Revisão litoestratigráfica do grupo Santa Barbara (Edicarano) na Sub-Bacia Camaquã Ocidental , Rio Grande do Sul, Brasil
Palavras-chave:
Grupo Santa Bárbara, Bacia do Camaquã, análise de fácies, estratigrafia, EdiacaranoResumo
No sul e sudeste do Brasil e no extremo sul do Uruguai ocorrem diversos depósitos sedimentares e vulcanogênicos posteriores ao Ciclo Brasiliano situados no intervalo Ediacarano-Eopaleozóico. No Rio Grande do Sul encontram-se as melhores exposições destas ocorrências, englobadas no Supergrupo Camaquã. Esta unidade abrange (i) Grupo Maricá, (ii) Grupo Bom Jardim, (iii) Formação Acampamento Velho, (iv) Grupo Santa Bárbara, (v) Grupo Guaritas e (vi) Suíte Intrusiva Rodeio Velho, totalizando mais de 8000 metros de espessura. O Grupo Santa Bárbara aflora nas três sub-bacias que compõem o Supergrupo Camaquã, em ocorrências contínuas nas sub-bacias Camaquã Ocidental e Oriental e em janelas estruturais sob o Grupo Guaritas na Sub-Bacia Camaquã Central. A revisão litoestratigráfica da Sub-Bacia Camaquã Ocidental é o tema do presente artigo. As unidades aflorantes na Sub-Bacia Camaquã Ocidental compreendem, na base, conglomerados e arenitos fluviais associados a leques aluviais, que ocorrem no sopé da serra de Santa Bárbara e nas colinas a sul do vale do Seival, englobadas na Formação Estância Santa Fé. Sobre esta unidade ocorrem ritmitos psamo-pelíticos nos vales do arroio do Seival e do arroio Santa Bárbara, que compõem uma sucessão progradante para arenitos tabulares rítmicos de águas rasas, sendo abundantes, em toda a unidade, evidências de ação de marés, designada como Formação Seival. Sobre esta formação ocorrem arenitos de rios entrelaçados com conglomerados associados da Formação Serra dos Lanceiros. Esta unidade fluvial é parcialmente interrompida, na porção norte da sub-bacia, por uma sucessão de ritmitos e arenitos tabulares com evidências de ação de marés em ambiente lagunar, que afloram no vale do arroio dos Lanceiros (Formação Arroio Umbu). Os siltitos e arenitos lagunares são sobrepostos, no norte da área, por arenitos finos a médios de frente deltaica que representam a progradação do delta intra-estuarino. Sobre estes depósitos lagunares há nova progradação de arenitos fluviais seguidos por conglomerados de leques aluviais, na serra do Segredo, constituindo a Formação Pedra do Segredo. Um evento importante de reestruturação da bacia, registrado na Formação Pedra do Segredo, ocorre associado à transgressão dos depósitos estuarinos sobre a planície aluvial, com o soerguimento do alto de Caçapava do Sul e individualização da Sub-Bacia Camaquã Ocidental, concomitantemente a um aumento das taxas de subsidência. A origem tectônica desse conjunto é evidenciada pela proveniência de clastos do alto de Caçapava do Sul e pela presença de fácies de leques deltaicos intercaladas às porções proximais do sistema lagunar e progra- dando sobre o conjunto.
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