A QUESTÃO NEGRA ENTRE CONTINENTES: POSSIBILIDADES DE TRADUÇÃO INTERCULTURAL A PARTIR DAS PRÁTICAS DE LUTA?
DOI:
https://doi.org/10.32359/debin2026.v9.n31.p42-66Palabras clave:
Epistemologias do SulResumen
A “questão do homem negro”,[1] da sua humanidade, tem estado no centro dos debates pós-coloniais. Escrevendo no início da década de 1950, Frantz Fanon problematizava o carácter racial da epistemologia eurocêntrica, que constrói o negro como não-ser, desprovido de humanidade (1967: 7). Mas, no nosso tempo, apesar da emergência de um projeto política e epistemicamente alternativo – o Sul global[2] - permanece refém da natureza hierárquica das relações Norte-Sul, assentes numa racionalidade moderna eurocêntrica, promotora de uma lógica capitalista, impessoal e devastadora, apoiada numa ordem política e económica desigual e assumidamente monocultural. É esta lógica que torna quase impossível reconhecer como iguais as vidas e as vozes dos que são concebidos como não-existentes.
[1] Metáfora que simboliza a opressão colonial e das violências exercidas sobre o continente africano.
[2] Este Sul é extremamente diverso. A constituição do Sul global integra vários projetos políticos, incluindo a Conferência de Bandung, o Movimento dos Não-alinhados, a Tricontinental, e a constituição do Fórum Social Mundial. Visto desta perspetiva, o Sul global é um Sul geopolítico, uma metáfora usada para identificar o conjunto de movimentos, de ações coletivas contra as formas de opressão, exploração e discriminação (Santos; Meneses, 2010).
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