OS SENTIDOS DA DESCOLONIZAÇÃO. UMA ANÁLISE A PARTIR DE MOÇAMBIQUE

Autores

DOI:

https://doi.org/10.32359/debin2025.v9.n31.p18-41

Palavras-chave:

Epistemologias do Sul

Resumo

A DIMENSÃO EPISTÉMICA DO COLONIALISMO MODERNO NO CONTEXTO AFRICANO

 

Muito do que sabemos sobre o continente africano parte do Sul global[1] é ainda reflexo de representações forjadas no centro de um saber de matriz eurocêntrica que reforçam a permanência das perspectivas do Norte sobre o Sul (Ramose, 2003: 600). Este posicionamento teórico e metodológico é a afirmação de uma única ontologia, de uma epistemologia exclusiva, cujas tentativas de universalização importa analisar.

A ideia da ciência e a tecnologia como dádivas dos poderes imperiais europeus às suas colónias é primordial ao discurso da missão civilizadora, como denuncia Aimé Césaire:

Que o Ocidente inventou a ciência. Que só o Ocidente sabe pensar; que nos limites do mundo ocidental começa o tenebroso reino do pensamento primitivo, o qual, dominado pela noção de participação, incapaz de lógica, é o tipo acabado de falso pensamento. (1978: 58)

 

[1] O Sul global coincide apenas parcialmente com o Sul geográfico.

Biografia do Autor

Maria Paula Meneses , Centro de Estudos Sociais - Universidade de Coimbra - CES/UC

Doutora em antropologia pela Universidade de Rutgers (EUA) e Mestre em História pela Universidade de S. Petersburgo (Rússia). 

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Publicado

2026-05-09

Como Citar

Meneses , M. P. (2026). OS SENTIDOS DA DESCOLONIZAÇÃO. UMA ANÁLISE A PARTIR DE MOÇAMBIQUE . Revista Debates Insubmissos, 9(31), 18–41. https://doi.org/10.32359/debin2025.v9.n31.p18-41

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