Análise de fácies da formação Brejo Santo, Bacia do Araripe, Nordeste do Brasil: implicações paleodeposicionais
Palavras-chave:
Bacia do Araripe, Formação Brejo Santo, Andar Dom João, fácies, sistemas deposicionaisResumo
A Bacia do Araripe tem sido objeto de várias publicações nos últimos anos, tratando notadamente a respeito do rico acervo paleontológico das formações Brejo Santo, Crato e Romualdo. No entanto, são escassos os trabalhos que abordam em detalhe a Formação Brejo Santo sob ponto de vista estratigráfico. A Formação Brejo Santo, de idade mesozóica (Andar Dom João –Neojurássico), é representada por espessa sucessão (até 450 m) de depósitos predominantemente pelíticos que afloram na porção leste da bacia, especialmente no Vale do Cariri. A Formação Brejo Santo repousa discordantemente sobre a Formação Mauriti, de idade presumivelmente paleozóica, e faz contato com a sobrejacente Formação Missão Velha. Esta unidade é composta por argilitos e folhelhos calcíferos castanho-avermelhados, maciços a laminados, siltitos cinza-esbranquiçados a esverdeados e, subordinadamente, arenitos finos a muito finos argilosos laminados. Localmente ocorrem intercalações de níveis delgados de calcário argiloso e, principalmente, de arenitos calcíferos, abundantemente fossilíferos. Os folhelhos e argilitos avermelhados freqüentemente mostram-se mosqueados, com manchas e laminações de coloração verde claro a cinza esbranquiçado. Também ocorrem intercalados aos depósitos nódulos calcários. Este trabalho enfoca análise de fácies e sistemas deposicionais da Formação Brejo Santo com base na observação da sedimentologia e faciologia dos depósitos, medidas de paleocorrentes e de seu conteúdo fossilífero. As fácies foram identificadas segundo a composição, geometria dos corpos, conteúdo fossilífero, estruturas sedimentares e padrão de paleocorrentes. As principais fácies reconhecidas foram: (i) Fl – folhelhos vermelhos, marrons, laminados com intercalações decimétricas de siltitos argilosos esverdeados e camadas centimétricas de folhelhos avermelhados mosqueados com nódulos calcários e arenitos finos calcíferos; (ii) Fm- argilitos vermelho-arroxeados, maciços; (iii) Acl- camadas de arenitos calcíferos; (iv) Sh- arenitos brancos, finos, com estratificação plano paralela, com níveis decimétricos (40-80cm) de arenitos finos argilosos; (v) St- arenitos brancos, finos, com estratificação cruzada acanalada. As paleocorrentes medidas possuem padrão de dispersão consistente para SE, SW e S, coerente com a instalação de ampla bacia aberta em direção sul denominada de Depressão Afro-Brasileira. As fácies e associações de fácies descritas foram interpretadas como geradas por (i) sistemas lacustres nos quais, periodicamente, o nível dos lagos e/ou lagoas sofriam variações bruscas relacionadas às sazonalidades do nível do lago(períodos de exposição sub-aérea e períodos de cheias) e por (ii) sistemas fluviais efêmeros que alimentavam estes lagos. A análise de organismos fósseis, tais como ostracodes não marinhos (Darwinula oblonga e Bisulcocypris pricei) e conchostráceos (Bairdestheria mawsoni, mirandibensis R.C. e Paleolimnadiopsis barbosai R.C.), sugere que os sedimentos da Formação Brejo Santo teriam sido depositados, possivelmente, em condições climáticas quentes e de estação seca bem definida, corroborando a interpretação deposicional. O registro de formas exclusivamente não-marinhas (tais como conchostráceos e ostracodes) sugere sedimentação continental em sistemas lacustres favoráveis à formação de camadas de red beds. A Formação Brejo Santo representa a primeira sedimentação em sistema lacustre da Bacia do Araripe, com aporte de sedimentos trazidos por rios efêmeros, que se acumularam em baixos ao longo da depressão Afro-Brasileira desenvolvida no Andar Dom João devido ao processo de rifteamento que afetou o interior do NE Brasileiro.
onadas às sazonalidades do nível do lago
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