos são possíveis de serem pensados tanto a nível interno, de relações entre as travestis e o Estado, quanto no que se refere ao agenciamento da própria construção do corpo e do gênero.


Palavras-chave


micropolítica; transfobia; antropologia da saúde

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DOI: https://doi.org/10.32359/debin2020.v3.n10.p53-72



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